Únicas mulheres mais velhas

As adolescentes não são as únicas humilhadas. “Conheço várias mulheres mais velhas que engravidam e têm de dar o bebê para adoção ou então são isoladas em suas comunidades”, acrescenta Blake. “Não só isso, mas em muitas partes do mundo o aborto não é uma opção, ou então é impossível de conseguir, ou, pior, ilegal.” Mulheres mais velhas = Mulheres Mais Experientes . ... inteligentes e que passem por situações únicas . Sexo de qualidade – As mulheres mais velhas sabem o que querem na cama, e não tem medo de dizer isso, elas normalmente são bem resolvidas em relação a sua sexualidade e conhecem bem o próprio corpo. 19/dez/2019 - Explore a pasta 'mulheres mais velhas .' de Neid Cardoso no Pinterest. Veja mais ideias sobre Mulheres mais velhas, Cabelos grisalhos, Cabelos prateados. Uma das características das mulheres mais velhas que atraem os homens desde o começo é seu foco claro. Ela tem uma ideia precisa do que quer e concentra sua energia em alcançar objetivos maiores. Enquanto as jovens ainda estão explorando o mundo através de relacionamentos e dramatizações, as mulheres mais velhas se concentram em melhorar suas próprias vidas e as de seus entes queridos. 1- São mais compreensivas. Faz parte da fase de cada um, não aceitar ou não compreender certos tipos de coisas. As mulheres mais velhas por sua vez, já passaram por esse momento, e hoje com uma visão mais ampla e mais bem formada de mundo, são naturalmente mais compreensivas com o que acontece ao seu redor. 2- Bagagem cultural Yann Moix, de 50 anos, disse a uma revista francesa, quando foi questionado sobre sentir-se atraído por mulheres mais velhas que ele. Em resposta, o escritor responde: “Vá lá, não vamos exagerar! Isso não é possível. Demasiado, demasiado velha”.

Não consigo superar

2020.10.19 23:43 Normal_bitch Não consigo superar

Preciso de conselhos e preciso desabafar.
Perdão pelos erros de português, não é meu forte.
Uma boa parte do meu relacionamento foi extremamente desgastante, embora as coisas tenham mudado, significando que eu deveria estar bem, eu não estou, eu ainda tenho raiva do meu namorado as vezes, não supero tudo oque aconteceu.
Como gosto desse sub decidi que vou soltar toda minha frustração aqui, tudo oque me fez mal no começo, preciso de alguém que me ouça,é uma tentativa de deixar esses problemas para trás e não estragar meu relacionamento.
Esse post sera bastante comprido
O primeiro mês foi bom, no segundo ele era paranóico, brigou comigo pois alguém que eu nem conheço disse que ele era corno, briguei feio com ele, então esse problema não se repetiu.
No terceiro mês os problemas começarem, não consigo lembrar dos detalhes, muito dessa época foi um borrão para mim.
Meu namorado tem problema com depressão, apartir do terceiro mês ele começou a ameaçar de se matar todos os dias basicamente, dizer coisas sem sentido, eu tentei ajudar ele o máximo que pude, depois de um tempo a família dele colocou ele em psiquiatra, psicólogo, terapeuta, tudo que era possível, até ai tudo bem, eu queria ajudar ele, claro que não iria deixar ele sozinho nesse momento.
Agora vem a parte que realmente me fez mal, durante meses ele ameaçou se matar todo o dia para mim, mandava foto de faca,na barriga, segurando, na mesa, ia no viaduto mandava foto dizendo que ia se matar, por todo o dia ficava me dizendo coisas terríveis, eu sentia que estava sendo torturada.
Me disse algumas vezes que queria pegar outras pessoas, me disse que se me traisse com um homem para testar nao teria problema, que estava em dúvida se gostava de homem e queria testar, um dia até quis tentar terminar comigo porque os colegas disseram que ele parecia gay quando colocou um piercing. Depois ele percebeu que era só confusão da cabeça dele pois sempre chamaram ele de viado.
Todo dia minha rotina se baseava em parar tudo o'que eu estava fazendo para ajudar ele.
Na escola dizia que ia embora pra se matar, quase todo dia eu tinha que implorar, ligar, chorar, pedir que ele não se matasse.
Uma vez nos bancos da escola disse que iria sair mais cedo para poder se matar enquanto eu me matava de chorar na frente dele,implorando para ele não me deixar, e ele nem ligou, me olhava com o olhar vazio, so dizia que era o melhor pra mim.
Uma vez brigamos e ele foi a uma festa e voltou falando sobre como a irmã do amigo dele estava rebolando pra ele, sabendo que nem sair de casa eu podia na época, e ele podia mesmo eu não tendo como (eu não podia sair ou namorar, esses meses foram escondidos da minha mãe, contamos no começo desse ano, todos esses problemas foram de setembro do ano passado até o início da quarentena, onde já podíamos nos ver fora da escola)
Ameaçou de se matar até no meu aniversário, primeiro aniversário que minha família parecia feliz, e eu tive que me esconder no quarto pra chorar e implorar que ele não se matasse, estraguei o aniversário, na frente da minha família tive que fingir que estava tudo bem.
Dizia o tempo todo que eu não gostava dele de verdade, que eu ficaria melhor se ele morresse, não importava quantas vezes eu tentasse provar que realmente gosto dele, isso é cansativo.
Dizia que ia tomar água sanitária, tomar todos os remédios, mandava fotos com facas, várias fotos no viaduto, e dizia "adeus" me fazendo implorar para que ele vivesse mais um dia, não sabendo oque aconteceria no outro dia. A única coisa que ele realmente fez foi tomar um gole de água sanitária, o restante felizmente foram apenas ameaças.
Um dia ele saiu para a casa de um amigo, e começou a ameaçar de se matar, quando fazia isso costumava colocar uma foto preta no whats, quando mandei mensagem para o amigo que estava do lado dele para pedir ajuda, o amigo me mandou um audio dizendo "é brincadeira dele tudo, ninguém manda acreditar" "ninguém manda não ajudar, agora vai morrer" coisas do tipo, rindo da minha cara, na hora eu bloqueei os dois e exclui todas as nossas mensagens, mais tarde descobri que ele realmente estava querendo se matar, então ele brigou comigo por acreditar no amigo dele, mas nunca disse uma palavra para o amigo que me enganou e riu da minha cara enquanto eu não conseguia parar de chorar por horas.
Um dia ele teve um ataque de ciúme porquê eu disse que achei uma foto de um gato que ele mandou fofo, "você prefere o gato a mim, vai com o gato então, vai vir aqui e vai querer dar mais atenção para o gato"
Fez um texto lindíssimo pra uma amiga, de uma forma que nunca fez pra mim e em uma parte do texto disse que ficaria com ela se não estivesse comigo, eu fingi que isso não me machucou por um tempo, e quando contei que me fez mal ele disse que nunca fez algo do tipo para mim pois a amiga dele realmente acreditava nele, e eu não acreditava. Eu que estava todo dia chorando, perdendo cabelo de estresse pra tentar ajudar ele.
Ele tinha o direito de conversar com quem quisesse, falar que pegaria outras pessoas, eu não sou ciumenta, porém eu não podia chegar perto de nenhum homem. Um dia ele insistiu que eu contasse quem eu achava bonito dos nossos colegas, quando eu contei ele brigou comigo, dizendo que era fácil para mim trocar ele.
Com tudo isso eu perdi 4 quilos, eu sou pequena, 4 quilos fazem grande diferença e perdi muito, muito cabelo a ponto de ter medo de ficar careca, perdi a habilidade de dormir a noite, pois passava a noite acordada, até as 6, horário que ele acordava, tudo por medo de que ele não estivesse dormindo e sim morto,esperando 4,5,6 horas para receber uma mensagem, até hoje tenho dificuldade para manter uma rotina saudável quanto ao sono, e tive meus primeiros pensamentos suicidas.
Em grande parte desses meses eu ficava apenas no meu quarto deitada, so saia pelas coisas que eu sou obrigada a fazer, estudar, limpar,comer as vezes, e exercício pois já tenho problemas o suficiente de autoestima, se eu ficasse mais feia aí sim pioraria de vez e me mataria, gosto muito de exercícios e os fazia a noite, mas como ele chegava a noite, várias vezes parei de fazer para ajudar ele.
Eu so queria ajudar ele, apenas isso, foi a única coisa que eu fiz todos esses meses, perdoar e ajudar, apenas isso.
Quando eu não aguentava mais disse que se ele não mudasse a forma de lidar com os problemas eu terminaria, apartir dai ele começou a melhorar, a terapia foi o'que mais funcionou para ajudar com o problema dele, ele começou a desabafar ao envez de jogar todos os problemas em mim e me torturar, eu finalmente estava feliz.
Então quando eu pensei que deixaria tudo isso pra trás ele em uma manhã começou um assunto sobre gostar de mulheres mais velhas, até ai tudo bem, mas ele decidiu dizer "trovaria tua mãe, ela e bonita" , e foi onde meu mundo caiu, todas as vezes eu perdooei ele, sempre entendi que era por conta da depressão que ele me fazia mal, entendi que não era culpa dele, mas isso era demais, isso era um limite, todas as outras vezes eu acreditei que ele mudaria e confiei nele, dessa vez não consegui, não sei se consigo até agora.
Ainda assim eu continuei com ele, e desde então ele tem sido um amor, tudo está bem, ou deveria estar, mas eu não consigo superar tudo isso, sinto que atinge meu limite com o último problema e não consigo mais voltar a acreditar nele, ou confiar nele. Eu amo ele, e agora ele realmente mudou, a meses nao fala nada que me deixa triste, sempre pergunta se está me sobrecarregando quando desabafa, ele me respeita bastante, porém eu não quero estragar nosso relacionamento com meu problema de não superar.
Eu sei que o jeito que eu falei sobre o problema de depressão dele pode ter sido egoísta, focando apenas no meu lado, enquanto para ele deve ter sido muito pior, mas eu so estou contando como me senti, eu sei que esse problema não e culpa dele e que as coisas que ele me disse e me fez foram por estar fora do normal graças a depressão, não o culpo, ao menos ele melhorou, não e como se eu fosse perfeita, por vezes nao acreditei que ele mudaria e exagerei nas brigas,so piorando a situação , agora eu aprendi a conversar ao envez de brigar e isso ajudou. Porém eu nunca tinha lidado com algo do tipo, não soube ajudar ele então acabou que fui sobrecarregada, e agora eu preciso de um conselho, como posso superar isso e finalmente olhar pra frente, nosso relacionamento devia estar bem, não quero estragar tudo, me ajudem!!
submitted by Normal_bitch to desabafos [link] [comments]


2020.10.19 22:05 Normal_bitch Não consigo superar, me ajudem!!

Preciso de conselhos e preciso desabafar.
Perdão pelos erros de português, não é meu forte.
Uma boa parte do meu relacionamento foi extremamente desgastante, embora as coisas tenham mudado, significando que eu deveria estar bem, eu não estou, eu ainda tenho raiva do meu namorado as vezes, não supero tudo oque aconteceu.
Decidi que vou soltar toda minha frustração aqui, tudo oque me fez mal no começo, preciso de alguém que me ouça,é uma tentativa de deixar esses problemas para trás e não estragar meu relacionamento.
Esse post sera bastante comprido
O primeiro mês foi bom, no segundo ele era paranóico, brigou comigo pois alguém que eu nem conheço disse que ele era corno, briguei feio com ele, então esse problema não se repetiu.
No terceiro mês os problemas começarem, não consigo lembrar dos detalhes, muito dessa época foi um borrão para mim.
Meu namorado tem problema com depressão, apartir do terceiro mês ele começou a ameaçar de se matar todos os dias basicamente, dizer coisas sem sentido, eu tentei ajudar ele o máximo que pude, depois de um tempo a família dele colocou ele em psiquiatra, psicólogo, terapeuta, tudo que era possível, até ai tudo bem, eu queria ajudar ele, claro que não iria deixar ele sozinho nesse momento.
Agora vem a parte que realmente me fez mal, durante meses ele ameaçou se matar todo o dia para mim, mandava foto de faca,na barriga, segurando, na mesa, ia no viaduto mandava foto dizendo que ia se matar, por todo o dia ficava me dizendo coisas terríveis, eu sentia que estava sendo torturada.
Me disse algumas vezes que queria pegar outras pessoas, me disse que se me traisse com um homem para testar nao teria problema, que estava em dúvida se gostava de homem e queria testar, um dia até quis tentar terminar comigo porque os colegas disseram que ele parecia gay quando colocou um piercing. Depois ele percebeu que era só confusão da cabeça dele pois sempre chamaram ele de viado.
Todo dia minha rotina se baseava em parar tudo o'que eu estava fazendo para ajudar ele.
Na escola dizia que ia embora pra se matar, quase todo dia eu tinha que implorar, ligar, chorar, pedir que ele não se matasse.
Uma vez nos bancos da escola disse que iria sair mais cedo para poder se matar enquanto eu me matava de chorar na frente dele,implorando para ele não me deixar, e ele nem ligou, me olhava com o olhar vazio, so dizia que era o melhor pra mim.
Uma vez brigamos e ele foi a uma festa e voltou falando sobre como a irmã do amigo dele estava rebolando pra ele, sabendo que nem sair de casa eu podia na época, e ele podia mesmo eu não tendo como (eu não podia sair ou namorar, esses meses foram escondidos da minha mãe, contamos no começo desse ano, todos esses problemas foram de setembro do ano passado até o início da quarentena, onde já podíamos nos ver fora da escola)
Ameaçou de se matar até no meu aniversário, primeiro aniversário que minha família parecia feliz, e eu tive que me esconder no quarto pra chorar e implorar que ele não se matasse, estraguei o aniversário, na frente da minha família tive que fingir que estava tudo bem.
Dizia o tempo todo que eu não gostava dele de verdade, que eu ficaria melhor se ele morresse, não importava quantas vezes eu tentasse provar que realmente gosto dele, isso é cansativo.
Dizia que ia tomar água sanitária, tomar todos os remédios, mandava fotos com facas, várias fotos no viaduto, e dizia "adeus" me fazendo implorar para que ele vivesse mais um dia, não sabendo oque aconteceria no outro dia. A única coisa que ele realmente fez foi tomar um gole de água sanitária, o restante felizmente foram apenas ameaças.
Um dia ele saiu para a casa de um amigo, e começou a ameaçar de se matar, quando fazia isso costumava colocar uma foto preta no whats, quando mandei mensagem para o amigo que estava do lado dele para pedir ajuda, o amigo me mandou um audio dizendo "é brincadeira dele tudo, ninguém manda acreditar" "ninguém manda não ajudar, agora vai morrer" coisas do tipo, rindo da minha cara, na hora eu bloqueei os dois e exclui todas as nossas mensagens, mais tarde descobri que ele realmente estava querendo se matar, então ele brigou comigo por acreditar no amigo dele, mas nunca disse uma palavra para o amigo que me enganou e riu da minha cara enquanto eu não conseguia parar de chorar por horas.
Um dia ele teve um ataque de ciúme porquê eu disse que achei uma foto de um gato que ele mandou fofo, "você prefere o gato a mim, vai com o gato então, vai vir aqui e vai querer dar mais atenção para o gato"
Fez um texto lindíssimo pra uma amiga, de uma forma que nunca fez pra mim e em uma parte do texto disse que ficaria com ela se não estivesse comigo, eu fingi que isso não me machucou por um tempo, e quando contei que me fez mal ele disse que nunca fez algo do tipo para mim pois a amiga dele realmente acreditava nele, e eu não acreditava. Eu que estava todo dia chorando, perdendo cabelo de estresse pra tentar ajudar ele.
Ele tinha o direito de conversar com quem quisesse, falar que pegaria outras pessoas, eu não sou ciumenta, porém eu não podia chegar perto de nenhum homem. Um dia ele insistiu que eu contasse quem eu achava bonito dos nossos colegas, quando eu contei ele brigou comigo, dizendo que era fácil para mim trocar ele.
Com tudo isso eu perdi 4 quilos, eu sou pequena, 4 quilos fazem grande diferença e perdi muito, muito cabelo a ponto de ter medo de ficar careca, perdi a habilidade de dormir a noite, pois passava a noite acordada, até as 6, horário que ele acorda, tudo por medo de que ele não estivesse dormindo e sim morto,esperando 4,5,6 horas para receber uma mensagem, até hoje tenho dificuldade para manter uma rotina saudável quanto ao sono, e tive meus primeiros pensamentos suicidas.
Em grande parte desses meses eu ficava apenas no meu quarto deitada, so saia pelas coisas que eu sou obrigada a fazer, estudar, limpar,comer as vezes, e exercício pois já tenho problemas o suficiente de autoestima, se eu ficasse mais feia aí sim pioraria de vez , gosto muito de exercícios e os fazia a noite, mas como ele chegava a noite, várias vezes parei de fazer para ajudar ele.
Eu so queria ajudar ele, apenas isso, foi a única coisa que eu fiz todos esses meses, perdoar e ajudar, apenas isso.
Quando eu não aguentava mais disse que se ele não mudasse a forma de lidar com os problemas eu terminaria, apartir dai ele começou a melhorar, a terapia foi o'que mais funcionou para ajudar com o problema dele, ele começou a desabafar ao envez de jogar todos os problemas em mim e me torturar, eu finalmente estava feliz.
Então quando eu pensei que deixaria tudo isso pra trás ele em uma manhã começou um assunto sobre gostar de mulheres mais velhas, até ai tudo bem, mas ele decidiu dizer "trovaria tua mãe, ela e bonita" , e foi onde meu mundo caiu, todas as vezes eu perdooei ele, sempre entendi que era por conta da depressão que ele me fazia mal, entendi que não era culpa dele, mas isso era demais, isso era um limite, todas as outras vezes eu acreditei que ele mudaria e confiei nele, dessa vez não consegui, não sei se consigo até agora.
Ainda assim eu continuei com ele, e desde então ele tem sido um amor, tudo está bem, ou deveria estar, mas eu não consigo superar tudo isso, sinto que atinge meu limite com o último problema e não consigo mais voltar a acreditar nele, ou confiar nele. Eu amo ele, e agora ele realmente mudou, a meses nao fala nada que me deixa triste, sempre pergunta se está me sobrecarregando quando desabafa, ele me respeita bastante, porém eu não quero estragar nosso relacionamento com meu problema de não superar.
Eu sei que o jeito que eu falei sobre o problema de depressão dele pode ter sido egoísta, focando apenas no meu lado, enquanto para ele deve ter sido muito pior, mas eu so estou contando como me senti, eu sei que esse problema não e culpa dele e que as coisas que ele me disse e me fez foram por estar fora do normal graças a depressão, não o culpo, ao menos ele melhorou, não e como se eu fosse perfeita, por vezes nao acreditei que ele mudaria e exagerei nas brigas,so piorando a situação , agora eu aprendi a conversar ao envez de brigar e isso ajudou. Porém eu nunca tinha lidado com algo do tipo, não soube ajudar ele então acabou que fui sobrecarregada, e agora eu preciso de um conselho, como posso superar isso e finalmente olhar pra frente, nosso relacionamento devia estar bem, não quero estragar tudo, me ajudem!!
submitted by Normal_bitch to relacionamentos [link] [comments]


2020.10.14 02:49 Krahmukoslovisk Porque não sou feliz?? *aviso de texto enorme*

Sempre que começo a estabilizar ou estagnar sempre me surge um sentimento cruel, de que eu estou preso a algo ruim, que ficarei pra trás. Tenho um desejo incontrolado de sair e começar tudo do zero. Porém quando estou em um lugar novo sinto falta do conforto e do carinho, me fazendo querer desistir. Hoje estou fazendo mestrado, trabalhando em uma ótima clinica e mesmo assim sinto um vazio no peito, uma dor e uma angustia, seriam esses os sintomas tardios do termino? Da realização de um “fim”. Pois é, em 2017 voltando do meu intercambio dos estados unidos eu tive um relacionamento rápido coisa de 3 meses, terminei e pra mim foi tudo bem, não havia história e não havia amor verdadeiro. Alguns meses depois me veio a ruiva mais linda que eu já vi (apesar de não ser ruiva natural caia muito bem nela, e nem se podia notar), eu me apaixonei na hora, mas pensei “não sou cara pra namorar, não consigo me conectar’. Eu não podia estar mais enganado. Os primeiros meses foram difíceis, ela havia terminado um relacionamento que não tinha superado, não queria se envolver, muito menos eu, afinal estava na faculdade e queria curtir tudo na mais absoluta esbornia. Porém o cheiro, o carinho e aquele sorriso me quebrou de uma forma tão intensa que eu não quis acreditar, foram períodos de muita felicidade até o momento que tudo virou de cabeça pra baixo, terminamos pois estávamos muito estranhos e eu não entendi muito bem mas não tive objeção, só que algo não estava certo pra mim eu não conseguia esquecer ela.
Fui atrás e descobri da boca dela uma traição, e que ela estava sendo coagida, foi agredida e teve que sair de onde morava por causa do sujeito. Foi o momento 1 da minha mudança, pois sempre fui um cara que abominou traição e quando a pessoa trai uma vez vai trair de novo, só que eu não consegui, não consegui olha pra ela e dizer que não queria olhar pra ela nunca mais, porque eu queria ela do meu lado, então, foi quando eu deixei ela morar comigo, dividir a casa com quem me traiu e quebrou minha confiança, chorava toda noite, porém não conseguia mandar ela embora não estava certo pra mim, e que apesar do que ela fez pra mim, o que fizeram com ela foi pior, voltaram as amigas dela contra ela, as próprias meninas de republica não ajudaram ela nem mesmo na parte da agressão. Eu resolvi dar mais uma chance pra ela e ó Deus daria mais umas 20, porque depois disso não tive o que reclamar, sempre atenciosa, se preocupava comigo, fez questão de conquistar minha confiança pouco a pouco até eu pensar em casar com ela, porém veio o ponto da virada numero 2.
Final da minha faculdade estava passando por problemas com os professores, a ponto de quase ter que ir no ministério publico para resolver um conflito, meu TCC estava um caco e eu estava a um pingo de ser reprovado no meu ultimo semestre, e isso é claro refletiu no relacionamento, brigávamos sempre pois estava apático a tudo, só conseguia comer e jogar, ela (com toda razão) se sentia abandonada, e eu não sabia se queria continuar namorando pois tudo na minha vida estava triste. Terminamos novamente, me consultei com um psiquiatra que me passou medicações e tirei um tempo para ficar em casa, tive crises de pânico, mas quando as medicações começaram a fazer efeito eu consegui fazer tudo, e ela, mesmo depois de ter terminado continuou ao meu lado, me ajudando e segurando minha onda diversas vezes, e no final eu percebi que estava em um momento horrível e pedi para voltar, voltamos. Então se inicia 2019 (teve um salto grande eu sei) quando sai da cidade onde fazíamos faculdade e fui para vila velha e ela ficou lá, novamente as coisas começaram a ficar estranhas, ela é a definição de paixão pra mim, intensa, sem medo, faz o que o coração manda e passar por cima de tudo para fazer o que acha certo, e eu não, sou acomodado e fico sempre a mercê do que os outros fazem ou deixam eu fazer, sou passivo nas atitudes. A distancia era grande, eu tinha uma rotina pesada e não tinha tempo de conversar por mensagem, estava muito dedicado ao meu estagio e ela precisava de mim, precisava conversar e precisava do namorado dela ali do lado dela, então brigávamos constantemente, então novamente outro termino. Só que dessa vez fui tão cego que não vi o que ela estava passando, os problemas que tive de final de faculdade ela também teve, e eu egoísta que sou, não soube ver isso, e quando me toquei do que havia feito, tentei de alguma forma ajudar, mas ela não me atendia, e quando a gente se falava ela só sabia chorar, e eu tapado que sou não sabia o que fazer e como agir.
Então começa o ponto de virada 3, terminei o meu estagio, voltei pra casa e arrumei um emprego em um consultório veterinário perto de casa(interior do ES divisa com o RJ), e ela voltou pra cidade dela Pedro canário (norte do ES, divisa com a Bahia) estávamos terminados porem anos antes compramos um congresso de veterinária juntos e ela disse que mesmo que terminássemos ela ia disponibilizar a casa (o pai dela mora em Curitiba) dela para eu ficar. Foi chegando a data de ir e eu não sabia se aquilo estava valendo ou não, então quando menos esperava, depois de semanas sem se falar ela pergunta quando que vou, eu que nem tinha preparado nada, entrei em choque e comecei a ver data de voo, e na minha cabeça pensava “vou conquistar essa mulher de novo”, e como já dizia Rubel “se for preciso eu pego um barco e eu remo por 6 como peixe pra te ver”, ela ama Rubel. E fui, eu nunca tinha sido recebido tão friamente, era simplesmente era apática a tudo que era relacionado a mim, eu pensei “não vai dar” e já fui baixando a expectativa mas não desisti, e então em um belo dia a noite em casa, a gente ficou entre choros de saudade e tristeza, amor e ódio. Mais uma vez resolvemos tentar, sempre claro corrigir os erros do passado, para não se repetir. Ela fez comigo um teste de perseverança pois estava devastada com o que fiz com ela (deixar ela sozinha no fim da faculdade segurando uma barra desgraçada) Eu arrumei um estagio para ela numa indústria de laticínios na minha cidade e ela foi pra lá. Eu percebia que ela era muito grossa e sempre discutia por coisas bestas, eu sabia que era pra me testar, segui firme. Próximo do estagio acabar, meus pais (que aliás achavam que estávamos separados, na verdade só fingiam) perguntavam quando ela ia embora, e eu não sabia como tocar nesse assunto porque eu também não queria que ela fosse, queria ficar com ela, mas então em janeiro de 2020 ela foi embora, para Curitiba na casa do pai dela. E pra minha sorte o que houve em 2020? Pandemia, comércios fechados, aeroportos fechados, caos no mundo, e a única forma da gente estar junto e por whatsapp, e quem é o insensível que não consegue ser atencioso a distância? Eu mesmo e assim levamos por alguns meses, planejando nos ver em pleno a pandemia, mas eu não tinha dinheiro, recebia muito mal (menos que um salário mínimo) e pra ir ver ela teria que pegar dinheiro com meus pais, que com certeza não me emprestariam, então era sempre uma decepção porque ela sempre vinha com promoções de voos e formas da gente se ver, e eu sempre realista quanto a nossa situação, foi então que em junho desse ano ela me ligou terminando tudo.
Aceitei, foi uma conversa ate que longa, ficou muito claro nossos motivos, mas o principal foi a distância (eu não consigo ser eu mesmo por mensagem, não sei o que acontece, no dia eu só vou fazendo as coisas e depois que me toco de ver celular mas as vezes já e tarde). No mesmo mês fiz minha inscrição no mestrado em Vila Velha aonde havia estagiado meses antes, acabei passando, não recebo bolsa, e estou tendo que trabalhar para pagar o mestrado e as contas (quase 2500 reais no mês) até ter uma bolsa, se houver ela. Mês de setembro fiz plantão todos os finais de semana e terças-feiras, de segunda a sexta estava na rotina do Hospital para aprender a fazer coisas novas em anestesia e a noite aula. Foi um mês desgraçado, mas foi um mês que não senti falta dela, ai nesse ultimo feriado, alguns amigos me chamaram para ir para a praia em Guarapari (cidade próxima) pra gente da uma curtida, então eu fui, e realmente me diverti muito, e no domingo eu acabei ficando com a amiga da namorada de um amigo meu (complicado mas acho que deu pra entender) e nesse momento, meus amigos, só me vinha uma coisa na cabeça, a Ruiva. Eu só dei uns beijos nela e nada demais aconteceu mas no outro dia eu fui embora, porque não estava me sentindo bem com a situação, cheguei em casa triste, com uma dor no peito enorme, e acabei mandando mensagem para ela, conversamos de boa, falamos como estavam as coisas e então vem o momento da virada 4, a Ruiva, conversando com umas pessoas arrumou um emprego numa cidade pequena aqui no espirito santo, e essa cidade meus amigos, é 70 km de onde eu moro, e agora eu não consigo trabalhar, comer, estudar e nem fazer nada, só penso em ir lá e chegar dizendo que vim remando por 6 meses e só pude chegar agora. Porém meu medo é eu ser a pessoa que nunca está feliz, que quando está bom quer mudar e quando muda sente falta do conforto. Inegavelmente eu a amo, e ela me ama também (foi dito isso na conversa) mas tanto ela quanto eu sabemos que amor nunca segurou e nunca vai segurar relacionamento, fico me perguntando, com a possibilidade de ir vê-la a cada 15 dias e trabalhando pra me sustentar, podendo fazer planos de vida, se daria certo. Antes vivíamos em momentos diferentes, mas agora estamos vivendo no mesmo momento, trabalhando e sendo adultos que moram fora de casa. Meu coração e meu corpo doem de medo de ignorar o que todas as fibras dizem que é ir ver ela esse final de semana, mas ao mesmo tempo morro de medo de estar sendo o maior egoísta desse mundo e me deixar levar por esse sentimento e acabar descobrindo que não consigo mudar e que não da mesmo para estarmos juntos. Nunca fui muito religioso, mas já rezei para Deus para ter sucesso, para ter dinheiro pra pagar minhas contas, agora peço que ignore tudo e me uma luz para onde seguir.
submitted by Krahmukoslovisk to desabafos [link] [comments]


2020.09.17 06:24 fabio561 Visão freudiana do novo filme da Netflix "estou pensando em acabar com tudo"

Spoilers adiante . . . . .
A única coisa que dá pra concluir é que é tudo um sonho do faxineiro ( misturando o presente com lembranças passadas, já que no inconsciente não existe uma cronologia definida e o sonho é a manifestação de conteúdos reprimidos do inconsciente, segundo Freud. Ah é, e o filme cita realidade objetiva e o papel da mãe em sintomas e neuroses, que são teorias freudianas). A realidade dele é humilhante, mas nos sonhos é possível avançar e retroceder no tempo e do jeito que queremos que seja. A ruiva talvez tenha sido uma namorada dele que se suicidou e a mente dele não aceita, então a mente cria uma outra realidade que seja mais suportável pra ele. As garçonetes são as meninas que humilham ele na vida real. No sonho dele, são garçonetes, algo que é humilhante para os americanos. No fim, são todos velhos porque aí todos são iguais a ele. Na realidade, ele é cercado de pessoas jovens, que zombam das pessoas velhas ( a mulher dele estuda geriatria por ter empatia por pessoas velhas, mas ela não era artista? Mais um sinal de que é um sonho dele )
submitted by fabio561 to SuturaPsicanalitica [link] [comments]


2020.09.11 23:28 Dannzsche David Graeber sobre a 'Vitória'

Vou só compartilhar um trecho aqui de um ensaio do David Graeber - O Choque da Vitória - É um exercício imaginativo valioso sobre o significado da revolução ou simplesmente da 'vitória' enquanto um processo histórico de ruptura:
"Isto nos leva a uma questão interessante. O que significaria conquis­tar não apenas nossos objetivos de médio prazo, mas também os de lon­go prazo? No momento não está muito claro para ninguém como isso poderia acontecer, pela simples razão de que nenhum de nós tem muita fé remanescente “na” revolução, no antigo sentido dado ao termo nos sé­culos XIX e XX. Afinal, a visão total de uma revolução, de que haverá uma única insurreição em massa ou greve geral e então todos os muros ruirão, é inteiramente baseada na velha fantasia de dominar o Estado. Esta seria a única maneira possível de a vitória ser tão absoluta e com­pleta — pelo menos se estivermos falando de um país inteiro ou de um território significativo.
Para ilustrar, consideremos: o que haveria realmente signi­ficado para os anarquistas espanhóis ter “vencido” em 1937? É impressi­onante quão raro nos fazemos perguntas como essa. Apenas imaginamos que teria sido algo como a Revolução Russa, que começou de modo se­melhante, com a dissolução do antigo exército, a criação espontânea de sovietes. Mas isso foi nas grandes cidades. A Revolução foi seguida de anos de guerra civil na qual o Exército Vermelho gradualmente impôs o controle do novo Estado a cada parte do Império Russo, quisessem ou não as comunidades em questão. Imaginemos que as milícias anarquistas na Espanha tivessem derrotado o exército fascista, e então desfeito com­pletamente e expulsado o Governo Republicano socialista de seus gabi­netes em Barcelona e Madri. Decerto teria sido uma vitória aos olhos de qualquer um. Porém, o que teria acontecido em seguida? Haveriam eles transformado a Espanha em uma não república, um anti­estado estabe­lecido exatamente dentro das mesmas fronteiras internacionais? Haveri­am imposto um regime de conselhos populares em cada vila e município no território do que outrora fora a Espanha? Como, exatamente?
Preci­samos ter em mente que em muitas vilas, povoados e até regiões do país os anarquistas eram quase inexistentes. Em alguns, praticamente toda a população era formada por católicos ou monarquistas conservadores; em outros (digamos, no País Basco), havia uma classe trabalhadora militan­te e bem ­organizada, porém esmagadoramente socialista ou comunista. Mesmo no auge do fervor revolucionário, a maioria deles continuaria fiel a seus antigos valores e ideias. Se a FAI vitoriosa tentasse exterminar a todos — uma tarefa que teria exigido matar milhões de pessoas —, ex­pulsá-­los do país, realocá-los à força em comunidades anarquistas ou mandá-­los para campos de reeducação, seria não só culpada de atroci­dades de nível mundial, mas também teria de deixar de ser anarquista.
Temos que ter em mente aqui que havia muitas vilas, cidades e até mesmo regiões inteiras da Espanha onde anarquistas eram quase inexistentes. Em alguns, quase toda a população era composta de católicos conservadores ou monarquistas; em outros (digamos, o País Basco), havia uma classe trabalhadora militante e bem organizada, mas uma classe predominantemente socialista ou comunista. Mesmo no auge do fervor revolucionário, a maioria deles permaneceria fiel a seus antigos valores e ideias. Se a FAI vitoriosa tentasse exterminar todos eles – uma tarefa que exigiria a morte de milhões de pessoas – ou expulsá-los do país, ou realojá-los à força em comunidades anarquistas, ou enviá-los para campos de reeducação – eles não seriam apenas culpados de atrocidades a nível mundial, mas teriam que desistir de ser anarquistas. Organizações democráticas simplesmente não podem cometer atrocida­des nessa escala sistemática: para isso, seria necessária uma entidade verticalizada de inspiração comunista ou fascista, já que não se pode fa­zer com que milhares de seres humanos massacrem de forma sistemática mulheres, crianças e idosos indefesos, destruam comunidades ou expul­sem famílias de seus lares ancestrais a menos que eles possam alegar es­tar apenas cumprindo ordens. Parece que haveria somente duas soluções possíveis para o problema:
1. Deixar a República continuar como governo de fato, controlado por socialistas, deixar que imponham o controle do governo nas áreas de maioria de direita, enquanto obtêm algum tipo de acordo com eles para que deixem as cidades, vilas e aldeias de maioria anarquista em paz para se organizarem como desejam… e espero que o governo mantenha o acordo.
2. Declarar que todos deveriam formar suas próprias assembleias populares locais e permitir-lhes decidir seu próprio modo de auto-organização.
A segunda parece a mais ajustada aos princípios anarquistas, mas os resultados provavelmente não teriam sido muito diferentes. Afinal, se os habitantes de Bilbao, digamos, tivessem um ardente desejo de criar um governo local, como exatamente alguém os teria impedido? Municípios onde a Igreja ou proprietários de terras ainda tivessem apoio popular presumivelmente colocariam as mesmas velhas autoridades direitistas no poder; municípios socialistas ou comunistas poriam burocratas de seus partidos; estadistas de direita e de esquerda formariam então confederações rivais que, embora eles controlassem apenas uma fração do antigo território espanhol, se declarariam o legítimo governo da Espanha. Os governos estrangeiros reconheceriam uma ou a outra — já que ninguém estaria disposto a trocar embaixadores com um não governo como a FAI, mesmo supondo que esta o desejasse, o que não seria o caso.
Em outras palavras, a guerra armada poderia terminar, mas a luta política continuaria, e grandes partes da Espanha presumivelmente acabariam parecendo-se com a Chiapas contemporânea, com cada distrito ou comunidade dividido em facções anarquista e antianarquista. A vitória final teria de ser um processo longo e árduo. A única maneira de realmente persuadir os enclaves estadistas seria persuadir suas crianças, o que poderia ser alcançado com a criação de uma vida obviamente mais livre, mais prazerosa, mais bonita, segura, relaxada e satisfatória nos setores sem Estado. Os poderes capitalistas estrangeiros, por outro lado, mesmo que não interviessem militarmente, fariam todo o possível para evitar a notória “ameaça do bom exemplo”, por meio de boicotes econômicos e subversão e despejando recursos nas zonas estatizadas. No fim, tudo provavelmente dependeria do grau em que as vitórias anarquistas na Espanha inspirassem insurreições em outros lugares.
A verdadeira razão do exercício imaginativo é apenas mostrar que não existem rupturas totais na História. O outro lado da velha ideia da ruptura total, aquele momento em que o Estado cai e o capitalismo é derrotado, é que nada além disso representa uma vitória real. Se o capitalismo permanecer de pé, se começar a mercantilizar nossas ideias outrora subversivas, é a prova de que eles venceram. Nós perdemos, nós fomos cooptados. Para mim isso é absurdo. Podemos dizer que o feminismo perdeu, que não conquistou nada, só porque a cultura corporativa se sentiu obrigada a demonstrar apoio à condenação do sexismo e firmas capitalistas começaram a comercializar livros, filmes e outros produtos feministas? É claro que não: a menos que tenhamos conseguido destruir o o capitalismo e o patriarcado com um golpe mortal, esse é um dos mais claros sinais de que chegamos a algum. É de se presumir que qualquer estrada efetiva para a revolução envolverá infinitos momentos de cooptação, infinitas campanhas vitoriosas, infinitos pequenos momentos de insurreição ou momentos de autonomia fugaz e encoberta. Hesito mesmo em especular como realmente seria. No entanto, para começarmos a caminhar nessa direção, a primeira coisa que precisamos fazer é reconhecer que, de fato, vencemos algumas.
Na verdade, ultimamente, temos vencido um bocado. A questão é como romper o ciclo de exaltação e desespero e gerar algumas visões estratégicas (quanto mais, melhor)dessas vitórias construídas uma sobre a outra, para criar um movimento cumulativo rumo a uma nova sociedade."
submitted by Dannzsche to Anarquia_Brasileira [link] [comments]


2020.09.11 03:02 altovaliriano O que as profecias em Sonho Febril nos dizem sobre as profecias em ASOIAF

UM ALERTA BEM ÓBVIO:
Este texto contém muitos spoilers de Sonho Febril.
Siga lendo por sua conta e risco.
---
Sonho Febril é um livro singular. Não só é uma grande reformulação do mito do vampiro, como também um grande exercício de reformulação da história de nosso mundo para comportar novos mitos sobre vampiros. Dito de outra forma, percebemos que Martin quase criou um mundo secundário quando quis contar as histórias e lendas do Povo da Noite, e por isso é inescapável a sensação de que estamos lendo um rascunho dos temas mais tarde explorados por ele em Crônicas de Gelo e Fogo.
Um desses temas me chamou a atenção de forma especial: a existência de uma lenda sobre um salvador da raça. Quando Joshua York conta a Abner Marsh sobre seus primeiros encontros com outros vampiros e sua cultura, ele conta a lenda bem peculiar sobre o “Rei Pálido”:
De todas as bocas ouvi uma lenda de uma cidade que construímos, uma grande cidade da noite, feita em ferro e mármore negro dentro de algumas cavernas escuras no coração da Ásia, junto às praias de um rio subterrâneo e de um mar nunca tocado pelo sol. Muito antes de Roma ou mesmo de Ur, nossa cidade havia sido grande, garantem eles, em flagrante contradição com a história que haviam me contado antes, de que corríamos nus por florestas de inverno iluminadas pela lua. Segundo o mito, fomos expulsos de nossa cidade por algum crime, e vagamos esquecidos e perdidos por milhares de anos. Mas a cidade estaria lá ainda, e algum dia irá nascer um rei para o nosso povo, um mestre de sangue maior do que qualquer um que já tenha existido, que reúna nossa raça dispersa e nos conduza de volta à cidade da noite junto ao seu mar sem sol.
Abner, de tudo que ouvi e aprendi, esse relato foi o que mais me impressionou. Duvido que exista uma grande cidade subterrânea como esta, duvido que jamais tenha existido, mas o próprio fato de se contar uma história assim prova a mim que meu povo não era feito desses vampiros maus e vazios da lenda. Não tínhamos arte, nem literatura, nem mesmo uma língua própria, mas a história me mostrou que tínhamos a capacidade de sonhar, de imaginar. Nunca construímos, nunca criamos, apenas roubamos seus trajes e vivemos em suas cidades e nos alimentamos da sua vida, da sua vitalidade, do seu sangue, mas éramos capazes de criar; se nos fosse dada a oportunidade, tínhamos em nós a capacidade de sussurrar histórias de cidades nossas. A sede vermelha tem sido uma maldição, tornou inimigas a nossa raça e a sua, destituiu meu povo de quaisquer aspirações nobres. O selo de Caim, sem dúvida.
Tivemos nossos grandes líderes, Abner, mestres de sangue reais e imaginados, em eras passadas. Tivemos nosso César, nosso Salomão, nosso João, o Presbítero. Mas estamos esperando nosso libertador, esperando nosso Cristo.
(Sonho Febril, Cap. 14)
O Povo da Noite tinha portanto duas contingências que o Rei Pálido surgiria para resolver: 1) devolvê-los à sua cidade mística ao abrigo do sol e 2) libertá-los da sede por sangue (sede vermelha). Quando Joshua traz sua bebida neutralizadora da sede aos vampiros que o serviam, imediatamente eles passam a vê-lo como o salvador das lendas:
No aconchego das ruínas daquele sombrio castelo, ouvindo o vento uivar lá fora, Simon e os outros tomaram minha bebida, contaram-me histórias e me examinaram atentamente com seus olhos poderosos e febris, e fiquei imaginando o que poderiam estar pensando. Cada um deles era centenas de anos mais velho do que eu, mas eu era mais forte, eu era o mestre de sangue. Eu lhes trouxera um elixir que bania a sede vermelha. Eu parecia quase semi-humano. Abner, eles me viam como o libertador da lenda, o prometido rei dos vampiros. E eu não podia negar isso. Era o meu destino, soube então, libertar minha raça das trevas.
(Sonho Febril, Cap. 14)
Este tipo de profecia que envolve o nascimento de algum monarca que salvará uma raça inteira e libertá-la de suas contingências também aparece em ASOIAF na figura de Azor Ahai, mais especificamente em sua versão ocidentalizada: O Príncipe que foi Prometido.
Sabemos que a Azor e o Príncipe são lendas sinônimas porque os elementos das histórias se combinam. Nascido entre sal e fumaça, sob uma estrela que sangra, lutaria contra um grande mal e traria um verão que não acabaria nunca. Mas a novidade (para mim, ao menos) foi perceber que este tipo de profecia já havia sido trabalhada na bibliografia de Martin anteriormente na forma do Rei Pálido do Povo da Noite em Sonho Febril.
Diante de tantas semelhanças, torna-se interessante analisarmos como o tema se resolveu na obra mais antiga para termos um vislumbre do caminho que GRRM pode estar tomando nas Crônicas e entender qual é a abordagem que o escritor pretende adotar.
1) Os homens definem as profecias, não o contrário
Em Sonho Febril o vampiro Joshua usa sua confiança na profecia do Rei Pálido para tentar convencer um vampiro muito mais antigo, poderoso e cruel chamado Julian a se aliar a ele, libertar os vampiros que estão só seu poder e experimentar a bebida que aplaca a sede vermelha. Esta tentativa diplomatica, no entanto, não era a única que Joshua tinha em mente, pois estava determinado a tentar subjugar o vampiro mais poderoso, confiante que estava de ser o tal rei lendário do Povo da Noite.
Entretanto, todas as alternativas falharam e o vampiro que acreditava ser o escolhido foi subjugado pelo vampiro mais antigo por treze anos, até que conseguiu fugir definitivamente. Em uma fuga menor durante o início desta longa subjugação, Joshua acaba por causar a morte de uma amiga vampira (Valerie) ao trazê-la consigo. Ela era uma das pessoas que mais acreditavam na predestinação messiânica de Joshua.
Uma hora, Valerie soltou um grito, como se passasse por uma dor terrível. Joshua abriu os olhos e curvou-se em cima dela, acariciando seu longo cabelo preto e cochichando em seu ouvido. Valerie choramingava. — Achei que você fosse o enviado, Joshua — disse ela. — O Rei Pálido. Pensei que você havia chegado para mudar tudo, para nos resgatar. — O corpo dela tremia todo enquanto ela tentava falar. — A cidade, meu pai me falou sobre a cidade. Ela existe, Joshua? A Cidade Escura?
Silêncio — disse Joshua York. — Fique em silêncio. Senão você vai enfraquecer ainda mais.
(Sonho Febril, Cap. 28)
No momento em que Joshua se despede de Abner para voltar às garras de Julian, o vampiro derrotado ressalta o quanto de dano ter acreditado na profecia lhe causou:
Você é meu amigo, mas eles são sangue do meu sangue, meu povo. Eu pertenço a eles. Eu até achei que fosse o rei deles.
Seu tom era tão amargo e desesperado que Abner Marsh sentiu sua raiva indo embora.No lugar instalou-se a compaixão. — Você tentou — disse ele.
E fracassei. Fracassei com Valerie, com Simon, fracassei com todos que acreditaram em mim. Com você, com o senhor Jeffers e com aquele bebê também. Acho que fracassei até com Julian, de algum modo estranho.
(Sonho Febril, Cap. 29)
Portanto, o que Martin demonstra é que Joshua fazia uma avaliação irreal de suas capacidades. Ele não demonstrava nenhuma capacidade em especial fora a inteligência para criar a bebida que combinava ingredientes capazes de aplacar a sede vermelha.
Entretanto, Joshua deduziu que sua invenção correspondia à “libertação” dos vampiros dita na profecia, ainda que tenha descartado a parte sobre a existência da cidade para onde o Rei Pálido deveria levar seu povo.
Em sua mente, ao preencher o primeiro requisito e considerar que o segundo era bobagem e invenção, Joshua achava que havia preenchido todos os requisitos “sólidos” da profecia e assim se convenceu de que era o Rei Pálido. Porém, o vampiro deveria ter refletido que se uma parte da profecia poderia ser considerada bobagem, a outra parte também poderia ser.
A lição que Martin parece explorar aqui é a que as profecias não se tornam verdade e apontam para você se você preenche os requisitos. Menos ainda se você só preenche os requisitos que você considera importantes ou legítimos.
2) Eventos únicos e excepcionais não são confirmações de profecias
Para adicionar mais uma camada de confusão, Martin faz com que a profecia pareça ter funcionado. Ouvimos o relato de um acontecimento inesperado e excepcional ocorrido em segundo plano (offpage) que funciona como uma vitória tardia de Joshua sobre Julian, reacendendo as esperanças dos protagonistas (e do leitor):
Eu contra-ataquei — disse Joshua. — Eu estava louco, Abner. Eu o olhei nos olhos e o desafiei. Eu contra-ataquei. E dessa vez venci. Ficamos lá em pé por uns bons dez minutos, e finalmente Julian virou as costas, resmungou algo e se retirou. Subiu a escada até o seu camarote, com Sour Billy apertando o passo atrás dele, e o resto do meu pessoal ficou olhando para mim de olho arregalado, todos eles muito assustados. Raymond Ortega deu um passo à frente e me desafiou. Em menos de um minuto, estava ajoelhado à minha frente. “Mestre de sangue”, disse ele, curvando sua cabeça. Então, um por um, os outros começaram a se ajoelhar. Armand e Cara, Cynthia, Jorge e Michel LeCouer, até Kurt, todos. Simon tinha um ar de vitória no rosto. Os outros também. Julian exercera um domínio que havia sido penoso para vários deles. Agora estavam livres. Eu subjugara Damon Julian, apesar de toda a sua força, apesar de toda a sua idade. Era o líder do meu povo de novo. Eu compreendi então que estava diante de uma escolha. A não ser que agisse, e rápido, o Fevre Dream seria descoberto, e eu, Julian e toda a nossa raça seríamos mortos.
(Sonho Febril, Cap. 31)
Entretanto, como sabíamos que se tratava de um relato do passado, e Joshua a esta altura do livro estava novamente sozinho na clandestinidade, procurando desesperado a ajuda de Abner, não havia como aquilo ter tido um desfecho positivo:
Em uma noite tenebrosa, Damon Julian saiu do seu camarote. Ele ainda morava no vapor, como alguns dos demais, aqueles que lhe eram mais próximos. [...] Quando voltei ao Fevre Dream, descobri que dois dos prisioneiros haviam sido tirados dos seus camarotes e mortos. [...] Eu estava furioso e enojado. Trocamos palavras duras e decidi que aquele seria o último crime da sua longa e monstruosa vida. Eu ordenei que ele me encarasse. Pretendia fazer com que se ajoelhasse e me oferecesse seu sangue, várias vezes, se preciso, até que fosse meu, até que ficasse esgotado, vencido e inofensivo. Ele se ergueu e me encarou, e então… — York deu uma risada desesperançada, penosa.
Ele ganhou de você? — arriscou Marsh.
Joshua assentiu. — Com facilidade. Como sempre fizera antes, exceto naquela única noite. Eu tentei juntar todas as minhas forças e toda vontade e raiva que havia em mim, mas eu não era páreo para ele. Nem mesmo Julian esperava isso, acho. — Ele balançou a cabeça. — Joshua York, rei dos vampiros. Eu falhei com eles de novo. Meu reino durou apenas uns dois meses, pouco mais. E, nos últimos treze anos, Julian tem sido nosso mestre.
(Sonho Febril, Cap. 31)
Ainda que este momento de vitória efêmera de Joshua ocorra no fim do livro, parece ficar claro que a morte de Julian não acarreta na veracidade da profecia, até mesmo porque a decisão de matar Julian não tinha mais ligação com a libertação dos vampiros em geral.
Portanto, a conclusão a que George parece que cheguemos é a ocorrência de eventos excepcionais não necessariamente implicam na realização ou confirmação de profecias.
3) Relação com as Crônicas de Gelo e Fogo
Diferentemente do que ocorre em Sonho Febril, alguns personagens importantes de As Crônicas de Gelo e Fogo já demonstraram ceticismo quanto a natureza da profecia.
Arquimeistre Marwyn é um personagem citado nas Crônicas desde o primeiro livro da saga e em sua primeira aparição ele assim comenta as suspeitas de Meistre Aemon sobre Daenerys ser a realização da profecia do Príncipe que foi Prometido:
Meistre Aemon acreditava que Daenerys Targaryen era a realização de uma profecia... Ela, não Stannis nem Príncipe Rhaegar, nem o principezinho cuja cabeça foi atirada contra a parede.
Nascida entre o sal e o fumo, sob uma estrela sangrenta. Conheço a profecia – Marwyn virou a cabeça e escarrou uma bola de muco vermelho para o chão. – Não que confie nela. Gorghan de Velha Ghis escreveu um dia que uma profecia é como uma mulher traiçoeira. Mete o seu membro na boca, você geme de prazer e pensa, “que maravilha, que agradável, que bom isto é”... E então seus dentes se fecham e seus gemidos se transformam em gritos. É essa a natureza da profecia, Gorghan disse. A profecia sempre arranca seu pau a dentada – mascou durante algum tempo. – Mesmo assim…
(AFFC, Samwell V)
Comparando com o que vimos em Sonho Febril, Marwyn parece estar falando sobre como profecias podem funcionar como uma forma agradável de autoindulgência, mas que toda essa permissividade pode se virar contra você.
Quase nas mesmas linhas, Tyrion explica que as profecias as vezes apenas parecem úteis, mas quando são colocadas a provam, inevitavelmente se viram contra quem se vale delas.
Uma profecia é como uma mula semitreinada – reclamou para Jorah Mormont. – Parece que será útil, mas no momento em que você confia nela, ela o chuta na cabeça.
(ADWD, Tyrion IX)
De certa forma, a profecia do Rei Pálido somente funcionou para Joshua enquanto ele entrava em contato com pessoas dispostas a acreditar naquilo após ver os efeitos de sua bebida. Quando ele encontrou uma criatura de má índole como Julian, porém, tudo que o messianismo dele fez foi despertar animosidade e inveja em um vampiro mais poderoso.
No caso da profecia do Príncipe que foi Prometido, os candidatos podem vir a ser requisitados a realizar atos monstruosos em nome da destruição dos Outros. Mas também o vínculo desta profecia com a religião do Deus Vermelho pode se tornar apenas um gatilho para despertar animosidade naqueles que cultuam as religiões dominantes em Westeros (Fé dos Sete e Deuses Antigos). Por outro lado, como supostamente só pode haver um único escolhido de R’hllor, pode haver disputadas de legitimidade entre os supostos escolhidos.
O que Sonho Febril parece nos mostrar, portanto, é que George não está interessado na investigação sobre a veracidade das profecias. O interesse real do escritor é os tipos de comportamento que as pessoas têm quando são motivados por elas. E pelo que vimos através de Joshua York, as decisões tomadas sob a influência de convicções messiânicas pode custar muito caro.
submitted by altovaliriano to Valiria [link] [comments]


2020.09.05 04:27 frdnt Despindo o Homem Encapuzado

A teoria abaixo é parte de uma serie de textos escritos por Cantuse em seu blog. Link: https://cantuse.wordpress.com/2014/09/30/the-hooded-man-uncloaked/
-------------------------------

O MANIFESTO : VOLUME II, CAPÍTULO III

Provavelmente, um dos maiores mistérios de A Dança dos Dragões é a identidade do homem encapuzado. Muitas pessoas foram propostas, de Robett Glover a Harwin e ao próprio Theon em algum estado dissociativo.
No entanto, acredito que posso fazer uma conclusão mais convincente de que o homem encapuzado não é nenhuma dessas opções mais conhecidas. Este ensaio explica minha teoria sobre o homem encapuzado e seu propósito em Winterfell.
Colocando minhas cartas na mesa, aqui estão as principais afirmações que faço:
NOTA: Este ensaio pode ser controverso em sua construção e conclusões. Deve-se notar que a identidade do homem encapuzado não é verdadeiramente crítica para que o restante do Manifesto valha a pena. Este ensaio é bastante independente, não afetando mais nada no Manifesto.
Em outras palavras, se você não gosta deste ensaio, pode simplesmente ignorá-lo e continuar.
[...]

PRIMEIROS SINAIS DO GIGANTE

Eu gostaria de um breve momento para destacar algo importante.
– Para lutar com Lorde Stannis, temos que encontrá-lo primeiro – Roose Ryswell observou. – Nossos batedores saíram pelo Portão do Caçador, mas até agora nenhum deles retornou.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
Batedores estão desaparecendo do lado de fora do Portão do Caçador. Este é o mesmo portão onde Mors Crowfood parece chegar um ou dois dias depois:
O rufar parecia estar vindo da Matadelobos, além do Portão do Caçador. Estão do lado de fora das muralhas.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
O desaparecimento dos batedores parece algo pelo qual Mors seria responsável. É consistente com o que encontramos no capítulo liberado de Theon de Os Ventos do Inverno: construir obstáculos e impedir ou matar aqueles que saem dos portões. No mínimo, Mors não quer que nenhum batedor encontre seu bando de garotos e informe a Roose Bolton.
Mais importante, os batedores ausentes indicam que Mors estava realmente fora de Winterfell há pelo menos um dia (talvez mais) antes de tocar seus berrantes de guerra.
Mas por que ele ficaria lá aguardando em segredo?
Para responder a essa pergunta, temos que mergulhar no mistério do homem encapuzado.

O IDIOTA DOS RYSWELL

É difícil imaginar o tipo de mente obtusa que é necessária para ser Roger Ryswell. Há algo de suspeito sobre a magnitude e a natureza de sua idiotice.
O Idiota dos Ryswell
Eu gostaria de um momento para mostrar algumas passagens:
– Um bêbado – Ryswell declarou. – Mijando da muralha, aposto. Escorregou e caiu.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
:::
– Esses mortos eram todos homens fortes – disse Roger Ryswell –, e nenhum deles foi apunhalado. O Vira-Casaca não é nosso assassino.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
:::
Roger Ryswell grunhiu.
– Se não é ele, quem é? Stannis tem algum homem dentro do castelo, isso está claro.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
:::
Ryswell não estava convencido.
– Ele, no entanto, ama seus bifes, costelas e tortas de carne. Rondar o castelo na escuridão exigiria que deixasse a mesa. O único momento em que faz isso é quando procura a latrina para uma de suas longas horas agachado.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
Vejam, pode ser apenas eu, mas não parece que ele está quase deliberadamente negando qualquer explicação possível para os assassinatos?
Da perspectiva de um leitor, não é também uma estranha coincidência que Roger faz afirmações que contradizem vários truques que nós realmente vimos em A Dança dos Dragões:
Roger nega que as três diferentes conspirações que descobrimos sejam verdadeiras ou se tornarão verdadeiras posteriormente no livro e rapidamente descarta o restante.
Como uma pessoa consegue ser tão boa em acidentalmente impedir uma investigação de assassinato?
Falta de contato visual
Quando você pensa no Homem Encapuzado e na descrição que temos dele, existem apenas dois detalhes que vêm à mente: sua capa e seus olhos.
Mais adiante, cruzou com um homem que vinha na direção oposta, uma capa com capuz agitando-se atrás dele. Quando se encontraram frente a frente, seus olhos se encontraram brevemente. O homem colocou a mão na adaga.
– Theon Vira-Casaca. Theon assassino de parentes.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
Assim, vemos que Theon dá uma rápida olhada na capa do homem. Vemos também que Theon evita contato visual com o homem.
Essa falta de contato visual pode ser importante para determinar a identidade do homem encapuzado. Não há dúvida de que Theon evita o contato visual em geral, podemos supor que isso aconteça de vez em quando.
No entanto, gostaria de apontar outro exemplo muito interessante que mostra Theon evitando deliberadamente o contato visual ou olhar para o rosto de uma pessoa:
Pernas de Aço o levou pelo Grande Salão, até o solar que certa vez fora de Eddard Stark. Lorde Bolton não estava sozinho. A Senhora Dustin estava sentada com ele, o rosto pálido e severo; um broche de ferro com o formato de uma cabeça de cavalo prendia a capa de Roger Ryswell; Aenys Frey estava em pé perto do fogo, as bochechas vermelhas com o frio.
– Me contaram que você anda vagando pelo castelo – Lorde Bolton começou. – Homens reportaram terem visto você nos estábulos, nas cozinhas, nos barracões, nas ameias. Foi observado perto das ruínas das torres caídas, do lado de fora do velho septo da Senhora Catelyn, indo e vindo do bosque sagrado. Nega isso?
– Não, ‘nhor. – Theon fez questão de falar mal a palavra. Sabia que aquilo agradava Lorde Bolton. – Não consigo dormir, ‘nhor. Eu caminho. – Manteve a cabeça baixa, olhos fixos nas velhas tábuas corridas no chão. Não seria sábio olhar sua senhoria no rosto.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
Você notou o rosto que Theon não conseguiu explicar?
A Senhora Dustin estava sentada com ele, o rosto pálido e severo; um broche de ferro com o formato de uma cabeça de cavalo prendia a capa de Roger Ryswell; Aenys Frey estava em pé perto do fogo, as bochechas vermelhas com o frio.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
Por que obtemos descrições dos rostos de Barbrey Dustin e Aenys Frey, mas apenas a capa e o broche de Roger Ryswell? Ora, mesmo que Theon não olhe para Roose Bolton, ele pelo menos explica a razão para não fazer isso.
Tenha em mente que este interrogatório acontece logo após o encontro de Theon com o homem encapuzado, então o contato visual furtivo pode ser um indicativo de um comportamento continuado daquele encontro anterior.
Além disso, um detalhe extremamente pequeno é que Theon se detém na capa de Roger, o único outro detalhe que temos sobre o homem encapuzado.
Existem outros elementos interessantes do interrogatório de Theon:
Dedos perdidos
Quando a Senhora Dustin exige que Theon remova suas luvas: Roger Ryswell não mostra nenhum interesse nos dedos perdidos de Theon. Os outros participantes (Barbrey Dustin e Aenys Frey) comentam especificamente sobre suas mãos. Ryswell não o faz, em vez disso, descarta imediatamente Theon como um suspeito, não com base nos dedos, mas na falta de força de Theon. Ele também o chama de vira-casaca aqui. Talvez sua falta de interesse nas mãos de Theon seja porque ele acabou de vê-los.
Vassalos rivais
A outra coisa interessante sobre Ryswell aqui é sua aversão particular por Wyman Manderly. Embora insultar o personagem de Manderly seja muito comum, Manderly e Ryswell não têm grandes motivos para animosidade e, portanto, as observações de Ryswell sobre Wyman parecem bastante enfáticas:
– Ele, no entanto, ama seus bifes, costelas e tortas de carne. Rondar o castelo na escuridão exigiria que deixasse a mesa. O único momento em que faz isso é quando procura a latrina para uma de suas longas horas agachado.
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
Este é um insulto particularmente venenoso.
Há um homem no norte que fez comentários grosseiros deste tipo sobre Wyman. Mors Papa-Corvos Umber:
– Manderly? – Mors Umber fungou. – Esse grande saco bamboleante de banha? Seu próprio povo caçoa dele, chamando-o de Lorde Lampreia, segundo ouvi dizer. O homem quase não consegue andar. Se espetasse uma espada na sua barriga, dez mil enguias torceriam-se para fora.
(ACOK, Bran II)
Os Umbers e Manderlys são conhecidos por entrarem em conflito por várias questões, como a herança das propriedades da Senhora Hornwood. Independentemente de qualquer trégua atual que possam ter, Mors continua sendo uma pessoa improvável de conter tais comentários depreciativos.
Agora você pode ver que estou começando a afirmar os dois pontos a seguir:
Devo admitir que, até agora, apresentei evidências interessantes, porém circunstanciais.
Não tenho dúvidas de que esses pontos parecem apenas parcialmente sólidos até agora. Mas tenha fé. O resto virá em alguns instantes.

O GRILHÃO DE RUBI

Então, onde está o “grilhão de rubi” - a braçadeira que Melisandre colocou em Mance Rayder em A Dança dos Dragões?
Sabemos que esse grilhão parecia criar e sustentar um glamour (ou ilusão), que Mance Rayder era na verdade Camisa de Chocalho.
Esta parece ser uma ferramenta incrivelmente valiosa, especialmente quando se fala sobre os tipos de atividade furtiva em que Mance e Mors estão envolvidos.
Então onde está? O que pode ser feito com isso?
Mance Revelado
Em primeiro lugar, sabemos que Mance não está usando a braçadeira de rubi, ou que ela pelo menos está desativada. Sua aparência como Abel é muito parecida com sua aparência original em A Tormenta de Espadas:
Uma mulher grávida estava em pé junto a um braseiro, cozinhando algumas galinhas, enquanto um homem grisalho com um esfarrapado manto preto e vermelho estava sentado numa almofada, de pernas cruzadas, tocando uma alaúde e cantando.
(ASOS, Jon I)
O Rei-para-lá-da-Muralha não se parecia em nada com um rei, e tampouco se parecia com um selvagem. Era de média estatura, magro, com feições bem definidas, astutos olhos castanhos e longos cabelos castanhos já quase totalmente grisalhos.
(ASOS, Jon I)
Os dedos de Abel dançavam pelas cordas de seu alaúde. A barba do cantor era castanha, embora seu longo cabelo já estivesse em grande parte cinza.
(ADWD, Theon)
Então, como ele removeu o grilhão de rubi?
O texto deixa claro que o grilhão de rubi não interfere de forma alguma com o livre arbítrio de Mance, conforme implícito no conforto de Melisandre de que suas visões diriam se Mance era uma ameaça para ela, e em ela sentir que ter o filho de Mance é o que obriga a sua lealdade.
Com isso em mente, não há razão para deixar a algema em Mance.
Um fator adicional é o fato de que a Camisa de Chocalho é absolutamente horrível. Ninguém acreditaria que ele é um cantor e artista, e mesmo que acreditasse, sua aparência mereceria mais escárnio do que qualquer outra coisa.
Além disso, Melisandre tem interesse em ver Mance bem-sucedido. Se o grilhão de rubi pode ajudar nessa tarefa, parece não haver razão para que ela interfira. Afinal, a missão de Mance é vital para a campanha de Stannis, quão importantes são os segredos dela em comparação a isso?
As regras do jogo
Melisandre revela alguns dos mecanismos internos de seus glamours:
– Os ossos ajudam – disse Melisandre. – Os ossos se lembram. As seduções mais fortes são construídas com tais coisas. Uma bota de um homem morto, um tufo de cabelo, um saco de dedos da mão. Com palavras suspiradas e orações, a sombra de um homem pode ser tirada de um e vestida em outro como um manto. A essência de quem veste não muda, apenas sua aparência.
(ADWD, Melisandre)
Isso é interessante porque é incoerente com as preferências de Martin sobre a implementação de magia em romances de fantasia:
Eu simpatizo mais com a maneira como Tolkien lidou com a magia. Eu acho que se você vai fazer magia, ela perde suas qualidades mágicas caso se torne nada mais do que um outro tipo de ciência. É mais eficaz se for algo profundamente desconhecido e maravilhoso, e algo que pode tirar o fôlego.
(George RR Martin sobre magia vs ciência: Weird Tales)
Isso sinalizar imediatamente para os leitores de que algo importante está acontecendo aqui: Martin decidiu que revelar o mecanismo interno dos feitiços era mais importante para a história do que preservar o encanto da magia.
Embora isso não seja evidência de nada em particular, certamente deixa aberta a possibilidade de que Martin não apresentou desordenadamente os mecanismos subjacentes do glamour sem um bom motivo. O trecho sobre glamours é notável precisamente porque não é característico de sua representação da magia em As crônicas de gelo e fogo .
Deixando de lado as opiniões de Martin sobre magia na ficção, também é notável que Melisandre forneça essas explicações naquele momento. Afinal, supostamente nunca mais veremos o glamour ou o grilhão de rubi novamente. Por que se preocupar em explicar tudo, se é irrelevante para Mance ou Jon Snow?
Juntas, essas ideias soam como se Martin pensava que os glamours eram importantes o suficiente para explicar aos leitores, sugerindo importância futura.
Quem está com o grilhão?
Se Mance não está usando a algema, onde está?
A melhor maneira de lidar com essa questão é considerar a origem primeira... quem terá autoridade final sobre quem fica com o grilhão?
Melisandre.
Agora reflita:
Faz todo sentido do mundo que ela o deixe usá-lo. Não há absolutamente nenhuma evidência de que Jon o tivesse, e é altamente duvidoso que ela o daria a outra pessoa ou privaria Mance de sua utilidade.
Isso significa que Melisandre deu o grilhão a Mance, colocando-o em posição de dá-la a qualquer pessoa que encontrar. Portanto, a ideia de que Mors Papa-Corvos estava com o grilhão é, no mínimo, plausível.
A ideia de que Mors está com o grilhão faz muito sentido: fornece a ele uma maneira de acessar Winterfell e garantir que tudo esteja pronto para a missão de resgate. Afinal, Mors deve ter considerado a possibilidade de que Mance falhou em sua missão, Mors não poderia simplesmente tocar sua bateria e soprar suas buzinas indefinidamente.
No entanto, fazer 'muito sentido' e ser a resposta definitiva são duas coisas muito diferentes. Será necessário investigarmos mais para tornar esta afirmação convincente.
* * *
Não, não expliquei nem articulei que Mance sabe usar a braçadeira. Mas acredito que o convencimento de que o grilhão será usado pode ser feito sem que este fato seja revelado.

MORTE DE UM RYSWELL

Se eu acredito que Ryswell é um antagonista secreto?
Não. Roger Ryswell está morto .
Deixe-me explicar.
Um broche de cabeça de cavalo
Roger Ryswell usa um broche ímpar para prender sua capa:
um broche de ferro com o formato de uma cabeça de cavalo prendia a capa de Roger Ryswell
(ADWD, Um Fantasma em Winterfell)
Lembre-se do que Melisandre disse:
– Os ossos ajudam – disse Melisandre. – Os ossos se lembram. As seduções mais fortes são construídas com tais coisas. Uma bota de um homem morto, um tufo de cabelo, um saco de dedos da mão. Com palavras suspiradas e orações, a sombra de um homem pode ser tirada de um e vestida em outro como um manto. A essência de quem veste não muda, apenas sua aparência.
(ADWD, Melisandre)
Parece ser uma observação justa que o broche (e talvez a capa) seria uma fonte ideal para um glamour.
A confusão de Theon
Havia uma passagem no início de A Dança dos Dragões que sempre me intrigara:
Uma coluna de cavaleiros veio logo atrás, liderada por um fidalgote com uma cabeça de cavalo em seu escudo. Um dos filhos de Lorde Ryswell, Fedor soube. Roger, ou talvez Rickard. Ele não sabia quem era quem quando estavam separados.
– Estes são todos? – o cavaleiro perguntou, do alto de um garanhão castanho.
(ADWD, Theon)
Portanto, vemos que Theon tem problemas para diferenciar Roger de Rickard. É possível então que ele pudesse confundir os dois, dentro de determinadas circunstâncias.
Tenho certeza de que a confusão não está presente em situações de grupo, em que seria capaz deduzir qual deles era com base nas ações dos demais. Essa confusão seria mais proeminente em situações em que ele não tivesse outras pessoas para ajudar: em situações silenciosas e solitárias.
A utilização mais proeminente dessa dificuldade ocorre na noite anterior ao início dos assassinatos:
Sob a Torre Queimada, passou por Rickard Ryswell com o nariz enfiado no pescoço de outra das lavadeiras de Abel, a gordinha com bochechas de maçã e nariz achatado. A garota estava descalça na neve, embrulhada em um manto de pele. Ele imaginou que estivesse nua por baixo. Quando ela o viu, disse algo para Ryswell que o fez gargalhar.
(ADWD, O vira-casaca)
É interessante considerar que este aí pode ter sido Roger Ryswell.
A oportunidade
Com base na descrição, a esposa de lança nesta cena é Frenya, uma mulher corpulenta que é bastante habilidosa no combate: na tentativa de fuga, ela conseguiu lutar com uma lança de um dos guardas de Bolton e ferí-lo.
Quando você reflete sobre Frenya estar realmente se atirando sobre Roger (e não Rickard), as hipóteses de repente ganham vida!
Roger está sozinho em uma área isolada de Winterfell, com a esposa de lanças Frenya. A oportunidade de matar Roger para pegar seu broche e sua capa surgiu.
Lembre-se de que os assassinatos começam a acontecer na manhã seguinte a Theon ver Ryswell com Frenya.
A teoria
Usando as ideias que apresentei até agora, gostaria de montar uma teoria sobre Roger Ryswell.
  1. Frenya atraiu Roger Ryswell para o topo da muralha interna de Winterfell. Ela pegou a capa dele e então o empurrou para a morte.
  2. Esta capa foi então atirada ou enviada para Mors Papa-Corvos.
  3. Mors, em posse do grilhão de rubi, usou a capa para parecer Roger e entrar em Winterfell.
  4. Ele então fica por perto, talvez debatendo coisas ou reunindo conhecimentos. Ele participa das investigações dos assassinato, sabotando-as.
  5. Ele encontra Theon na famosa cena do “Homem Encapuzado” e novamente no interrogatório.
  6. Sua presença no interrogatório é o que dá a Mors a confiança de que a missão pode começar.
    Essa teoria faz sentido por alguns motivos:
Vernáculo compartilhado
Sempre houve uma notável semelhança entre duas afirmações, uma feita por Mors Umber e a outra pelo encapuzado:
– Theon Vira-Casaca. Theon assassino de parentes.
– Não sou. Eu nunca... eu era um homem de ferro.
– Falso é tudo o que você era. Como é que ainda está respirando?
(ADWD, Um fantasma em Winterfell)
:::
Em vez disso, ele choramingou através de dentes quebrados e disse:
– Sou...
– ... um vira-casaca e assassino de parentes, – Papa-corvos completou. – Segurará essa língua mentirosa ou a perderá.
(TWOW, Theon – tradução minha)
É notável que pouquíssimas pessoas se refiram a Theon como um assassino de parentes: Mors, Rowan e o Homem Encapuzado.
Mas isso nada se compara ao fato de que o homem encapuzado e Mors chamam Theon de vira-casaca, assassino de parentes e mentiroso / falso ... exatamente na mesma ordem.
Por algum tempo, isso sugeria a possibilidade de Mors ser o homem encapuzado, mas seu olho a menos [de Mors] me impedia de explicar essa possibilidade.
No entanto, a braçadeira de rubi subverte esse problema perfeitamente.
Ocultando o corpo
Vamos revisitar o primeiro assassinato, usando essa teoria como um guia.
Para refrescar sua memória:
Com esta teoria como guia, de repente fica claro: a primeira vítima de assassinato, o corpo enterrado na neve, era na verdade Roger Ryswell.
Em primeiro lugar, há algo muito singular neste assassinato em comparação com todos os outros: o corpo estava escondido.
Os outros assassinatos estavam todos à vista e tiveram um claro componente psicológico. Este corpo não era para ser descoberto:
Se as cadelas de Ramsay não o tivessem desenterrado, ele poderia ter ficado lá até a primavera. Quando Ben Ossos o puxou, Jeyne Cinza havia comido tanto do rosto do morto que meio dia se passou antes que soubessem com certeza quem era: um homem em armas de quatro e quarenta anos que marchara para o Norte com Roger Ryswell.
(ADWD, Um fantasma em Winterfell)
Além disso, é interessante que o rosto tenha sido comido porque tornou a identificação impossível. Caberia quase inteiramente a “Roger Ryswell” apurar a identidade do homem. Talvez seja por isso que Roger foi tão rápido em descartar o corpo como sendo apenas um bêbado.
Mais uma coisa a notar é que “Roger” declara que a vítima provavelmente estava mijando à beira da muralha:
– Um bêbado – Ryswell declarou. – Mijando da muralha, aposto. Escorregou e caiu. – Ninguém discordou. Mas Theon Greyjoy se perguntou por que um homem subiria por degraus escorregadios de neve até as ameias, na escuridão da noite, apenas para mijar.
(ADWD, Um fantasma em Winterfell)
Isso poderia de alguma forma implicar que as calças do homem morto estavam abertas ou abaixadas?
Fosse esse o caso, não poderia ser mais provável que o homem estivesse envolvido em um ato sexual quando caiu e morreu? No mínimo, certamente parece mais plausível que um homem procurasse um canto recluso para fazer sexo no alto das muralhas do que que ele tenha escalado uma muralha para mijar.
Resumidamente, se o morto estivesse no meio de algo que envolvesse seu pênis ficar fora das calças enquanto estava em cima das muralhas, provavelmente seria para sexo e não para urinar.
Se for esse o caso, temos que reconhecer que no dia anterior à descoberta do corpo, Theon viu um Ryswell com Frenya. Naquele momento, Theon observa que Frenya provavelmente “estivesse nua por baixo” da capa de pele de urso. Isso parece implicar que eles estavam fazendo (ou iam) fazer sexo. Minha opinião pessoal é que Frenya atraiu Roger Ryswell para o topo das muralhas, prometendo sexo oral. Durante o ato, ela agiu e o matou.

Preparado o palco

Voltando aos pontos iniciais deste ensaio, há questões que precisam de respostas:
  1. Dado que Mors e Mance colaboraram na missão de resgate, como Mors saberia que Mance estava pronto para levar a missão a cabo?
  2. Como Mance saberia que Mors estava fora de Winterfell, pronto para receber Arya?
  3. Por que Mors permaneceria em segredo fora de Winterfell por um dia ou mais antes de tocar seus berrantes?
Mors poderia facilmente indicar a Mance que ele estava no a postos: os berrantes de guerra fazem isso muito bem.
O verdadeiro problema é informar Mors de que a missão de resgate está pronta para acontecer. Para isso, os selvagens precisam ter algum tipo de sinal ou outra forma de se comunicar com Mors. Também pode haver detalhes específicos que modificam quaisquer planos que Mors e Mance possam ter inicialmente traçado.
Em última análise, Mance e Mors iria precisar de alguma forma de se comunicar. Eu acredito que foi por isso que Mors permanece por vários dias fora Winterfell antes de anunciar sua presença com os berrantes de guerra. Ele usa sua presença icógnita para acessar Winterfell e verificar se tudo está pronto para a tentativa de resgate. Talvez seja por isso que os batedores tenham desaparecido, para garantir o disfarce ou algo semelhante.

IMPLICAÇÕES

Existem algumas idéias (e questões) interessantes que surgem a partir deste ensaio:
O que aconteceu com o grilhão de rubi?
Eu acredito que é entregue a Mance antes da partida final de Papa-Corvos do castelo. Isso ocorre porque há evidências de que isso é fundamental para a “estratégia de saída” de Mance.
Senhora Dustin ou o outro Ryswell não notariam?
Os Ryswells se odeiam abertamente. Eles não prestam muita atenção às nuances do comportamento de seus irmãos.
Os Ryswells eventualmente não perceberiam que Roger estava desaparecido (depois que Mors saiu)?
Eventualmente. Não acho que Mors ou Mance realmente se importariam, e ninguém teria ideia do que realmente aconteceu.
submitted by frdnt to Valiria [link] [comments]


2020.08.29 20:00 PatoPatolina Tenho invejo e não sei como parar com esse sentimento ruim

Tudo começou quando conheci as mídias sociais da minha cunhada. Sim, eu estou num relacionamento e meu namorado sempre escondeu quem era a irmã dele. Até que um dia ele me mostrou o Instagram dela. Caralho, tô mortinha de inveja. Já chorei até de raiva. Meu namorado fica puto quando fala dela e diz que ela é burra e nem gosta do namorado dela ( é mais velho que meu namorado mas vive de YouTube a lá Felipe Neto). E pra explicar de onde vem minha inveja vou desabafar as merdas que eu sinto/passo na vida. Nos somos imigrantes de países diferentes, i vivemos num terceiro país, viemos por razões econômicas de estudo e trabalho. Falamos a língua local. Mas eu dou aulas de outro idioma e sou formado com mestrado na área de exatas e to aprendo o idioma do país dele, sim eu já sou fluente em 4 idiomas. Ele é programador. Pra conseguir estudar e trabalhar aqui é dar conta da vida eu saio de uma aula as 12:15 e preciso pegar um as 12:20 pra chegar em meu trabalho. E como é part time eu não tenho intervalo. Ou seja eu só tenho café da manhã e janta. E tá melhor que meu antigo trabalho que era camareira num hotel cinco estrelas. E a inveja é pq a minha cunhada é mais velha que eu e nunca precisou bater um prego na barra de sabão. Só tem ensino médio, não sabe editar vídeo ( o canal dela é mostrar a minha vida - e de fato ela edita mal pra caralho, inclusive os TikTok são mal feitos ) e basicamente ela tem 10x mais views quando o namorado dela aparece. Mas ainda sim consegue monetizar os vídeos e ganhar dinheiro. Meu namorado qualifica como ruim mas eles vivem disso. No dia que chorei foi quando resolvi ver um vídeo e lá mostrava os lindos joelhos sem manchas e ela mostrava como eram as quartas-feiras lindas de academia comida saudável, Netflix e cuidados de skin care, e eu me sinto uma merda por que meu joelhos ganharam um tom preto/roxo por causa do meu trabalho de camareira que eu tinha que limpar os banheiros de joelhos e fazer as camas de joelhos( as exigências de limpeza são enormes, e super puxado eu abri meu pulso, duas infecções urinárias pq não podia fazer xixi e um travamento enorme na coluna depois de seis meses de inferno consegui outro trabalho) mesmo assim não consegui me livrar das manchas. De tão detonador que era. E eu chorei de inveja, caralho eu mal tenho tenho tempo pra cuidar de mim. Pq eu tenho que trabalhar, em dois empregos mais aulas particulares pra conseguir juntar dinheiro pra estudar e ficar legal nesse país,não quero voltar pro Brasil . Pagar aluguel e pagar algumas contas. Não sobra pra comprar uma blusinha ou uma calcinha, se for necessário eu tenho o suficiente pra comprar em uma loja de usados o que não tá em mais condições de uso ( olha que eu remendo minhas roupas). Eu nem sei o que é comprar algo novo numa loja mais. Meus produtos de beleza é o sabonete, shampoo e condicionador e creme hidratante na promoção que achar no mercado. Enquanto isso minha cunhada ganha mil produtos e nem faz review, só recebidos. Pra mim a vida sempre foi horrivelmente dura, ou me formava ou seria pior, ou eu aprendia mais dois idiomas mesmo tendo dislexia, ou nada. Muita ralação, pra ver gente levando uma vida super mansa. Postar vídeo falando que é vegetariana mas posta foto comendo peixe, e até calzone de queijo com presunto. E ganhar refeição grátis de restaurante. Pra completar meu combo descobri que sua sogra foi modelo, o sogro foi fotografado de celebridades de revistas de moda. Eu tenho sobre peso, diria que minha beleza é mediana pra baixo. Como é que vou encarar a família dele quando tiver que visita-los no natal? A situação é de um jeito que sou eu que tem que aprender o idioma deles pq eles não precisam aprender algum que eu fale( nem o básico inglês) l. E sim eu tenho inveja da dita aí que parece que nunca precisou botar a cara no sol, e já tem botox e afins quanto eu torrei toda a minha grana pra conseguir imigrar e minha vida parece que nunca vai pra frente. Mesmo eu me dedicando pra caralho, fazendo curso on-line e outro presencial, trabalhando e tudo. Pq se eu não fizer isso eu nem sei se vou conseguir comer, ou conseguir ficar. Eu me sinto horrível por ter esse sentimento mas é simplesmente frustrante ver o quanto eu fiz e nunca consegui o emprego em minha área. Eu basicamente sobrevivo de dar aulas que diga-se não dá muito dinheiro vc precisa trabalhar as vezes 12 horas ao dia pra conseguir alguma grana. ( 12 horas de aulas fora planejamento) um horário tão apertado que nas suas horas livres vc tem que planejar. Eu só tenho livre os domingos depois das 5 da tarde. Ai eu vejo minha linda cunhada indo viajar, indo comer em restaurantes que mesmo que eu pudesse eu não posso pq to trabalhando. Não dá. Simplesmente morro de inveja. Tenho amigas que sempre insistiram pra eu fazer a influencer . Mas pra quem já deu bom dia pra colega de trabalho e o bicho mostrou o pinto pq vc “deu mole” ou outras merdas. Simplesmente não quero colocar minha vida em risco. Na verdade eu não sei como não rola medo de assédio e talz. Pra mim era horrível na engenharia, as vezes a gente tava na biblioteca e via caras a masturbar-se olhando pra vc. Gente que se achava no direito de te tocar pq vc era a única mulher.... Enfim, me apavora. Adoraria ter a vida dela sem precisar pagar o preço. Por favor me ajudem a ser uma pessoa melhor, pq eu não to conseguindo.
submitted by PatoPatolina to desabafos [link] [comments]


2020.08.28 23:32 nickfara Voltando pra casa dos pais

Em fevereiro consegui uma vaga em uma empresa aqui no litoral norte de SP e vim morar com a minha tia (ela que me indicou). Vim para ter uma experiência de morar no litoral e morar sozinho, ou tentar né. O primeiro mês foi bom, bastante movimento, meu resultado na empresa foi boa e depois veio a pandemia. Ficamos suspensos e voltei pra passar um tempo na minha cidade e depois voltei pra Ubatuba de novo.
Já voltei desanimadíssimo. Sem ideia de como ia ser. A forma de pagamento das nossas comissões mudaram. A incerteza de tudo. Morando num apartamento com muitas mulheres, só eu de homem. Nada de privacidade. Noites mal dormidas. Brigas. Minhas primas que não tem um pingo de respeito nem pela mãe que teve um passado difícil. Meu resultado estava péssimo e discuti algumas vezes com a minha supervisora. A imagem que eu tinha da empresa mudou totalmente. Só querem dinheiro e o resto que se foda.
Não consegui fazer amizades aqui. Não consegui guardar dinheiro. Parece que só serviu pra conhecer as praias que não conhecia antes e pedalar. Andei muito de bicicleta e fiz algumas trilhas. Amanhã tenho um com guia pago e a vontade de desmarcar é grande, ainda mais que eu fiz o acerto com a empresa hoje e vou voltar pra minha cidade com uma mão na frente e outro atrás. Nem aprendi a surfar. Odiei morar aqui. Como turista deve ser bom e pra quem tem dinheiro pra pagar de turista. Foram poucas as pessoas que tive conversas interessantes, e a maioria delas bem mais velhas que eu. A maioria daqui gosta de fluxo, de funk e de bagunça. Eu gosto de festa também, mas o fluxo não é a minha praia.
Por um lado tô muito triste porque estou sem dinheiro. Não faço ideia como tá a minha cidade. Só de pensar em ter que espalhar currículos já me desanima muito. Os últimos 3 empregos nos últimos 4-5 anos foram por indicação. Fracassei na tentativa de ser independente.
Por outro lado muito feliz que vou voltar para o conforto da minha casa. Comer o rango delicioso da minha mãe. Meus cachorros!!! Meus amigos. Saudades dos morros, do ar puro das montanhas, das cachoeiras.
A única coisa que vou sentir saudades daqui são as praias, pedalar na orla ao som das ondas quebrando, e o nascer do sol que é um dos mais lindos que já vi.
Parece que voltei pro ponto inicial da vida e tenho que começar tudo de novo, do zero.
submitted by nickfara to desabafos [link] [comments]


2020.08.08 01:49 mulhermedrosa Sou lésbica e não entendo

Oi pessoal. Preciso muito desabafar, porque estou me sentindo muito mal mesmo. Eu espero de coração não ofender ninguém porque estou sendo sincera sobre minhas próprias questões, e não tenho nada a ver com a vida de ninguém a não ser a minha.
Eu tenho 34 anos e sou lésbica. Me assumi como lésbica aos 16 quando entendi que não queria nenhum tipo de homem na minha vida, nada do sexo masculino, não queria relação com órgão masculino. Para mim é uma sexualidade e sempre teve a ver com sexo, e não com gênero.
Foi muito difícil me entender como lésbica, entender o que eu sentia, forçar tentativa de relação com homens só para me sentir um lixo depois, sofrer preconceito na minha familia, correr de gente com barra de ferro na rua só por andar de mão dadas, ouvir xingamentos e ameaças por dar selinhos, nunca ter minhas namoradas aceitas nas festas de família, ouvir que eu não era mulher, tentativa de suicidio, enfim. Um inferno, tudo por não gostar de pênis e não querer um homem. Eu sentia muito medo.
Tudo melhorou quando um pouco mais velha eu encontrei espaços e grupos lésbicos, apenas para mulheres, que entendiam tudo que passei. Mulheres que se orgulhavam de serem lésbicas, que se orgulhavam de suas vulvas, de seu útero. Inclusive algumas namoravam homens trans e continuavam se considerando lesbicas, pq nunca foi sobre gênero. E minha saúde mental melhorou muito.
Mas agora, o movimento LGBT vem nos pressionando a usar a palavra "lésbica" para mulheres trans, e até a aceitar como relação lésbica a relação com um pênis. Mudaram a bandeira que a gente usava desde os anos 70 para tirar o triângulo que representava o útero. Os símbolos de vulva que usávamos com orgulho estão sendo chamados de transfóbicos. Nossa orientação sexual é a única que não envolvia pênis, a única onde eu me sentia confortável. É mês da visibilidade lesbica e meu feed tá cheio de imagens de relação que chamávamos de hétero (dois sexos diferentes) falando que é sexo lesbico. Isso é muito gatilho para mim e para muitas outras.
E eu não entendo. Porque não podemos manter a palavra lésbica só para nós, os espaços seguros só para nós? Esse nome, essa luta, esses símbolos são usados há décadas por fêmeas que gostam apenas de fêmeas para nos reunir, para nos proteger, para lutar pelos nossos direitos. Eu sinto medo de falar sobre isso com qualquer um fora da minha bolha lésbica porque sou atacada como transfóbica.
Eu realmente não quero ofender ninguém, eu quero direitos para todos, não quero que ninguém fique para trás, mas também não quero perder minha identidade. Isso tá me dando crises de pânico e me deprimindo.
Obrigada a quem teve paciência de ler.
submitted by mulhermedrosa to desabafos [link] [comments]


2020.07.25 05:31 altovaliriano [Tradução] Os Outros confundiram Waymar Royce com um Stark

Texto original: https://www.reddit.com/asoiaf/comments/9qvrsy/spoilers_extended_the_killing_of_a_range
Autor: u/JoeMagician
Título original: The Killing of a Ranger
[…] Esta é a versão reescrita da minha teoria de 2015, A Cold Death in the Snow: The Killing of a Ranger, com algumas seções novas e conclusões mais bem explicadas, além de um bom e velho tinfoil. E significativamente menos citações, adequações nos spoilers e menos texto em negrito. Eu queria fazer um vídeo da teoria e não estava satisfeito com a versão original, então aqui está uma versão nova e aprimorada como um bônus.
O vídeo completo está aqui, se você preferir assistir, e a versão em podcast aqui, se você preferir ouvir, bem como pode ser encontrada no Google Play e no iTunes.
Aproveite!

Os Três Patrulheiros

Um dos eventos menos compreendidos em ASOIAF acontece exatamente no capítulo de abertura da saga. Waymar Royce, um fidalgo do Vale, e os dois patrulhieros Will e Gared estão perseguindo selvagens saqueadores na Floresta Assombrada. Antes que possamos nos localizar, Waymar é emboscado pelos demônios de gelo conhecidos como Os Outros. Waymar pronuncia sua famosa e incrivelmente foda frase "Dance comigo, então" e começa o duelo. Waymar segura as pontas até que o Outro acerta um golpe, depois zomba do patrulheiro e, finalmente, a espada de Wamyar se quebra contra a lâmina de gelo. Um fragmento perfura o olho de Waymar e o grupo de Outros que se aproxima, cerca-o e mata-o com golpes coordenados. Para piorar, Waymar é reanimado como uma criatura e massacra seu ex-companheiro Will. O outro irmão deles, Gared, escapa do ataque e foge para o Sul até ser capturado em uma fortaleza perto de Winterfell e executado por Ned Stark em razão de ter desertado da Patrulha.
É um prólogo que deixa o leitor com muitas perguntas não respondidas sobre o que acabou de ler. Por que esses patrulheiros foram atacados e por tantos outros? Onde estavam seus servos mortos-vivos que eles normalmente usam para matar? E por que eles estavam duelando com Waymar Royce em particular, um guarda de nenhuma nota em particular em sua primeira missão? Primeiro, vejamos o histórico de Waymar.
Sor Waymar Royce era o filho mais novo de uma Casa antiga com herdeiros demais. Era um jovem atraente de dezoito anos, olhos cinzentos, elegante e esbelto como uma faca. Montado em seu enorme corcel de batalha negro, o cavaleiro elevava-se bem acima de Will e Gared, montadosem seus garranos de menores dimensões. Trajava botas negras de couro, calças negras de lã, luvas negras de pele de toupeira e uma cintilante cota de malha negra e flexível por cima de várias camadas de lã negra e couro fervido. Sor Waymar era um Irmão Juramentado da Patrulha da Noite havia menos de meio ano, mas ninguém poderia dizer que não se preparara para a sua vocação. Pelo menos no que dizia respeito ao guarda-roupa.
(AGOT, Prólogo)
Segundo as informações que recebemos, Waymar foi o terceiro filho do formidável "Bronze" Yohn Royce, lorde de Pedrarruna e da casa Royce. Ninguém sabe ao certo por que Waymar escolheu se juntar à Patrulha. Sendo filho de um Senhor, ele poderia se casar em uma Casa menor e obter suas próprias propriedades, tornar-se um cavaleiro de torneios, visitar Essos e lutar como um mercenário se quisesse. Poderia fazer quase tudo. Em vez disso, escolheu se juntar à Patrulha da Noite. E Waymar é muito bonito, Sansa Stark se apaixonou por ele à primeira vista:
Foi hóspede em Winterfell quando o filho foi para o Norte vestir o negro – tinha uma tênue lembrança de ter se apaixonado perdidamente por Sor Waymar.
(AFFC, Alayne I)
Gared e Will são um pouco menos ilustres. Will é um caçador furtivo apanhado por Lord Mallister e escolheu a Muralha em vez de perder a mão. Gared ingressou na Patrulha quando menino e é patrulheiro há quarenta anos. Senhor comandante Mormont fala muito bem deles.
Mormont pareceu quase não ouvi-lo. O velho aquecia as mãos no fogo.
Enviei Benjen Stark em busca do filho de Yohn Royce, perdido em sua primeira patrulha. O rapaz Royce estava verde como a grama de verão, mas insistiu na honra de seu próprio comando, dizendo que lhe era devido enquanto cavaleiro. Não desejei ofender o senhor seu pai e cedi. Enviei-o com dois homens que considerava dos melhores que temos na Patrulha. Mas fui tolo.
(AGOT Tyrion III)

A Missão

Agora que estamos mais familiarizados com esses patrulheiros, vamos abordar a explicação mais simples: que foi um encontro acidental entre os Outros e os patrulheiros. Talvez os Outros estivessem viajando pela floresta para se encontrar com Craster e acidentalmente encontraram três patrulheiros. Faz sentido. Os Outros e os patrulheiros são inimigos históricos. No entanto, existem grandes problemas nisso. O primeiro é quando Royce e companhia alcançam suas presas, os saqueadores já foram transformados em criaturas.
Prestou atenção à posição dos corpos?
Will encolheu os ombros.
Um par deles está sentado junto ao rochedo. A maioria está no chão. Parecem caídos.
Ou adormecidos – sugeriu Royce.
Caídos – insistiu Will. – Há uma mulher numa árvore de pau-ferro, meio escondida entre os galhos. Uma olhos-longos – ele abriu um tênue sorriso. – Assegurei-me de que não conseguiria me ver. Quando me aproximei, notei que ela também não se movia – e sacudiu-se por um estremecimento involuntário.
Está com frio? – perguntou Royce.
Um pouco – murmurou Will. – É o vento, senhor.
O jovem cavaleiro virou-se para seu grisalho homem de armas. Folhas pesadas de geada suspiravam ao passar por eles, e o corcel de batalha movia-se de forma inquieta.
Que lhe parece que possa ter matado aqueles homens, Gared? – perguntou Sor Waymar com ar casual, arrumando o longo manto de zibelina.
Foi o frio – disse Gared com uma certeza férrea. – Vi homens congelar no inverno passado e no outro antes desse, quando eu era pequeno.
Waymar, porém, percebe algo errado na avaliação de Gared. Está quente demais para a estação, tanto que o Muralha está derretendo ou "chorando".
Se Gared diz que foi o frio… – começou Will.
Você fez alguma vigia nesta última semana, Will?
Sim, senhor – nunca havia uma semana em que ele não fizesse uma maldita dúzia de vigias.
Aonde o homem queria chegar?
E em que estado encontrou a Muralha?
Úmida – Will respondeu, franzindo a sobrancelha. Agora que o nobre o fizera notar, via os fatos com clareza. – Eles não podem ter congelado. Se a Muralha está úmida, não podem. O frio não é suficiente.
Royce assentiu.
Rapaz esperto. Tivemos alguns frios passageiros na semana passada, e uma rápida nevasca de vez em quando, mas com certeza não houve nenhum frio suficientemente forte para matar oito homens adultos.
Os saqueadores morrem congelados com o tempo quente demais. Como leitores, sabemos que os Outros têm controle sobrenatural sobre o frio, indicando que eles são os assassinos. E então, quando Waymar e Will voltam, descobrem que os corpos desapareceram.
O coração parou em seu peito. Por um momento, não se atreveu a respirar. O luar brilhava acima da clareira, sobre as cinzas no buraco da fogueira, sobre o abrigo coberto de neve, sobre o grande rochedo e sobre o pequeno riacho meio congelado. Tudo estava como estivera algumas horas antes.
Eles não estavam lá. Todos os corpos tinham desaparecido.

A Armadilha

O curioso Waymar morde a isca e a armadilha foi ativada. Will, de seu ponto estratégico em cima de uma árvore, vê seus predadores desconhecidos emergirem da floresta. (AGOT, Prólogo)
Uma sombra emergiu da escuridão da floresta. Parou na frente de Royce. Era alta, descarnada e dura como ossos velhos, com uma carne pálida como leite. Sua armadura parecia mudar de cor quando se movia; aqui era tão branca como neve recém-caída, ali, negra como uma sombra, por todo o lado salpicada com o escuro cinza-esverdeado das árvores. Os padrões corriam como o luar na água a cada passo que dava.
Will ouviu a exalação sair de Sor Waymar Royce num longo silvo. [...]
Emergiram em silêncio, das sombras, gêmeos do primeiro. Três… quatro… cinco… Sor Waymar talvez tivesse sentido o frio que vinha com eles, mas não chegou a vê-los, não chegou a ouvi-los. Will tinha de chamá-lo. Era seu dever. E sua morte, se o fizesse. Estremeceu, abraçou a árvore e manteve o silêncio.
Os Outros armaram uma armadilha para esses patrulheiros e a puseram em ação, não foi um encontro casual. Eles estão apenas tentando matar todos os membros da Patrulha da Noite que puderem? Eu não acredito nisso. Will e Waymar são mortos na Floresta Assombrada, mas o terceiro corvo, Gared, consegue escapar dos Outros. Ele corre para o sul até ser pego pelos Starks e decapitado por Lorde Eddard por deserção.
Há seis Outros não feridos, camuflados e ansiosos para matar ali mesmo com ao menos dez criaturas (incluindo Waymar e Will) e eles deixam de perseguir Gared. Matá-lo seria fácil e rápido, e ainda assim eles não o fazem. Isso não aconteceria se eles estivesse apenas tentando empilhar corpos de patrulheiros.

Claro que Craster está envolvido

A única conclusão que resta é que todo o cenário não era uma armadilha para três homens da Patrulha da Noite, e sim uma armadilha para um patrulheiro em particular: Waymar Royce. Ele é escolhido pelos Outros para um duelo individual por sua vida. Mas por quê? Waymar não é nada de especial na Patrulha. Enquanto isso, Gared e Will são veteranos nas terras além da Muralha. Eles seriam os maiores prêmios, taticamente falando. Como os Outros sequer poderiam saber como procurar por Waymar?
Me perdoará por isso, se tiver lido minhas outras teorias, mas mais uma vez, a resposta é Craster. Waymar, Will e Gared passaram pelo menos uma noite na fortaleza de Craster enquanto rastreavam os selvagens saqueadores.
Lorde Mormont disse:
Ben andava à procura de Sor Waymar Royce, que tinha desaparecido com Gared e o jovem Will.
Sim, desses três me lembro. O fidalgo não era mais velho do que um destes cachorros. Orgulhoso demais para dormir debaixo do meu teto, aquele, com seu manto de zibelina e aço negro. Ainda assim, minhas mulheres ficaram de olho grande – olhou de soslaio a mais próxima das mulheres. – Gared disse que iam caçar salteadores. Eu lhe disse que com um comandante assim tão verde era melhor que não os pegassem. Gared não era mau para um corvo.
(ACOK Jon III)
Observa-se aqui que Craster só fala sobre Gared e Waymar, não sobre Will. E Will é um patrulheiro veterano, alguém que Craster provavelmente já conheceria, mas é deixado de fora. Craster lembra Waymar com riqueza de detalhes, concentrando-se em suas roupas finas e boa aparência. Craster se concentrou muito em Waymar, mas quando perguntado sobre para onde os patrulheiros estavam indo quando partiram, Craster responde (ACOK Jon III):
Quando Sor Waymar partiu, para onde se dirigiu?
Craster encolheu os ombros:
Acontece que tenho mais que fazer do que tratar das idas e vindas dos corvos.
Craster não tem coisas melhores para fazer, seus dias giram em torno de ficar bêbado e ser um humano terrível para com suas "esposas". E ele se contradiz, alegando não ter interesse nos patrulheiros ao mesmo tempo que discorre em detalhes sobre Royce. Dado o relacionamento muito próximo de Craster com os Outros (organizando um acordo em que ele dá seus filhos em troca de proteção), esse encontro casual foi o que deu início à cadeia de eventos que levaram à morte de Waymar. Craster viu algo importante em Waymar Royce, algo em que os Outros prestaram muita atenção e agiram de maneira dramática.

A aparência de um Stark

Vamos analisar rapidamente o que Craster poderia ter aprendido. Com suas próprias palavras, ele percebe que Waymar é de alto nascimento. Não é uma informação particularmente valiosa, existem muitos patrulheiros e membros da Patrulha bem nascidos e os Outros não criaram armadilhas individuais para eles até onde sabemos.
Ele poderia ter ficado sabendo que Waymar era da Casa Royce e do Vale. Não há outros homens dos Royces na Patrulha, mas há outro patrulheiro chamado Tim Stone, do Vale. Tim sobrevive à Grande Patrulha e ainda está vivo no final do Festim dos Corvos, então essa parece uma explicação improvável. Talvez ser Royce tenha feito os Outros ficarem atentos. Os Royces tem sangue de Primeiros Homens, uma casa antiga que remonta às brumas da história. Talvez algum tipo de rancor?
Existe algo em seu comportamento? Waymar é altivo e autoconfiante, repele as pessoas com uma atitude de superioridade. Isso aborreceu Craster, mas duvido que os Outros chegariam em força para acalmar um leve aborrecimento do gerente de fábrica de bebês. O quanto eles demonstram interesse em Waymar implica que o que Craster disse a eles foi uma informação suculenta e importante que o atraiu de forma intensa. O que nos resta é a aparência de Waymar (AGOT, Prólogo):
Era um jovem atraente de dezoito anos, olhos cinzentos, elegante e esbelto como uma faca.
Olhos cinzentos, esbeltos, graciosos. Esta é uma descrição que é usada apenas um capítulo depois com um personagem muito famoso (AGOT, Bran I):
Podia-se ver em seus olhos, Stark – os de Jon eram de um cinza tão escuro que pareciam quase negros, mas pouco havia que não vissem. Tinha a mesma idade que Robb, mas os dois não eram parecidos. Jon era esguio e escuro, enquanto Robb era musculoso e claro; este era gracioso e ligeiro; seu meio-irmão, forte e rápido.
Waymar se parece com Jon Snow. Os outros membros conhecidos da Casa Royce que não ficaram grisalhos (Myranda Royce e seus "espessos cachos cor de avelã" e Albar Royce e seus "ferozes suíças negras") têm cabelo preto ou marrom. É lógico que Waymar tambémteria dada a predominância de cabelos escuros nas famílias. A arte oficial dos fundos dos calendários confirma isso, com GRRM aprovando os cabelos pretos de Waymar. Mas Craster não conhece Jon Snow no momento, então por que a comparação importa? A resposta vem da primeira interação de Craster com Jon Snow (ACOK, Jon III):
Quem é este aí? – Craster perguntou, antes que Jon pudesse se afastar. – Tem o ar dos Stark.
É o meu intendente e escudeiro, Jon Snow.
Quer dizer então que é um bastardo? – Craster olhou Jon de cima a baixo. – Se um homem quer se deitar com uma mulher, parece que a devia tomar como esposa. É o que eu faço – enxotou Jon com um gesto. – Bom, corre a cuidar do seu serviço, bastardo, e vê se esse machado está bom e afiado, que não tenho serventia para aço cego.
Craster de relance reconhece Jon corretamente como tendo a aparência de um Stark. Ele não fala isso de novo com mais ninguém que conhece nos capítulos que aparece, ninguém menciona isso depois, é a única vez que Craster diz que alguém se parece com uma família em particular. Ele sabe que aparência os Starks devem ter, e isso é confirmado por outros personagens. Uma de suas características definidoras, mencionadas muitas vezes, são os olhos cinzentos.
Catelyn lembrando Brandon Stark (AGOT, Catelyn VII):
E seu prometido a olhou com os frios olhos cinzentos de um Stark e lhe prometeu poupar a vida do rapaz que a amava.
Jaime Lannister lembrando Ned Stark na época da rebelião (ASOS, Jaime VI):
Lembrou-se de Eddard Stark, percorrendo a cavalo todo o comprimento da sala do trono de Aerys, envolto em silêncio. Só seus olhos tinham falado; olhos de senhor, frios, cinzentos e cheios de julgamento.
Theon lembrando qual deveria ser a aparência de Arya. (ADWD, Fedor II)
Arya tinha os olhos do pai, os olhos cinzentos dos Stark. Uma garota da idade dela podia deixar o cabelo crescer, adicionar uns centímetros à altura, ver os seios aumentarem, mas não podia mudar a cor dos olhos.
Tyrion Lannister reconhece Jon como tendo a aparência Stark também (AGOT, Tyrion II):
O rapaz absorveu tudo aquilo em silêncio. Possuía o rosto dos Stark, mesmo que não tivesse o nome: comprido, solene, reservado, um rosto que nada revelava.
Pelo reconhecimento correto de Craster e dos monólogos internos de Tyrion e Catelyn, parecer um verdadeiro "Stark" significa que você deve ter olhos cinzentos, cabelos castanhos escuros ou pretos e um rosto longo e solene. Waymar Royce tem três destas quatro características. No entanto ele poderia ter todas, se você considerar o rosto de seu pai um indicativo do aspecto do rosto de Waymar (AFFC, Alayne I):
Os últimos a chegar foram os Royce, Lorde Nestor e Bronze Yohn. O Senhor de Pedrarruna era tão alto quanto Cão de Caça. Embora tivesse cabelos grisalhos e rugas no rosto, Lorde Yohn ainda parecia poder quebrar a maior parte dos homens mais novos como se fossem gravetos nas suas enormes mãos nodosas. Seu rosto vincado e solene trouxe de volta todas as memórias de Sansa do tempo que passara em Winterfell.
O mesmo rosto solene que você procuraria em um Stark. Seu rosto até a lembra de Winterfell e, presumivelmente, de seu pai. Acredito que foi isso que Craster viu em Waymar e que ele alertou os Outros a respeito. Ele tinha visto alguém que se parece muito com um Stark, de alto nascimento e jovem. Isso se encaixa em um perfil importante para os Outros, pois eles entram em ação, preparando sua armadilha para Waymar. Infelizmente, Waymar não é um Stark de verdade, mas ele parece próximo o suficiente para enganar Craster e os Outros.

O Royce na Pele de Lobo

No entanto, Craster não está totalmente errado sobre Waymar ser parecido com um Stark. Os Starks e Royces se casaram recentemente. Beron Stark, tetravô de Jon, casou-se com Lorra Royce. E sua neta, Jocelyn Stark, filha de William Stark e Melantha Blackwood, casou-se com Benedict Royce, dos Royces dos Portões da Lua. Via Catelyn descobrimos onde no Vale seus filhos se casaram:
O pai do seu pai não tinha irmãos, mas o pai dele tinha uma irmã que se casou com um filho mais novo de Lorde Raymar Royce, do ramo menor da casa. Eles tiveram três filhas, todas as quais casaram com fidalgos do Vale. Um Waynwood e um Corbray comc erteza. A mais nova... pode ter sido um Templeton, mas...
(ASOS Catelyn V)
Este é o ramo errado da casa Royce, no entanto, suas filhas todas se casaram com outras famílias nobres, tornando possível que o sangue Stark chegasse, através de casamentos políticos, ao ramo principal da família e Waymar. Sabemos muito pouco sobre a árvore genealógica Royce para além dos membros atuais, nem sabemos o nome ou a casa da esposa de Yohn Royce.
No meu vídeo The Wild Wolves: The Children of Brandon Stark , proponho que Waymar seja realmente um bastardo secreto dos Stark na casa Royce. Há uma quantidade razoável de conexões entre o Lobo Selvagem e Waymar, particularmente sua coragem e sua busca por aventura. Se essa teoria fosse verdadeira, fortaleceria o raciocínio por trás do ataque dos Outros a Waymar, pois ele pode ser um Stark em tudo menos no nome. Você pode imaginar que, enquanto Waymar, Will e Gared estavam andando pela Floresta Assombrada, os Outros seguiam silenciosamente, inspecionando Waymar de longe e ficando excitados por terem encontrado quem procuravam. Talvez eles pudessem sentir o cheiro do sangue do lobo nele.
É minha conclusão que Waymar Royce foi morto pelos Outros por engano, devido às informações incorretas de seu batedor de reconhecimento Stark (Craster). Waymar foi morto por não ser o cara certo. Mas a partir da armadilha e da situação que os Outros criaram, podemos descobrir quem eles esperavam encontrar.

O teste e o ritual

Primeiro, eles montam uma armadilha elaborada usando criaturas para enganar os patrulheiros. A partir disso, podemos concluir que eles esperavam que seu alvo fosse muito cauteloso e inteligente. Caso contrário, eles poderiam simplesmente encontrá-los à noite e se esgueirar para matar. Eles acreditavam que precisavam prender os Stark que estavam caçando.
Segundo, o número de Outros que aparecem. Seis outros aparecem, uma grande quantidade deles para uma disputa que ser espadachins aparentemente experientes. Mais tarde na história, os Outros apenas enviam um para matar pelo menos três membros da Patrulha da Noite, mas Sam o mata com uma adaga de obsidiana. Para Waymar, eles enviam seis. Se você quer alguém para assistir ao duelo, você envia um ou dois extras. Outros cinco implicam que a pessoa que você duelará terá muito sucesso. Você está prevendo que essa pessoa provavelmente matará vários Outros antes que a luta termine. Eles o temem e o respeitam. No entanto, eles descobrem que essas suposições não são verdadeiras. Primeiro, eles verificam a espada de Waymar quando ele a levanta, quase que temendo-a.
Sor Waymar enfrentou o inimigo com bravura.
Neste caso, dance comigo.
Ergueu a espada bem alto, acima da cabeça, desafiador. As mãos tremiam com o peso da arma, ou talvez devido ao frio. Mas naquele momento, pensou Will, Sor Waymar já não era um rapaz, e sim um homem da Patrulha da Noite. O Outro parou. Will viu seus olhos, azuis, mais profundos e mais azuis do que quaisquer olhos humanos, de um azul que queimava como gelo. Will fixou-se na espada que estremecia, erguida, e observou o luar que corria, frio, ao longo do metal. Durante um segundo, atreveu-se a ter esperança.
Quando estão certos de que a espada não está prestes a explodir em chamas como Luminífera, eles seguem em frente e testam suas habilidades com a lâmina.
Então, o golpe de Royce chegou um pouco tarde demais. A espada cristalina trespassou a cota de malha por baixo de seu braço. O jovem senhor gritou de dor. Sangue surgiu por entre os aros, jorrando no ar frio, e as gotas pareciam vermelhas como fogo onde tocavam a neve. Os dedos de Sor Waymar tocaram o flanco. Sua luva de pele de toupeira veio empapada de vermelho.
O Outro disse qualquer coisa numa língua que Will não conhecia; sua voz era como o quebrar do gelo num lago de inverno, e as palavras, escarnecedoras.
(AGOT, Prólogo):
O Outro acerta um golpe, e você quase pode dizer o que ele está dizendo. "Esse cara não deveria ser um lutador incrível?" Então eles executam outro teste
Quando as lâminas se tocaram, o aço despedaçou-se.
Um grito ecoou pela noite da floresta, e a espada quebrou-se numa centena de pedaços, espalhando os estilhaços como uma chuva de agulhas. Royce caiu de joelhos, guinchando, e cobriu os olhos. Sangue jorrou-lhe por entre os dedos.
Os observadores aproximaram-se uns dos outros, como que em resposta a um sinal. Espadas ergueram-se e caíram, tudo num silêncio mortal.
Era um assassinato frio. As lâminas pálidas atravessaram a cota de malha como se fosse seda. Will fechou os olhos. Muito abaixo, ouviu as vozes e os risos, aguçados como pingentes.
(AGOT, Prólogo)
O sinal da morte de Waymar é que sua espada se quebra no frio. Eles esperam que Waymar tenha uma espada que resista a seus ataques frios, pelo menos de aço valiriano. Quando sua espada não o resiste, eles estão convencidos de que Waymar não é quem eles querem e o matam.
Vale a pena prestar muita atenção em quão estranhos esses comportamentos são baseados em como os Outros atacam, como evidenciado mais adiante na história. Em seu ataque ao Punho dos Primeiros Homens, não há Outros à vista, eles usam exclusivamente criaturas. Da mesma forma, eles usam criaturas para expulsar Sam e Gilly do motim na fortaleza de Craster. Quando Sam mata um com sua adaga de obsidiana, apenas um Outro considera uma luta fácil encarar três homens da Patrulha da Noite. Na tentativa de matar Jeor Mormont e Jeremy Rykker, esta missão é dada a duas criaturas sozinhas.
Eles operam como fantasmas, matando nas sombras em sua camuflagem gelada e deixando seus fantoches fazerem seu trabalho sujo. Mas aqui eles abandonam totalmente seu comportamento furtivo. Isso implica que isso foi incrivelmente importante para eles, e a organização parece um ritual ou cerimônia de algum tipo.
Há mais uma coisa em que os Outros têm seus olhos treinados. Depois que Waymar recebe seu ferimento, seu sangue começa a escorrer para a luva e depois sangra abertamente do lado dele. O que está acontecendo até agora pode ser apenas um caso de identificação incorreta de Stark por Craster. Esse detalhe, no entanto, nos dá uma imagem muito diferente. Isso nos diz que eles estão procurando Jon Snow sem saber o nome dele. Deixe-me explicar.
No final de A Dança dos Dragões, Jon é morto por seus irmãos da Patrulha da Noite e sente o frio da morte sobre ele. No programa de TV, Jon é ressuscitado por Melisandre praticamente a mesma pessoa que ele era, com algumas cicatrizes retorcidas. O mesmo vale para Beric Dondarrion, cujos próprios retornos da morte servem como preparação para Jon. Em uma entrevista à Time Magazine, George conta uma história muito diferente sobre como o corpo de Beric funciona.
[…] o pobre Beric Dondarrion, que serviu de prenúncio [foreshadowing] de tudo isso, toda vez que ele é um pouco menos Beric. Suas memórias estão desaparecendo, ele tem todas aquelas cicatrizes, está se tornando cada vez mais hediondo, porque ele não é mais um ser humano vivo. Seu coração não está batendo, seu sangue não está fluindo em suas veias, ele é uma criatura [wight], mas uma criatura animado pelo fogo, e não pelo gelo, e agora estamos voltando a toda essa coisa de fogo e gelo.
Isso é parecido com o que o personagem conhecido como Mãos-Frias diz a Bran, que tem isso a dizer sobre sua própria versão dos mortos-vivos e como seu corpo se saiu.
O cavaleiro olhou as mãos, como se nunca as tivesse notado antes.
Assim que o coração para de bater, o sangue do homem corre para as extremidades, onde engrossa e congela. – Sua voz falhava na garganta, tão fina e fraca como ele. – As mãos e os pés incham e ficam negros como chouriço. O resto dele torna-se branco como leite.
(ADWD, Bran I)
O que estão nos mostrando é que, após a ressurreição, os corpos dessas pessoas estão sendo mantidos em um estado de animação suspensa. Eles não bombeiam mais sangue, raramente precisam de comida ou sono, podem até não envelhecer. Quando o sangue bombeia quente do flanco de Waymar, os Outros podem ver que ele não está morto-vivo, como Jon provavelmente estará nos próximos livros.
Some todos esses indícios. Eles estavam procurando por uma espada que fosse resistente à sua magia, certamente aço valiriano como a espada Garralonga que Jon Snow empunha. Eles querem um jovem de cabelos escuros, longos traços faciais e olhos cinzentos de um Stark. Novamente um sinal fúnebre para Jon Snow. Eles querem alguém cujo sangue não flua mais quente. Isso nos dá um indício de que, no futuro, Jon estará sendo procurado por ele; passada sua morte e ressurreição na Muralha.

Um destino escrito em gelo e fogo

Como poderia ser assim? Como os Outros poderiam saber quem é Jon, como ele é e por que ele é importante para eles? A chave para o mistério é o fato de que os Outros foram feitos pelos Filhos da Floresta, e toda a linguagem simbólica e descritiva ao seu redor indica que eles vêm e extraem poderes dos Bosques. E sabemos o que isso significa: visão verde e sonhos verdes. Ou visão de gelo. Semelhante ao que vemos em personagens como Bran, Jojen, Melisandre, Cara-Malhada e muito mais. Acesso a um mundo de sonhos sem tempo com características altamente simbólicas. Como exemplo, é assim que Jojen interpreta Bran em seus sonhos.
Os olhos de Jojen eram da cor do musgo, e às vezes, quando se fixavam, pareciam estar vendo alguma outra coisa. Como acontecia agora.
Sonhei com um lobo alado preso à terra por correntes de pedra cinza – ele disse. – Era um sonho verde, por isso soube que era verdade. Um corvo estava tentando quebrar suas correntes com bicadas, mas a pedra era dura demais, e seu bico só conseguia arrancar lascas.
(ACOK, Bran IV)
A natureza incerta do mundo dos sonhos verdes torna perfeitamente compreensível como os Outros poderiam confundir Waymar com Jon. Eles podem tê-lo visto apenas em flashes, seu rosto obscurecido, seu nome desconhecido, seu período exato incerto. Lembre-se de quantos problemas os Targaryens, valirians, Melisandre e muitos outros tentaram adivinhar quando o Príncipe prometido chegaria, interpretando a estrela que sangrava e o nascimento em meio a sal e fumaça "criativamente" ao longo de sua história. Os Outros podem estar fazendo a mesma coisa com quem vêem no futuro, e há um sonho em particular que pode aterrorizá-los. O sonho de Jon.
Flechas incendiárias assobiaram para cima, arrastando línguas de fogo. Irmãos espantalhos caíram, seus mantos negros em chamas. Snow, uma águia gritou, enquanto inimigos escalavam o gelo como aranhas. Jon estava com uma armadura de gelo negro, mas sua lâmina queimava vermelha em seu punho. Conforme os mortos chegavam ao topo da Muralha, ele os enviava para baixo, para morrer novamente. Matou um ancião e um garoto imberbe, um gigante, um homem magro com dentes afiados, uma garota com grossos cabelos vermelhos. Tarde demais, reconheceu Ygritte. Ela se foi tão rápido quanto aparecera.
O mundo se dissolveu em uma névoa vermelha. Jon esfaqueava, fatiava e cortava. Atingiu Donal Noye e tirou as vísceras de Dick Surdo Follard. Qhorin Meia-Mão caiu de joelhos, tentando, em vão, estancar o fluxo de sangue do pescoço.
Sou o Senhor de Winterfell – Jon gritou. Robb estava diante dele agora, o cabelo molhado com neve derretida. Garralonga cortou sua cabeça fora.
(ADWD, Jon XII)
Jon vestido com uma armadura de gelo empunhando uma espada flamejante, lutando sozinho contra as hordas de mortos-vivos, matando repetidas vezes sua própria família, entes queridos e irmãos. Essa pessoa seria sem dúvida um problema para os Outros. Ou eles podem ter visto a visão igualmente aterrorizante de Melisandre sobre Jon.
As chamas crepitavam suavemente, e em seu crepitar ela ouviu uma voz sussurrando o nome de Jon Snow. Seu rosto comprido flutuou diante dela, delineado em chamas vermelhas e laranja, aparecendo e desaparecendo novamente, meio escondido atrás de uma cortina esvoaçante. Primeiro ele era um homem, depois um lobo, no fim um homem novamente. Mas as caveiras estavam ali também, as caveiras estavam todas ao redor dele.
(ADWD, Melisandre I)
Jon e Waymar também incorporam traços clássicos do Último Herói, a pessoa que de alguma forma terminou a Longa Noite. Waymar até parece animado quando percebe que os invasores podem ter sido mortos pelos Outros. Conforme a Velha Ama,
[…] o último herói decidiu procurar os filhos da floresta, na esperança de que sua antiga magia pudesse reconquistar aquilo que os exércitos dos homens tinham perdido. Partiu para as terras mortas com uma espada, um cavalo, um cão e uma dúzia de companheiros. Procurou durante anos, até perder a esperança de chegar algum dia a encontrar os filhos da floresta em suas cidades secretas. Um por um os amigos morreram, e também o cavalo, e por fim até o cão, e sua espada congelou tanto que a lâmina se quebrou quando tentou usá-la. E os Outros cheiraram nele o sangue quente e seguiram-lhe o rastro em silêncio, perseguindo-o com matilhas de aranhas brancas, grandes como cães de caça…
(AGOT, Bran IV)
A missão Outros pode ser tão simples quanto garantir que o Último Herói nunca chegue aos Filhos da Floresta novamente, que não haverá salvação para os homens desta vez. Eles também cercaram a caverna de Corvo de Sangue, talvez como mais uma defesa contra o Herói que se aproximava deles. Enquanto os humanos consideram o Último Herói como uma lenda de grandes realizações, para os Outros ele seria o Grande Outro, a versão deles do Rei da Noite. Um demônio que acabou com suas ambições, um monstro com uma espada que os destrói com um toque e é incansável, destemido. Faz sentido que, se pensassem que haviam encontrado essa pessoa, eles trariam um grande número de si mesmos para o duelo. É o medo que os fez ser tão cautelosos com Waymar. Medo de terem encontrado seu verdadeiro inimigo mais uma vez. O demônio da estrela que sangra, um monstro feito de fumaça e sal com uma espada flamejante.
E a pergunta permanece: quando eles finalmente encontrarem essa pessoa, o que farão com ela? Vimos alguém falhar nos testes, que teve uma morte rápida e brutal. E se ocorrer um sucesso? Eles vão matá-lo de novo? Manterão Jon refém? Irão convertê-lo em seu novo rei do inverno? Desfilarão seu corpo eterno na frente de seus exércitos? Ainda podemos descobrir quando os Ventos do Inverno soprarem e o lobo branco finalmente uive.
TL;DR - Waymar foi morto porque Craster o achou muito parecido com um jovem e bem nascido patrulheiro Stark, um perfil que combina com Jon Snow. Os Outros podem até estar procurando especificamente Jon Snow por visões ou sonhos verdes com o mesmo empenho com que o mundo dos vivos está procurando por Azor Ahai e o Príncipe Prometido.
submitted by altovaliriano to Valiria [link] [comments]


2020.07.16 22:38 HoBaLoy Do Grande Conselho de 101 AC (parte I)

Nesta Quinta NÃO-ASOIAF a abordagem tratará de talvez (e na minha opinião é) o maior evento EXCLUSIVAMENTE POLÍTICO de O Mundo de Gelo e Fogo elaborado por Martin, que é o Grande Conselho de 101 AC. Indiscutivelmente este seria um evento para a posteridade e este foi o objetivo do Rei Jaehaerys I ao convocá-lo. Não se trata de uma discussão definitiva apenas alguns apontamentos e reflexões a serem discutidas.
As discussões são muito amplas, portanto, neste primeiro momento pretendo abordar apenas as questões envolvendo os senhores presentes e os pretendentes.
O que resultou na convocação de tal Conselho foi que o filho e herdeiro do rei Jaehaerys I, príncipe Aemon falecera em 92 AC. Posteriormente a isso, Rei Jaehaerys nomeou o príncipe Baelon como seu herdeiro, em tese “passando por cima” da pretensão da filha de Aemon, a princesa Rhaenys. O príncipe Baelon morreu em 101 AC enquanto servia como Mão do Rei.
Quem acabou por sugerir a realização do Conselho foi o Arquimeitre Vaegon, único filho homem do Rei Jaehaerys I ainda vivo.
Os principais pretendentes eram o Princípe Viserys, filho de Baelon , e o Princípe Laenor Velaryon, filho da Princesa Rhaenys (filha do Princípe Aemon). Vejam que, em escala direta, Viserys era NETO do Rei e Laenor, BISNETO do Rei.
O grande castelo de Harrenhal foi escolhido como sede do Conselho, compareceram mais de mil senhores. O total de POSSÍVEIS pretendentes é dito em Fogo & Sangue como 14 (quatorze) mas o foco recairá sobre os 2 principais e uma breve menção a alguns outros.
1) Laenor Velaryon, filho da princesa Rhaenys - que era a filha mais velha do filho mais velho de Jaehaerys, Aemon;
2) Príncipe Viserys, filho mais velho de Baelon, o Valente e da princesa Alyssa.
A primogenitura favorecia Laenor, enquanto a proximidade favorecia Viserys, que também era o último príncipe Targaryen a montar Balerion antes da morte do dragão em 94 AC. Laenor também era um cavaleiro de dragão (com Fumaresia).
Para os senhores de Westeros ainda existia o conceito da prevalência da linhagem masculina PURA sobre a linhagem feminina, o que favorecia Viserys. Também vale dizer que Viserys já era um homem com 24 anos de idade enquanto Laenor era um menino com 6-7 anos.
Lembremos também que a Rainha Visenya era dois anos mais velha que Aegon o Conquistador e isso fora mencionado por Gyldayn, logo deve ter sido umas das argumentações favoráveis à postura de favorecimento da linhagem masculina PURA.
A convocação de tal Conselho também julgo ser conveniente para o Rei Jaehaerys I pelo fato de ter apontado Baelon em detrimento de Rhaenys e com isso ter entrado em conflito com a Rainha Alysanne (apesar de já falecida), isso faria com que ao menos honrasse sua memória de alguma forma.
Das casas nobres, os seguintes representantes compareceram para falar em nome do candidato que achavam que deveria suceder ao Velho Rei:
Não existe menção a representantes específicos das Ilhas de Ferro.
As leis de sucessão mais puristas e sem distinção, EM TESE, apoiariam a pretensão de Laenor, pois sua mãe, a princesa Rhaenys, era filha do príncipe Aemon, que era o filho mais velho do rei Jaehaerys.
Algo favorável a Laenor era o fato dele ser filho de Lord Corlys Velaryon, a Serpente do Mar, dito à época um dos homens mais ricos e respeitados dos Sete Reinos.
Alguns outros possíveis pretendentes abriram mão de suas pretensões por apoiarem alguns parentes ou mesmo julgarem não ter chances suficientes.
Mas existem algumas coisas para reflexão. Sabemos que a pretensão de Viserys foi a que prevaleceu mas o texto de Gyldayn nos diz algo a se pensar:
“Apesar de os meistres que contaram os votos nunca terem revelado os números, diziam depois que a votação fora de mais de vinte contra um.”
Dizem também que Derivamarca e Ponta Tempestade aceitaram a decisão apenas porque os resultados foram muito incontestáveis. Porém desconfio particularmente de um resultado dito tão retumbante.
Corlys Velaryon, Boremund Baratheon, Ellard Stark, a Casa Blackwood, Lord Bar Emmon, Lord Celtigar, a Casa Dustin e a Casa Manderly todas apoiaram Laenor Velaryon. Apesar de não mencionado seria de esperar que Yorbert Royce também estivesse do lado de Laenor pelo fato de não apenas ele estar lá representando Jeyne Arryn, uma mulher, cujos direitos ao Vale estariam em questão se a primogenitura feminina fosse desconsiderada, mas também sua própria sede de Pedrarruna seria herdada em breve por uma mulher (Rhea Royce). Ou o casamento com o Princípe Daemon fora arranjado justamente com estes termos? (e claro que existe Aemma Arryn nesta questão)
Normalmente os vassalos acompanhariam os seus suseranos nos votos, principalmente se quisessem ganhar o seu favor em questões locais. Seguindo essa linha, os votos do Norte, das Terras da Tempestade, do Vale e do Mar Estreito (em virtude da grande influência exercida por Lord Corlys) iriam para Laenor Velaryon.
Viserys ainda poderia EM TESE ganhar com os votos da Campina, das Terras Ocidentais e das Terras Fluviais mas e essa tal diferença indiscutível?
Também sabemos que os votos foram inspecionados pelos meistres. Existia alguma influência direta de Vaegon nisso? Qual dos pretendentes a cidadela favorecia?
Após a escolha de Viserys a Casa Hightower (patronos da Cidadela) começa a ganhar destaque. o irmão 'erudito' do Senhor de Vilavelha, Otto Hightower, foi escolhido Mão do Rei e se torna o governante efetivo do reino (Jaehaerys I já acamado à época).
Já quando rei Viserys I acaba por escolher Alicent Hightower como nova esposa. Lembremos também que Lyonel Strong fora um noviço na Cidadela forjando 6 elos e este se tornou posteriormente Mão do Rei (sob Viserys I).
O que acham destas reflexões e especulações?
(Haverá uma parte II)
submitted by HoBaLoy to Valiria [link] [comments]


2020.07.09 00:18 MellowKween As pessoas mudam, mas fica quem quer. A história de uma amizade entre um homem e uma mulher.

Esse será um desabafo longo...
Conheci meu melhor amigo 'Tom' com 15 anos de idade. Morávamos no subúrbio e éramos apenas colegas de classe na época. Um certo dia nós dois estávamos num role dos amigos e eu e Tom começamos a conversar. Nós éramos muito parecidos e entramos numa sintonia absurda. Tom sempre foi um cara super extrovertido, engraçado e inteligente. Sabe aquela pessoa que conquista qualquer um? Esse era Tom. Naquela época, ambos eram apaixonadinhos por outras pessoas da sala, nossa amizade era pura e platônica. Tom era louco por Clara e eu pegava um outro carinha. Clara era da nossa turma, mas também era a mina mais gata do colégio. Esse era o tipo de garota que o Tom curtia: aquelas que todos cobiçam. Clara curtia ele, mas sempre brincou com seus sentimentos.
Tom e eu seguimos fortalecendo nossa amizade. Meu pai havia falecido e eu passei por uma depressão forte. Tom chegou a salvar minha vida algumas vezes... devo muito a ele. Eu morei fora um tempo e falava com ele pelo menos uma vez por semana. Ele sempre esteve lá pra mim e eu para ele, ouvindo as cagadas da Clara... Quando voltei para o Brasil, minha família havia mudado para SP, onde comecei a faculdade. Tom, assim como nossos amigos de colégio, ainda morava no subúrbio, mas ele vivia no meu apê. Esse era nosso nível de amizade, ele dormia na minha casa quando estava em SP e eu dormia na casa dele quando estava no nosso antigo bairro. Eu fiz muitas amizades na facul, e naturalmente, todos ficaram muito próximos de Tom também. Amizades que hoje são tão importantes pra ele quanto pra mim.
Passamos pelo primeiro perrengue de amizade nessa fase... eu fui crescendo e me encaixando no meu corpo... estava no meu melhor durante a facul. Me tornei uma mulher, já estagiava e vivia minha própria vida. Tom, por outro lado, estagnou... Tom nunca precisou se provar pra nada, ele sempre foi inteligente e carismático, acho que isso o deixou cair no conforto. Sua família é incrível e ele nunca precisou de nada. Ele tinha um problema nas costas que dificultava fazer esportes e ele se deixou crescer. Eu nunca me importei com a aparência de Tom pq sua personalidade sempre foi muito mais interessante. Eu poderia ficar conversando com ele por séculos, rindo e aprendendo... Já pensei muitas vezes em ter um relacionamento com Tom, mas infelizmente, ele demorou muito para amadurecer. Eu me tornei uma mulher quase independente e não conseguia me ver com um homem que se comportava como adolescente. Se há algo que eu nunca quis ser é mãe/babá de macho. Nunca consegui sentir atração por Tom por conta desse atraso emocional. Mas nada pôde impedi-lo de se apaixonar por mim naquela época. Ah mas era fácil de mais pra ele... Vocês entendem como pra mim isso é ofensivo? Eu nunca fui a Clara. Nem mesmo no meu melhor, nunca fui a mina mais linda do role. Ele só foi me curtir quando eu estava bem e ele mal... enfim, nós nunca nos separamos ou nos afastamos, ele nunca se declarou, só vinha com aquele papo 'se os dois estiverem solteiros em 30 anos a gente casa' mas falava pra nossas amigas em comum. Eu sempre frequentei a casa de Tom, sou muito próxima da família dele e sei que eles também torciam que um dia a gente ficasse juntos, mas sempre fomos incompatíveis romanticamente...
Nesse meio tempo, a família do Tom também veio para SP. Estávamos com 24 anos. Nós vivíamos juntos, eu já trabalhava e morava sozinha e ele vivia no meu apê. Tom estava procurando emprego e ainda morava com os pais. No meu trampo conheci "Jack", um homão da porra. Por um milagre, Clara apareceu de novo também e, obviamente, Tom nem pensou duas vezes antes de correr atrás dela. Nossa amizade era pura novamente. Eu e Jack viramos um casal, mas Tom e Clara não foram pra frente. Com 26 anos, nossas vidas mudavam... nossos amigos de infância casavam e tinham filhos e eu estava morando com Jack. Tom estava sempre na nossa casa. Ele ficou muito amigo do Jack, inclusive. Éramos tão próximos, nós três, que Tom dormia no nosso apê depois de noites de papo e jogos. Passamos reveillons e carnavais juntos, as vezes com a galera toda, as vezes só nós três. Eu queria muito que Tom arranjasse uma namorada, queria ver ele amadurecer, crescer e fazer vários roles de casal juntos.. era meu sonho.
Tom mudou de curso na facul depois de 2 anos pra fazer o mesmo que eu, mas em outra instituição. Tentei arranjar vários trampos pra ele na área, mas depois de se formar ele logo mudou de foco e quis entrar em outro mercado. Eu sempre fiz de tudo pra ajuda-lo a crescer e consegui arranjar um trampo pra ele na área que ele queria. Foi nesse trampo que ele conheceu "Paula". Paula é muito diferente dos nossos amigos, mas é uma mulher forte e inteligente, gostei dela de primeira. Mas Paula era um pouco mais velha e tinha outras prioridades... logo que eles começaram a namorar, Tom sumiu. Não nos chamava mais pra nada e quase sempre rejeitava nossos convites... aquele sonho que eu tinha de fazer roles de casal foi indo por água abaixo. Paula não curte quase nada do que a gente (nosso grupo de amigos próximos) curte, acho que Tom foi se afastando pq sabia que Paula não se sentia confortável no nosso role - não por conta do tratamento com ela, que sempre foi inclusivo, afinal todos amam muito Tom e queriam conhecer e agregar Paula, mas por motivos de hábitos mesmo. Nossos amigos (inclusive Tom) fumam (cigarros e outras coisas..) e Paula é alérgica a fumaça. Paula nunca tentou se aproximar da gente, não de verdade. No começo ela se fazia de próxima, mas era mais pra ganhar nossa aprovação do que pra realmente nos conhecer. Eles namoraram por 1 ano - tempo que mal vimos Tom - até que um dia anunciaram um noivado. Esse foi o relacionamento mais sério que Tom teve na vida. Eles ainda moravam com os pais. Eu achei muito estranho. Obviamente quero ver Tom feliz, mas fiquei preocupada, não sabia se ele já estava apto para casar sem pelo menos morar sozinho antes. Ele não sabia fazer tarefas básicas, tá ligado? Enfim, isso é um problema que eu tenho, mas que Paula pode não ter, então quem sou eu pra interferir. Eles se casaram no meio da pandemia. Eu queria estar presente para Tom num dia tão importante e falei com a irmã dele para armar uma surpresa no dia (eles iam no cartório de manhã e teriam um almoço só com a família próxima depois). O plano era juntar os amigos mais próximos do casal (pra vcs terem noção, eu não conheço uma única amiga da Paula, tive que achar as mina no instagram) e fazer um zoom surpresa na hora do almoço, quando eles cortariam o bolo e diriam os votos. Mas Paula teve a mesma ideia e quis chamar amigos pra participarem no dia... nossa surpresa estava em perigo, mas tudo bem. Ela fez um convite "Para os melhores amigos" participarem. Nenhum amigo do Tom foi convidado. Paula nem se importou pelo jeito... Quando eu entendi que eles estavam convidando pessoas e não me chamaram, eu desabei. A irmã do Tom me falou que ele deve ter esquecido e que nós continuaríamos com a surpresa (ela e a família tb não queriam que não houvesse um único amigo dele no dia. Gente, Tom era quase prefeito, cara super popular, não fazia sentido...). No dia anterior do casamento, eu liguei pro Tom pra dar parabéns, pra desejar felicidades, etc. Meio que dando uma última oportunidade pra ele me convidar. Nada, desconversou. Eu e Jack aparecemos no zoom, mas foi por obrigação. Nunca imaginei que seria assim o casamento de Tom. Ele ficou tão emocionado com a surpresa, me agradeceu e tal, mas não fazia mais diferença. Tom virou outra pessoa, não somos mais amigos como fomos por quase 20 anos. Grudados. Fiz tudo que pude por ele, sempre o mantive por perto, nunca imaginei que ele tinha tão pouco apresso pela nossa relação.
Está sendo difícil desapegar de Tom... sua família e os amigos estão um pouco preocupados com a falta de interesse dele em pessoas que sempre foram muito presentes. Já me pediram pra tentar falar com ele e entender o que está acontecendo. Paula sempre muito rígida, não deixa as conversas saírem do seu domínio. Mas sinceramente, não quero intervir. Tom tem as obrigações dele, as responsabilidades dele, não vou mais ser ferramenta de nada pra ele. Paula não controla o que ele fala ou o com quem ele se relaciona, ela não é essa pessoa, ele escolheu se comportar dessa maneira. Ele precisa crescer e casamento não é sinônimo de amadurecimento. Tentando correr atrás de um tempo perdido, Tom se atropelou. Se ele não quer minha ajuda, não vou forçar. Só na frozen, Let it go.
Eu conheci "Sara" quando tínhamos 5 anos. Sara era quase uma irmã pra mim, viva com minha família por anos. Estudamos juntas nossas vidas inteiras, mas nos afastamos bastante por muito tempo. Quase não nos falávamos mais. 3 anos atrás ela casou e me chamou pra ser madrinha. A gente quase não se falava e ela me chamou pra ser parte da cerimônia, convidada de honra. Na mesma semana que Tom não me chamou pro casamento dele, Sara me ligou dizendo que estava grávida e que eu seria 'titia'. Anos separadas não abalou nossa relação. Por isso meus amigos, eu repito, as pessoas mudam, mas quem quer, fica.
submitted by MellowKween to desabafos [link] [comments]


2020.05.23 05:04 altovaliriano Os Fantoches de Gelo e Fogo (Parte 2)

Texto em inglês: https://asoiaf.westeros.org/index.php?/topic/134726-the-puppets-of-ice-and-fire/
Autor: KingMonkey
-----------------------------------------
Dunk teve a sensação mais estranha, como se já tivesse vivido tudo aquilo antes.
(O Cavaleiro Misterioso)
Há mais ecos. Quantos? Eu não sei. Às vezes os ecos parecem bastante claros, em outros momentos são bem mais fracos. Alguns deles podem ser relevantes, outros podem ser simplesmente ressonâncias do grande evento filtrando o momento e deixando sua marca em eventos menores. Alguns desses ecos podem ser produto do reconhecimento de padrões em minha mente, agora que estou tão preparado para procurá-los. Não estou certo sobre todos eles. Entretanto, eu ficaria muito surpreso se nenhum deles fosse intencional. Quase certamente há ecos que ainda não notei. Antes que comece a cavar a procura, vou explorar mais alguns que eu já vi.

O Cavaleiro Andante

Em O Cavaleiro Andante, temos outro baio puro-sangue, montado por Aerion. Ali estão outros três guardas-reais, com suas capas brancas e mais imagens fantasmagóricas: "Na extremidade norte do campo, uma coluna de cavaleiros veio trotando da névoa do rio. Os três membros da Guarda Real vinham primeiro, como fantasmas em suas cintilantes armaduras de esmalte branco, com longos mantos brancos esvoaçando pelas costas.. "
Dunk vê uma estrela cadente e a torna parte de seu brasão, uma reminiscência do brasão da estrela cadente de Arthur Dayne, e nos é dada uma descrição interessante de seu escudo: "A estrela cadente era uma pincelada de tinta brilhante através do céu de carvalho", semelhante a " Uma tempestade de pétalas de rosa soprou através de um céu riscado de sangue”.
Os três (embora não estejam sozinhos) lutam contra sete, e a causa da luta é um cavaleiro que não renuncia a seus votos, custe o que custar. O número três surge novamente no número de mortos no julgamento de 7 contra 7. É um pouco forçado, eu admito, mas talvez possamos entender o fato de que todos os homens que lutam ao lado da Guarda Real são membros da mesma família, portanto, pelo menos em termos de casas com um único representante, pode ser visto como sete. contra três.
No final, o escudeiro Egg de Dunk é revelado como um dragão secreto, e Duncan fala sobre ir para as montanhas vermelhas de Dorne.

A Espada Juramentada

Eu só passei o olho em A Espada Juramentada, mas também vi alguns elementos conhecidos lá. Há uma torre, parcialmente arruinada há muito tempo. Há uma senhora que é extraordinariamente marcial. Há um confronto em que três enfrentam trinta e três, mas há sete cavaleiros entre os trinta e três. Um truque padrão do GRRM, ele não nos mostra esse número diretamente - “Mais cavaleiros vieram na seuqência, meia dúzia deles”, mas já tínhamos um cavaleiro [Sor Lucas]. Dunk sonha em cavar túmulos perto das montanhas vermelhas de Dorne, e embora o número de túmulos seja onze, o número realmente mencionado é oito: “Tem mais covas para cavar, pateta. Oito para eles, uma para mim, uma para o velho Sor Inútil e a última para seu garoto careca”. Há outra cavalo baio puro-sangue, que Lady Rohanne tenta oferecer a Duncan.

O Cavaleiro Misterioso

Como em O Cavaleiro Andante, essa história gira em torno de um sonho. No primeiro, o sonhador é Daeron, no segundo é Daemon II. Ambos são sonhos de dragão. O primeiro vê a morte de um dragão, oo último vê o nascimento de um. Daemon, apelidado de John, o Violinista. Também sonhou com Duncan, em uma capa branca. Um sonho que se realizou, haja vista que Duncan acabaria se tornando o lorde comandante da Guarda Real. "Sonhei com isso. Com esse castelo pálido, você, um dragão irrompendo de um ovo" Pode ser que o sonho fosse, na verdade, sobre Solarestival, mas Daemon acreditava que era sobre Alvasparedes, que ele descreve como parecendo ser "feito de neve" (Um gigante em um castelo de neve?) Ou branco como a casca de um ovo, talvez. Um bom castelo para despertar dragões da pedra.
Dunk entra nas listas de Alvasparedes com um escudo sem seu brasão normal. Sua estrela cadente não está nessa história, mas há outro cavaleiro da estrela cadente: Sor Glendon Flowers, que afirma ser filho de Sor Quentyn "Bola de Fogo" Ball.
Os combates acontecem de manhã e não de tarde, mas ainda há vermelho no céu: " Em algum lugar a leste, um raio irrompeu pelo céu rosa-claro". Alguns parágrafos antes, temos " Relâmpagos reluziam azuis e brancos...". Mais uma vez, algo azul no céu vermelho.
Sor Maynard Plumm (aparentemente um agente de Corvo de Sangue, se não o próprio Corvo de Sangue disfarçado) tenta convencer Dunk a fugir com Egg. Dunk é o futuro Lorde Comandante da Guarda Real, e ele responde à sugestão de fugir com um herdeiro de Targaryen da mesma maneira que Sor Gerold Hightower respondeu na Torre da Alegria: de que ele é obrigado pela honra a não fugir .
Quando Corvo de Sangue chega para terminar a rebelião antes de começar, temos "Um exército aparecera do lado de fora do castelo, saindo das brumas da manhã [...] liderados por três cavaleiros da Guarda Real". Mais imagens oníricas na névoa e três guarda reais novamente. O exército é acompanhado por Danelle Lothstan, outra mulher com tendências marciais, e mais uma vez vemos o morcego de Harrenhal que Whent carregava.
Não há pira, mas os homens de Corvo de Sangue queimam o estandarte Blackfyre de Daemon, que estranhamente "queimou por muito tempo, mandando para o ar uma nuvem de fumaçaretorcida que podia ser vista a quilômetros dali".
Corvo de Sangue fala sobre Alvasparedes, que ele pretende "colocá-la abaixo pedra por pedra", assim como Ned fez com a Torre da Alegria.
Os eventos terminam com o nascimento simbólico de um dragão, ou assim Corvo de Sangue nos diz: " Daemon sonhou que um dragão nasceria em Alvasparedes, e aí está. O tolo só errou a cor".

A Queda de Winterfell

Estou bastante icerto sobre este caso em A Fúria dos Reis, capítulo 66, mas há alguns pontos que me fazem querer inclui-lo entre os possíveis ecos.
Há uma discussão fora dos muros antes da luta, e uma jovem donzela mantida refém do lado de dentro (Beth Cassel). Ficamos com a frase " Os seus dezessete podiam matar três, quatro, cinco vezes esse número de homens ", que tem um eco fraco de sete contra três, e quando Ramsay intervém, ele deixa cair o corpo de três líderes, Rodrick Cassel, Leobald Tallheart e Cley. Cerwin, nos portões. Ramsay é encontrado por três no castelo também, Theon, Lorren Negro e Meistre Luwin. Theon diz: "Não fugirei", como os guardas reais, que não fogem. A cena se passa à noite, quando "o sol estava baixo, a oeste, pintando os campos e as casas com um clarão vermelho" e há um detalhe estranho " Os corvos chegaram na penumbra azul" - uma cor estranha para detalhes soltos, reflexos de " Uma tempestade de pétalas de rosa soprou através de um céu riscado de sangue". A coluna de homens de Ramsey apareceu " saída da fumaça". Mais iconografia de fumaça/sombra. Temos até outro Cassel morrendo. Esses ecos são duros para a Casa Cassel.
A cena termina com a destruição de Winterfell, assim como a tenda foi queimada ou a Torre da Alegria foi demolida. O cavalo de Theon está pegando fogo, " saindo aos coices dos estábulos que ardiam, com a crina em chamas, relinchando, empinando-se… ", o que é semelhante à visão de Dany na pira funerária de " Viu um cavalo, um grande garanhão cinzento retratado na fumaça, com uma auréola de chama azul no lugar da crina".
Isso pode ajudar a explicar um mistério no próximo capítulo de Bran, ACoK capítulo 69. " A fumaça e as cinzas enevoavam seus olhos, e no céu viu uma grande serpente alada cujo rugido era um rio de chamas. Descobriu os dentes, mas a serpente desapareceu". Essa frase intrigou muitos leitores e deu origem a muita especulação. Se a queda de Winterfell ecoou os eventos na tenda, que levaram ao nascimento de dragões, podemos especular que o que Verão viu foi um eco mágico do nascimento de um dragão também. Um pouco antes, em A Fúria dos Reis capítulo 28, Meistre Luwin disse a Bran que " Talvez a magia um dia tenha sido uma força poderosa no mundo, mas já não o é. O pouco que resta não é mais do que o fiapo de fumaça que permanece no ar depois de um grande incêndio se extinguir, e até isso está se desvanecendo".

Os Sete de Bran

Um que também é muito incerto, mas com uma frase interessante. Hodor, Coldhands, Jojen, Meera, Bran, Summer e Leaf lutam contra as criaturas do lado de fora da caverna do Corvo de Três Olhos em Dança dos Dragões, capítulo 13. Esses são os sete, embora eles lutem contra mais de três. Alguns dos inimigos têm mantos. Há sombras e névoa pálida. "Seus olhos brilhavam como claras estrelas azuis" lembram " azul como os olhos da morte". Não temos muita coisa, mas há o seguinte: "Verão rosnava e mordia, enquanto dançava ao redor da mais próxima, uma grande ruína de homem envolta em um turbilhão de chamas.”

A Torre dos Crabb

As jornadas de Brienne of Tarth pelas Terras Fluviais em uma missão para resgatar uma donzela Stark tem paralelos da busca de Eddard Stark para resgatar uma donzela Stark. Em Festim dos Corvos, capítulo 20, Brienne tem um confronto em uma torre há muito caída, Os Murmúrios.
Nos Murmúrios, Brienne luta contra Pyg, Shagwell e Timeon. Esses três podem ser vistos como uma versão distorcida e barata dos três guardas reais na Torre da Alegria. Pyg é um animal menos majestoso que o "velho touro", Sor Gerold Hightower. Timeon é um dornês, como Sor Arthur Dayne, mas é o oposto da natureza cavalheiresca de Dayne. Shagwell é um bobo da corte psicótico sempre fazendo piadas sombrias, enquanto a única coisa que sabemos sobre Sor Oswell Whent é que ele era conhecido por "seu humor negro".
Assim como ocorreu na Torre da Alegria, há uma discussão antes da luta, mas, embora a Guarda Real tenha deixado claro que não iria fugir pelo mar estreito, é exatamente isso que os três malditos saltimbancos estão tentando fazer.
Brienne só tem dois homens consigo quando defronta os três, Podrick e Lesto Dick. No entanto, este é outro sete oculto. Sor Creighton Longbough, Sor Illifer, o Sem-Vintém, Sor Shadrich de Vale Sombrio e Sor Hyle Hunt também eram seus companheiros, mas ela os deixou para trás.
Brienne partiu em sua jornada com um escudo com o brasão dos Lothston, o mesmo morcego de Harrenhal que estava no elmo e brasão de Whent na Torre da Alegria. No entanto, no momento em que ela chega à torre há muito caída, ela provindenciou que seu escudo fosse repintado com o brasão de Duncan, o Alto, que incluia uma estrela cadente como a de Dayne. Ela é indicada a um pintor perto de uma taverna chamada Sete Espadas, batizada em virtude de sete guarda reais.

O ritual do gelo?

Considerando-se o foco em mantos e guardas reais, certamente devemos esperar que haja uma cena com três capas pretas em algum lugar. Talvez com três capas pretas em vez de brancas poderíamos esperar uma inversão: um ritual de gelo em vez de um ritual de fogo.
Existe a possibilidade de termos visto isso logo no início. De volta ao prólogo da A Guerra dos Tronos, vimos três mantos pretos em uma patrulha. Aqui, somos informados de que "nada queima como o frio". Sor Waymar Royce diz "não haverá fogo", as mesmas palavras repetidas momentos depois por Gared. Poderia ser essa a inversão, do ritual de gelo, que estamos procurando?
" O céu sem nuvens tomou um profundo tom de púrpura, a cor de uma velha mancha escura" poderia ser o equivalente gelado da iconografia de sangue/céu que vimos em outras passagens. Temos as oito mortes nos oito Selvagens mortos que os patrulheiros encontram. Temos imagens sombrias: " Sombras pálidas que deslizavam pela floresta. Virou a cabeça, viu de relance uma sombra branca na escuridão." Estranhamente, só consegui contar seis Outros, não sete - a menos que Royce conte para os dois times, depois de morto. “Will viu seus olhos, azuis, mais profundos e mais azuis do que quaisquer olhos humanos, de um azul que queimava como gelo” parece combinar com "azul como os olhos da morte". Sobre a espada de Dayne, Alvorada, nos contam que " A lâmina era pálida como vidro leitoso, viva de luz". Da mesma forma, o líder Outros aqui tem uma "espada pálida", "viva de luar". [...]
“Uma vez e outra, as espadas encontraram-se”, mas depois que o Outro tira sangue, “O golpe do Outro foi quase displicente” e a espada de Royce se despedaça. Quando Royce cai, os Outros se juntam "como que em resposta a um sinal". Poderia ser outro ritual de sacrifício de sangue que fortalece as lâminas dos Outros?
----------------------------------------------------------
Arquimeistre Rigney escreveu um dia que a história é uma roda, pois a natureza do homem é fundamentalmente imutável. O que aconteceu antes irá forçosamente voltar a acontecer, ele disse.
(AFFC, A Filha da lula Gigante) [...]

Observações e especulações

Eu disse no começo que isso é mais observação do que teoria. Tenho muitas idéias que derivam desse conjunto de observações, mas nenhuma teoria firme para extrair de tudo isso. Portanto, não apresentarei uma conclusão para este ensaio, mas sim algumas observações e especulações adicionais que, espero, inflamarão as suas. Apresento tudo isso na esperança de que alguns de vocês possam entender mais do que eu tenho entendido até agora. Espero que desencadeie algumas discussões realmente boas.
1- Muitos desses eventos dizem respeito ao nascimento de dragões. Vaufreixo viu Egg revelado como um dragão, enquanto Alvasparedes era sobre um dragão nascido da pedra. Verão viu a imagem de um dragão saindo das chamas de Winterfell. Cersei perguntou sobre as crianças meio dragão que ela teria com Rhaegar. O filho meio dragão de Dany acabou por ser literalmente meio dragão e, quando ela terminou o ritual, seus três ovos eclodiram em dragões mais literais. Acho que isso nos dá uma boa razão para suspeitar que um meio-dragão também nasceu na Torre da Alegria.
2- Há um forte rastro de sangue mágico percorrendo esses ecos. Cersei tem que se desfazer de um pouco de seu sangue, os homens de Jaime são obrigados a matar os de Ned para enviar uma mensagem, Lewin rasteja para a árvore coração para morrer, repetindo acidentalmente a antiga tradição de sacrifício de sangue em um represeiro que Bran testemunha em suas visões. O mais óbvio para o sacrifício de sangue é, claro, o ritual na tenda. Eu me pergunto se isso não realiza a ideia do sacrifício de “dois reis para acordar o dragão”. A princípio, pode parecer que Rhaego morrendo antes de Drogo contradiz “O pai primeiro e depois o filho, para que ambos os reis morram”, mas se o espírito de Rhaego entrou no corpo de Drogo, então, sem dúvida, ambos estão vivendo como rei na hora da morte. Uma alternativa poderia ser que isso é como a questão dos dragões e do gênero, um caso de interpretação incorreta. Ninguém realmente precisa ser coroado rei para ter sangue do rei, então talvez qualquer pai e filho da realeza satisfaça.
Com isso em mente, pode ser que a Torre da Alegria represente uma versão interrompida do mesmo ritual. Rhaegar morreu no Tridente e seu corpo foi queimado. Para completar o ritual então, devemos esperar ver seu filho queimado também. Há uma boa razão para pensar que isso está prestes a acontecer, com Melissandre queimando o corpo de Jon na Muralha. Haverá outra eclosão quando o ritual iniciado na Torre da Alegria for concluído? “Mate o menino...”
3- Há um maegi na tenda de Cersei, bem como havia na de Drogo. Há um meistre na queima de Winterfell e na Fortaleza de Maegor. Também pode haver uma figura semelhante em Alvasparedes. Isso é completamente especulativo, é claro, mas há uma tropa de anões que aparentemente são agentes de Corvo de Sangue que roubam o ovo do dragão. Um desses anões poderia ter sido o Fantasma do Coração Alto? Howland Reed, com seu treinamento de vidente verde, pode ter desempenhado um papel semelhante na Torre da Alegria. Outra possibilidade intrigante é que o Fantasma pode ter sido trazido para a Torre da Alegria das Terras Fluviais com Lyanna. Quando Arya encontra o Fantasma no Coração Alto, o Fantasma já sabe quem ela é, mas reage com consternação ao vê-la de perto. Talvez seja porque a aparência de Arya lembrava a de Lyanna? Isso poderia responder perfeitamente à pergunta de quem estava cuidando de Lyanna e quem eram “eles” que encontraram Ned com Lyanna, quando apenas Howland havia sobrevivido.
4- Solarestival pode ter sido outro desses eventos. Temos muito poucos detalhes, mas sabemos que pelo menos um guarda real estava lá, Duncan, o Alto, que parece estar envolvido nesses ecos de alguma forma. Após a morte de Duncan em Solarestival, o comando da Guarda Real passou para Sor Gerold Hightower, descrito em O Mundo de Gelo e Fogo como o novo jovem comandante. É razoável especular que Dunk não foi a única fatalidade da guarda real ali, ou podemos esperar que uma guarda real mais velho ocupasse o lugar de Dunk. Será que haviam três lá? Havia sete ovos, talvez como os sete que enfrentavam os três. Temos um presente de bruxa da floresta e um castelo queimado até o chão. Da canção de Jenny, temos “
No alto dos salões dos reis que partiram, Jenny dançava com os seus fantasmas...“. O que pode trazer à mente as sombras dançando na tenda. Temos a morte de um rei e o nascimento de um dragão, Rhaegar. Podemos especular que Duncan, o Alto, o pobre Dunk, o Pateta, apesar de ter vivido mais desses ecos do que qualquer um, atrapalhou os dragões de eclodirem ao resgatar Rhaegar.
O que sabemos sobre Solarestival é que a intenção de Jaehaerys era cumprir uma profecia sobre a criação de dragões, e isso por si só se encaixa no simbolismo que temos aqui. Sabemos que Rhaegar tinha motivos para acreditar que ele era o príncipe nascido em meio a sal e fumaça por causa de Solarestival, então ele achou importante. Obviamente, isso é algo altamente especulativo, mas se descobrirmos que havia três guardas reais em Solarestival, reservo-me no direito de dizer “eu avisei”!
5- A idéia de Targaryens bebendo fogovivo para se tornar dragões sempre pareceu plenamente louca. Talvez eles soubessem mais do que nós, e estavam tentando se tornar o homem em chamas, que cavalga no cavalo de fogo?
6- Me pergunto se o garanhão vermelho é um símbolo do cavalo-em-chamas. Dizem-nos que os dothraki acreditam que as estrelas são cavalos de fogo. É interessante considerar que um dragão também é um cavalo de fogo. Pode ser que em algum sistema totêmico, o advento dos cavaleiros de dragão Targaryen significasse que o dragão veio substituir o cavalo de fogo.
7- Há muito simbolismo animal envolvido, frequentemente repetido em vários desses eventos. Gostaria de saber se isso representa algum panteão antigo de divindades animistas: O Urso, o Javali, o Veado, o Lobo, o Morcego, o Touro, o cavalo em chamas / homem em chamas (cavalo e cavaleiro em chamas?
8- O aviso de GRRM sobre o sonho febril na Torre da Alegria, de que não devemos interpretar muito literalmente, é interessante, pois pode refletir o GRRM nos alertando que o que vimos não é a realidade mundana que vimos em outros momentos.
9- A semelhança entre o seqüestro do irmão de Jaime e o seqüestro da irmã de Ned pode ser motivo para pensar que Lyanna foi sequestrada na Estalagem da Encruzilhada. Isso criaria uma simetria interessante de eventos, já que o Vau Rubi, onde Rhaegar morreu, está ali próximo.
10- Existem sobreposições e diferenças, mas podemos começar a considerar uma lista de sinais que parecem ser compartilhados por vários exemplos diferentes:
submitted by altovaliriano to Valiria [link] [comments]


2020.05.04 07:27 louis_uwu Eu sou babaca por não querer chamar uma "amiga" minha pra minha festa de aniversario? (titulo alternativo: desabafo sobre uma péssima amiga)

Ent é o seguinte: esse ano eu vou fazer 18 (yay :D) e eu queria fazer pelo menos uma festinha pra comemorar com os meus amigos e ser feliz (eu não sei se vai dar por causa do corona virus mas eu tenho esperanças de poder fazer pelo menos alguma coisa por volta de agosto).
A principio vcs provavelmente estão pensando "ah se vc ta comemorando 18 ent vai ter bebidas alcoólicas na sua festa ne?" e bem a resposta pra isso é um grandessisimo não...Eu tenho dois motivos, o primeiro é que eu não tenho interesse por beber esse tipo de coisa e o segundo (e o mais importante eu diria) é q eu sou a mais velha dos meus amigos, ou seja, eu vou fazer 18 antes deles, ou seja, eu vou ser a única q pode (legalmente) beber, e bom...apesar de eu ter no maximo 3 amigos meus q bebem esse tipo de coisa com uma certa "frequência" eu não quero ser responsável se alguma merda acontecer por causa de bebida, eu quero que a minha festa ocorra bem e eu n gostaria que nada de ruim acontecesse (obviamente).
O problema é q eu tenho essa "amiga" de longa data (amiga entre aspas pq eu cheguei num ponto q essa mulher fez tanta merda na minha vida q eu n consigo mais considerar ela minha amiga), teve uma vez q eu fui almoçar com a minha melhor amiga e essa minha "amiga" (eu vou chamar ela de Jessica pq sim) e no meio da conversa veio a tona o assunto do meu aniversario e a primeira coisa q a Jessica fala é "nossa eu vou te trazer uma cerveja X q vc vai AMAR vc vai ver" e eu fiquei tipo "amada??? eu n quero nn, pf n traga isso na minha festa" mas a criatura ficou insistindo falando "Eu vou trazer siim, vc vai gostar eu vou te fazer tomar isso" e eu (q ja tinha avisado q n queria) fiquei pistola, mas eu fiquei na minha pra n tretar a toa.
Dps dessa eu decidi n chamar ela pro meu aniversario, eu pedi varias vezes pra ela parar de insistir mas ela continua nessa e ela n ta respeitando o q eu falei.
Bom pra ser honesta esse não é o único motivo no qual eu n quero chamar ela, tipo ela pode ate ser uma "amiga" de longa data mas isso n justifica dela ser uma péssima amiga. Só pra vcs terem uma noção entre as coisas q ela ja fez/ja disse a queridona me trata como se eu fosse a "ultima opção" ou como um "reclame aqui"*, parece q ela só lembra da minha existência quando ela acaba completamente com alguma amizade dela (ela ainda tem a pachorra de falar q nada foi culpa dela e de agir como se nada tivesse acontecido) o pior é q ela quer ser tratada como se a amizade dela fosse um presente de deus enquanto q ela trata as amizades dela como se n fossem nada (se eu fosse resumir em outras palavras eu diria q ela quer "mais" do q ela realmente pode "dar"), parece q ela nem se da ao trabalho de me ver como amiga ve como
A questão é q eu sei q se eu fizer uma festa e ousar n chamar ela a Jessica provavelmente vai me cobrar falando q ela é importante e q eu n valorizo a amizade dela (como eu posso valorizar a amizade dela se ela parece n valorizar a minha pra começo de conversa -_-) e eu tenho certeza q ela vai criar um puta drama em cima disso, nao q isso seja algo preocupante é q eu não gostaria de criar uma treta por causa disso, isso n significa q eu va convidar ela claro, primeiro q eu n sou obrigada e dps q n é legal ja q convidar alguém q vc n quer por obrigação alem de n ser justo com vc n é justo com a pessoa q vc foi forçado a convidar
Enfim esse foi o meu desabafo a pergunta q fica é: como eu faço pra não dar um soco nessa criatura dps q acabar essa quarentena
submitted by louis_uwu to desabafos [link] [comments]


2020.04.06 04:26 Amplix18 Talvez meu relacionamento acabe por causa da minha sogra

BACK HISTORY: desde que eu comecei a namorar eu nunca gostei da minha sogra, ela é MUITO intrometida no nosso namoro e na vida da minha namorada também. Eu não gosto de ir na casa da minha namorada por esse motivo, embora em 2018 eu tenha ido lá praticamente toda semana, eu ia na força do amor pela minha namorada. Sem querer parecer soberbo ou desumilde mas a casa da minha namorada não é muito agradável, para começar ela vive com a sobrinha dela lá que é uma garota extremamente chata e mal-educada pra caralho... algumas coisas que ela faz são: não deixa eu e a minha namorada conversar em paz, se intromete na conversa, xinga minha namorada de vadia/piranha, e as vezes até xinga a avó(mãe da minha namorada) mas os xingamentos são mais leves tipo idiota, velha, etc e a minha sogra simplesmente NÃO FAZ NADA... e ela só tem 11 anos. eu ainda não entendo pq ela vive lá e a mãe dela vive em outro lugar e só vê a pirralha de vez em quando. teve até uma vez que ela e minha namorada(19) saíram no tapa na sala comigo e a minha sogra estando lá, e minha sogra falou bem isso "deixa elas extravasarem, faz bem pra mente", uma situação deplorável. A varanda da frente da casa dela está com um cheiro horrivel de mijo, já que tem areia para obra lá, na maioria das vezes que eu vou lá a casa está uma bagunça, não podemos ficar no quarto pq a mãe dela não deixa e nem na sala pq ela fica com o rabo sentado na sala quase o dia inteiro vendo novela/jornal e fica me olhando com uma cara estranha. A única opção é a varanda da parte de trás para nós ficarmos lá conversando. A partir de 2019 eu parei de ir lá e minha namorada ficou indo na minha casa (ela ia feliz e eu não obrigava ela a vir). Eu prefiro que ela venha aqui do que eu ir lá pq na minha casa temos muito mais liberdade, podemos ver videos,musicas,netflix na TV, jogar video-game, eu encomendo lanche que ela gosta etc... e sem contar que podemos transar aqui de vez em quando, coisa que é quase impossivel de se fazer lá. A mãe dela começou a vir aqui em casa sem avisar e perturbando meus pais falando que isso estava errado e que eu que deveria ir lá não ao contrário e que ela quase não me via mais. Essa mulher é tão chata que nem minha familia gosta dela. avançando um pouco a historia, na quinta, depois da mãe dela vir aqui mais uma vez encher o saco pedindo para eu ir lá, eu cedi e acabei indo no sábado. Sinceramente, foi extremamente chato e entediante, não me entendam do jeito errado, eu fui lá pra ficar com a minha namorada mas estava um TÉDIO fudido, ficamos sentados na varanda de tarde até 7:40(horario que meu pai disse pra sair de lá pq ela mora dentro de uma favela perigosa). e hoje quando minha namorada veio aqui, as 7:40 a mãe dela ligou e mandou ela ir embora pq já estava na hora(eu levo minha namorada em casa as 9)... isso foi uma indireta pra mim... uma coisa de criança, ela nunca fez isso e agora fez... Sinceramente ela é uma sogra horrivel e eu odeio ela. Minha namorada ainda se deixa ser controlada pela mãe e isso me irrita muito... eu não quero que ela desobedeça a mãe, só quero que ela questione, coisa que ela nem sequer faz e me deixa puto da vida. Eu tenho certeza que se um dia nós terminarmos, vai ter dedo dessa velha fudida ai no meio.
submitted by Amplix18 to desabafos [link] [comments]


2020.04.05 03:15 samreachers O tempero colombiano - Um conto/crônica para tirar você do sério, no melhor dos sentidos

Nos ribombares da pandemônica década de 60, meu pai, Mário Pedro da Silva, chegou ao estado do Rio, vindo da doce e estacionária vida em Arapongas, no interior do Paraná. Vinha em busca de glória e fama: sonhava ser ator. Ou cantar no rádio. Ou uma ponte que o levasse à Hollywood. Ou você pensou que a parte carnavalesca de meu nome, “Sammis Reachers Cristence” Silva, veio de uma inspiração superior? Talvez descendente de abnegados missionários ingleses, ou colonos alemães avermelhados pelo sol e pelo solo paranaense? Que tal de Herbert Richers, o falido e antes onipresente empresário da dublagem televisa (“Versão brasileira: Herbert Richers”, lembra?). Veio dos nomes nos créditos finais dos filmes que ele, meu velho jovem pai, amava, na pacatitude da já citada Arapongas, onde o cinema era tudo o que havia, a bacia das almas.
Bem, após alguns meses desavisadamente fustigantes na efervescência da capital, a inadequação de nosso herói mambembe encontrou refrigério inesperado quando ele foi convidado para ver “aquela cidade ali, do outro lado da baía”. Atravessando as águas turvazuis da Guanabara, o jovem paranaense teve uma iluminação ao conhecer a cidade onde eu vim a nascer (epa, spoiler!). A calmaria da Niterói ainda em sua meia idade lhe lembrava de alguma forma o Paraná pacatizado, pacativante, e a paixão assomou aos olhos do aspirante a James Dean.
Em pouco tempo Mario estava de mala e calça boca de sino alugando quarto de pensão em Icaraí, naquela época o bairro (que já era nobre) que reunia o melhor consórcio de aprazibilidade e centralidade.
Em pouco tempo meu pai conseguiu emprego na cidade sorriso e pôs-se a fazer amigos. Na própria pensão em que se instalara, havia os mais diferentes tipos.
A tal pensão tinha sua legislação, como é (epa, ao menos era) de praxe em tais repúblicas. Nada de mulheres; nada de cozinhar nos quartos; divisão de quartos? No máximo entre dois homens.
A dona da pensão era o coração pulsante do lugar, e ela mesma uma figura da mais relevante singularidade. Bogotana, filha da Bogotá de nossa vizinha Colômbia, ninguém nunca soube o que ela viera fazer naqueles idos por aqui. A suspeita que liderava as pesquisas era que a agora velha Consuelo, jovem ainda havia se apaixonado por algum cafajeste viajor, que a trouxera para as paragens braileñas, e aqui a abandonara à própria e mala sorte.
Era ela, a querida de todos na pensão, que proporcionava o momento mágico da vida daqueles senhores, homens e rapazes que ali habitavam, durante o jantar (a pensão servia apenas café da manhã, simplório, e jantar. O almoço cada um tinha que filar ou comprar em outras paragens). A comida, sempre exuberantemente saborosa, mesmo nos dias de maior frugalidade, entorpecia os ânimos e estômagos de todos aqueles que, felizardos, a provassem. Uma cozinha primorosa, cercada como convém de segredos (era terminantemente proibido que enxeridos penetrassem na casa de dona Consuelo durante a elaboração dos pratos) e com doces toques de exotismo era ali praticada; uma cozinha que merecia até estar aberta ao público, e mais, a um público mais seleto do que àquela coletânea de solteiros que se refastelava nas panelas. Solteiros que, cientes da bênção que era sorver aquela cozinha encantadora, segredavam entre si o privilégio que era morar naquele lugar, se por mais nada, ao menos pela comida fulminante. Contrariados, evitavam estender-se em elogios, embora os mesmos fossem algo inevitáveis: temiam que a boa senhora abrisse um restaurante, caso em que certamente faria imediata fortuna, e de uma única e mesma facada lhes fosse surrupiada a estalagem e a boa comida...
Após o repasto, a alegria descia sobre os agregados; as conversas se expandiam. Tímidos passavam a palrar como canários; os já faladores eram então insuflados a animadores de auditório. As cantorias tomavam o ar de torneios, de “Festivais da Canção” onde duelavam-se sorridentes convivas. Havia algo de mágico naquele ambiente, e era sempre após o jantar que aquela magia socializadora ou destimidizadora parecia explodir.
Certa feita o silencioso Abelardo, aprendiz de oculista, e que normalmente mal despachava um “bom dia, boa noite” aos companheiros de pensão, pôs-se a rodopiar em dança, solitário, olhos cerrados, como que arrebatado; seu bailar, aplaudido pelos demais, estendeu-se portão afora da república – e lá foi o Abelardo, antes tímido que só ele, dançarolando pela calçada, ao som de algum acompanhamento musical que só ele ouvia (pois não havia música a tocar), para espanto dos poucos transeuntes daquele trecho.
E o Fernando, policial turrão e engomado, príncipe da empáfia e da arrogância militaresca, que, sempre que tocado pelos benfazejos vapores do jantar, punha-se a pedir perdão aos companheiros por seu comportamento usualmente arrogante? Certa feita receitou, de improviso, um belo poemeto em honra da amizade, declamação que o levou embaraçosamente aos soluços lacrimais.
Mas o efeito mais bizarro daquela felicidade pós-banquetal se dava sobre o Rui, pernambucano cabo da Marinha de Guerra, varonil mulherista e mui cioso de sua elevada posição (cabo, como disse) na hierarquia militar. O brincalhão e pretensamente galanteador marujo, negro de média estatura, peitoral proeminente, belos olhos de um castanho claro que ele alegava serem os terrores do mulheril, quando de barriga cheia e engolfado pelo clima descontraído que se sucedia àqueles jantares, ganhava um brilho diferente no olhar. Primeiro era seu riso, que se alongava; em seguida suas gesticulações passavam a ganhar mais vida, mais curvas; a marcialidade de seus movimentos cambiava para uma leveza quase... quase feminina. E assim, sorrindo largamente até as gargalhadas, traquejando com inesperada malemolência, o Rui, agora levantado de sua cadeira, passava então a apertar e massagear os ombros dos amigos, alisando os cabelos de um aqui, ajeitando a gola de outro ali... O que no princípio inevitavelmente descambou em algumas confusões, mas rapidamente aquela “transformação” foi absorvida pela geleia geral daquele festim diário de pós-expedientes.
O desenlace de nossa historieta teve seu início com o aperto e a correspondente esperteza de meu pai: conhecedor da proibição de cozinhar nos quartos, o jovem paranaense, talvez contaminado pela mítica malandragem carioca, resolveu transgredir a lei em nome da economia: conseguindo um pequeno fogareiro de um bocal, movido à prosaico querosene, passou a cozinhar pequenas porções de macarrão ou outras basicalidades dentro do quarto; para isso, todos os dias na hora do almoço voltava para a pensão a título de descansar justamente o “almoço” que alegara já ter consumido no centro de Niterói...
Em pouco tempo nosso herói, tão inábil na cozinha quanto um cego, passou a ressentir-se de ter que comer seu macarrão ou arroz ou o que fosse sempre maculado pela mais insossa sem-saboria. Já não sabia cozinhar; “mal” acostumado que ali fora a uma cozinha dos deuses, amargava cada colherada de sua própria comida como um condenado.
Um dia o estudante autodidata de inglês, que ainda sonhava em conhecer Hollywood, teve um insight: e se ele conseguisse dar uma expiada na dona Consuelo enquanto ela cozinhava? A velha era irredutível nesse ponto, mas ele poderia bolar algum tipo de burla para conferir como aquela maga temperava suas comidas. Não deveria ser tão difícil. Nosso mais novo malandro já não suportava a tortura de almoçar sola de sapato e jantar manjares e ambrosias...
Um belo dia meu pai saiu um pouco mais cedo do trabalho (nesta época já trabalhava como contínuo na Facit, no centro de Niterói) e dirigiu-se para a pensão. Ali, esgueirou-se pela parte detrás daquele conjunto de quartos, já com um tamborete nas mãos, para dar altura à pequena janela que fundeava a cozinha da velha, e lá se espichou ele para observar qual o segredo dos temperos da dona Consuelo. Observou por um tempo considerável enquanto a velha picava carne para um ensopadinho, cozinhava uma formidável panela de arroz e remexia um feijão que estranhamente não levava alho, mas ficava sempre delicioso. A atenção do malandrete estava concentrada no momento das temperanças, pois ali ele esperava descobrir ao menos algo que pudesse replicar, ainda que porcamente, a fim de mitigar o gosto já intragável de sua comida.
Pendurado e atento em seu tamborete, o jovem viu a idosa estrangeira sacar de dentro de um armário uma chusma de matos diversos. A velhinha pôs-se a picar bem finas algumas folhagens; meu pai estava atento: pôde reconhecer cebolinha, aipo e talvez cardamomo. Mas então a matrona bogotense ou bogotana apanhou um grande pote plástico e dele sacou uma outra erva. A velha espremeu algumas das estranhas folhas nos dedos, e pareceu sorver seu aroma por alguns instantes; depois pôs-se a arrancar pedaços daquelas folhas estreladas e jogar dentro de todas as panelas que tremelicavam no fogão.
O ex-matuto de roça e aprendiz de haute coisine já havia visto aquela erva fina, mas não fora nas pequenas roças de fundo de quintal naquela terra roxa e fértil do Paraná, nem nas vendas e armazéns, quando sua madrasta lhe mandava ir até lá comprar este ou aquele item; quem lhe mostrara aquele tipo de tempero fora Fernando, o policial ferrabrás, que certa feita exibia numa revista de sua corporação imagens daquela exótica planta, tão em moda naqueles idos da década de 60. O desconcerto da informação, sub-reptícia e algo dura de equalizar, derrubou meu jovem pai estatelado no chão.
Enquanto caia de sua banqueta, num daqueles fenômenos de slow motion que gostam de acontecer nos momentos dramáticos de nossas vidas, o jovem cinéfilo paranaense revira em flashback toda aquela espalhafatosa alegria pós-pasto; a música, as piadas, o gracejos e traquejos e a felicidade quase mágicas que assomavam a todos os republicanos da pensão de dona Consuelo. O motivo estava agora claro, pensava o magricela enquanto pranchava suas costelas contra alguns pedregulhos do chão.
Sabe-se lá por que cargas d’água (e a que custo, meu Deus, a que custo!), dona Consuelo temperava todos os seus pratos com frescas folhas de maconha...
* * * * * *
Deglutidos os embaraços, o jovem migrante paranaense não pensou uma segunda vez. Reuniu seus vinténs e avançou ainda mais mato adentro: Comprou uma caxanguinha em nossa São Gonçalo, longe dos exóticos temperos colombianos. Bem, nem tão longe assim, mas essa história todos conhecemos...
- https://marocidental.blogspot.com/
submitted by samreachers to brasilivre [link] [comments]


2020.04.04 04:52 altovaliriano A Grande Conspiração Nortenha - Parte 6

Texto original: https://zincpiccalilli.tumblr.com/post/53563214511
Autores: Vários usuários do Forum of Ice and Fire, mas compilado por Yaede.
Índices de partes traduzidas: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5, Parte 6

--------------------------------------------------

A Dama Faz Protestos Demasiados

No episódio anterior de A Grande Conspiração do Norte, Harwood Stout, juramentado a Lady Dustin, foi visto conversando baixinho com Terror das Rameiras Umber, um conhecido “sócio” de Lorde Manderly desde A Fúria dos Reis. Do que eles falaram? Não procure para além do tour guiado por Lady Dustin às criptas de Winterfell no final do capítulo.
Theon vagueia sem rumo por algum tempo após o desjejum, atravessando as partes destruidas do castelo, subindo para as ameias e confessando no bosque sagrado. Durante esse mesmo período, a Senhora Dustin manda seus homens procurarem nas adegas, até nas masmorras, a entrada para as criptas. Seguindo as instruções de Theon, eles encontram essa entrada e passam meia hora cavando neve e entulho para descobrir a porta congelada, que precisou ser aberta com um machado. Todo esse esforço foi feito apenas para que ela se apresentasse um queixa antiga tendo apenas pedra fria, Theon e os silenciosos mortos como companhia. Que outro motivo a Senhora Dustin poderia ter para visitar as criptas?
Segundo a teoria, ela teria acabado de ouvir de Manderly (quem ouviu de Stout e Terror das Rameiras) que Bran e Rickon sobreviveram. Os meninos, Osha, Jojen, Meera e Hodor fugiram de seus perseguidores, escondendo-se nas criptas. É o que Bran conta ao moribundo meistre Luwin, enquanto Wex espia de seu esconderijo na árvore coração. O grupo de Bran também deixa evidências de sua estadia.
Osha levava sua longa lança de carvalho numa mão e o archote na outra. Uma espada nua pendia de suas costas, uma das últimas a ostentar a marca de Mikken. Forjara-a para a sepultura do Lorde Eddard, para deixar seu fantasma em descanso. Mas com Mikken morto e os homens de ferro de guarda no arsenal, era difícil resistir a bom aço, mesmo se implicasse assaltar uma tumba. Meera tinha ficado com a lâmina de Lorde Rickard, apesar de se queixar de seu peso. Bran ficou com a do seu homônimo, a espada feita para o tio que nunca conhecera.
(ACOK, Bran VII)
Até Hodor rouba uma espada ao sair.
O cavalariço tinha se esquecido de sua espada, mas agora se lembrara.
– Hodor! – exclamou. Foi buscar a arma.
Tinham três espadas mortuárias que trouxeramdas criptas de Winterfell quando Bran e o irmão Rickon se esconderam dos homens de ferro de Theon Greyjoy. Bran ficou com a espada do tio Brandon; Meera, com aquela que encontrara sobre os joelhos do avô, Lorde Rickard. A lâmina de Hodor era muito mais velha, um enorme e pesado pedaço de ferro, embotado por séculos de negligência e cheio de pontos de ferrugem.
(ASOS, Bran I)
Enquanto estava nas criptas com Theon, a Senhora Dustin nota especificamente as espadas que faltam.
– Aquele rei perdeu sua espada – a Senhora Dustin observou.
Era verdade. Theon não se lembrava que rei era aquele, mas a espada longa que devia segurar se fora. Marcas de ferrugem permaneciam para mostrar o lugar em que a lâmina estivera. [...] Seguiram adiante. O rosto de Barbrey Dustin parecia mais duro a cada passo. Ela não gosta deste lugar tanto quanto eu. Theon se ouviu falando:
– Minha senhora, por que odeia os Stark?
Ela o estudou.
– Pela mesma razão que você os ama. [...] Por que você ama os Stark?
– Eu... – Theon colocou uma mão enluvada contra um pilar. – ... eu queria ser um deles...
– E nunca pôde. Temos mais em comum do que imagina, meu senhor. Mas venha.
Apenas um pouco adiante, três tumbas estavam agrupadas juntas. Foi lá que pararam.
– Lorde Rickard – a Senhora Dustin observou, estudando a figura central. A estátua pairava sobre eles; rosto comprido, barbado, solene. Tinha os mesmos olhos de pedra dos demais, mas os seus pareciam tristes. – Ele tampouco possui uma espada.
Era verdade.
– Alguém esteve aqui embaixo roubando espadas. A de Brandon se foi também"Aquele rei está sentindo falta da espada", observou Lady Dustin.
(ADWD, O Vira-casaca)
Suponhamos que o verdadeiro objetivo da Senhora Dustin nas criptas seja confirmar a história de Wex. O que ela conta a Theon sobre sua história pessoal com os Starks não é mentira, é claro, mas também serve como cortina de fumaça para suas investigações, caso Ramsay (ou, pior ainda, Roose) questione suas ações. Embora a Senhora Dustin avise Theon para não repetir nada do que ela disse, ela deve saber que ele falharia na tentativa de manter segredos dos Bolton, se eles perguntassem abertamente. Theon e sua crença de que ela odeia os Starks são seu álibi.
No entanto, Roose parece ter certeza da lealdade da Senhora Dustin à Casa Bolton. Por que ela o abandonaria? Para começar, o que quer que os Starks tenham cometido com ela não muda o fato de que Rickard, Brandon e (agora) Ned estão todos mortos. Portanto, não são mais alvos satisfatórios de seu ressentimento. É verdade que a Senhora Dustin ainda pode guardar rancor contra os Starks. Porém não tanto quanto por Ramsay. A Senhora Dustin despreza Ramsay, e o sentimento é inteiramente mútuo.
– Deveria ter sido você a organizar o banquete, para celebrar meu retorno – Ramsay reclamou –, e deveria ter sido no Solar Acidentado, não nessa latrina de castelo.
– Solar Acidentado e suas cozinhas não estão a minha disposição – seu pai disse suavemente. – Sou apenas um convidado lá. O castelo e a cidade pertencem à Senhora Dustin, e ela não pode sustentá-lo lá.
O rosto de Ramsay ficou sombrio.
– Se eu cortar as tetas dela e der de comer para minhas garotas, ela me sustentará então? Ela me sustentará se eu arrancar a pele dela para fazer um par de botas para mim?
– Improvável. E essas botas sairiam caras. Elas nos custariam Vila Acidentada, a Casa Dustin e os Ryswell. – Roose Bolton sentou-se do outro lado da mesa, de frente para o filho. – Barbrey Dustin é a irmã mais nova da minha segunda esposa, filha de Rodrik Ryswell, irmã de Roger, Rickard e do meu homônimo Roose, prima dos outros Ryswell. Ela gostava do meu falecido filho e suspeita que você tenha alguma coisa a ver com a morte dele. A Senhora Barbrey é uma mulher que sabe nutrir uma mágoa. Seja grato por isso. Vila Acidentada é leal aos Bolton em grande parte porque ela ainda culpa Ned Stark pela morte do marido.
Leal? – Ramsay fervilhava. – Tudo o que ela faz é cuspir em mim. Chegará o dia em que colocarei fogo em sua preciosa cidade de madeira. Deixe ela cuspir nisso, para ver se apaga as chamas.
(ADWD, Fedor III)
O fato de Ramsay ter assassinado Domeric Bolton a sangue frio é um dos segredos mais mal guardados do Norte. Acho que a Senhora Dustin prefere que a justiça seja feita contra o assassino de seu amado sobrinho do que, em nome de sua vingança contra os Starks, continuar a apoiar um regime que legitima Ramsay como herdeiro. De todo modo, os Stark nem seriam culpados pela morte de seu marido, já que Lorde Dustin decide ir para o sul por seu próprio orgulho.
Além disso, a Senhora Dustin não estaria sozinha em sofrer se Ramsay herdarsse, legalmente ou não, o controle do norte. Vila Acidentada e seus habitantes poderão ser vítimas da ira indiscriminada de Ramsay, e os senhores menores sob a proteção dela, como Stout, provavelmente não se sairão muito melhor. No caso improvável de que Ramsay de alguma forma se contenha de responder ofensas passadas com fúria assassina, ele ainda não demostrou ter interesse em colocar o bem-estar de suas terras e povo sobre seu próprio bel-prazer egoísta. Tudo o que se pode dizer sobre os Starks, bons ou ruins, é que eles são governantes justos e nos quais pode-se confiar para proverem o Norte durante um inverno rigoroso, como fizeram por milhares de anos.
Por fim, a Senhora Dustin traça paralelos entre Theon e ela mesma. Theon, que percebeu que nunca odiava verdadeiramente os Starks. Ele os amava como a única família que conheceu e estava rancoroso por não poder ser um deles por completo. Faz dezesseis anos desde a Rebelião de Robert. Certamente, a Senhora Dustin fez uma pequena auot-reflexão e possivelmente chegou à mesma conclusão que Theon? Ela amava Brandon e talvez Lyanna também, como uma irmã, sendo ambas selvagens, ferozes e bonitas?
Em minha opinião, quando ela sai das criptas, a Senhora Dustin teria decidido participar da conspiração de Manderly. E ela traz os Ryswells consigo.
Há algum indício sobre a mudança de fidelidade da Senhora Dustin e Ryswell? Sim, de fato existem!
[Dustin:] E Lorde Wyman não é o único homem que perdeu um parente em seu Casamento Vermelho, Frey. Acha que o Terror-das-Rameiras tem algum bom sentimento por você? Se vocês não tivessem prendido Grande-Jon, ele teria arrancado suas entranhas e feito vocês comê-las, como a Senhora Hornwood comeu seus dedos. Flint, Cerwyn, Tallhart, Slate... todos tinham homens com o Jovem Lobo.
– A Casa Ryswell também – disse Roger Ryswell.
– Até os Dustin fora de Vila Acidentada – a Senhora Dustin separou seus lábios em um sorriso fino e selvagem. – O Norte se lembra, Frey.
(ADWD, Um fantasma em Winterfell)
Não apenas nós, leitores, ficamos sabendo que Ryswells e Dustins morreram no Casamento Vermelho, mas vimos a Senhora Dustin citar o slogan da vingança de Manderly para um Frey com um sorriso decididamente lupino.
– Para lutar com Lorde Stannis, temos que encontrá-lo primeiro – Roose Ryswell observou. – Nossos batedores saíram pelo Portão do Caçador, mas até agora nenhum deles retornou.
(ADWD, Um fantasma em Winterfell)
Batedores Ryswell? Agora, lembre-se de que uma teoria coloca Robett Glover como líder do segundo exército do Norte, fora dos muros de Winterfell, o qual teria subido a Faca Branca no rastro de Manderly e se aproximado sob a cobertura da tempestade de neve. Talvez esses batedores desaparecidos tenham ordens para entrar em contato com Glover e informá-lo sobre a evolução da coisa em Winterfell? Ao menos eles não foram encontrados, vivos ou mortos, pelos homens de Stannis.
– Qualquer homem lá fora, neste tempo, estará com o pau congelado. [riu Rickard Ryswell]
– Lorde Stannis está perdido na tempestade – disse a Senhora Dustin. – Está a quilômetros de distância, morto ou moribundo. Deixe o inverno fazer o pior. Alguns poucos dias e as neves enterrarão ele e seu exército.
E nós também, pensou Theon, impressionado com a tolice da mulher. A Senhora Barbrey era do Norte e deveria saber mais. Os velhos deuses estariam ouvindo.
(ADWD, Um fantasma em Winterfell)
Talvez ela saiba mais, mas está tentando ganhar tempo. Tanto para os conspiradores finalizarem seus preparativos quanto para Stannis chegue com um exército de reserva.
– O que está sugerindo, Frey? – O Senhor de Porto Branco secou a boca com a manga. – Não gosto do seu tom, sor. Não, nem um maldito bocado.
– Vá para o pátio, seu saco de sebo, e eu servirei todos os malditos bocados que seu estômago aguentar – disse Sor Hosteen.
Wyman Manderly riu, mas meia dúzia de seus cavaleiros ficou em pé ao mesmo tempo. Coube a Roger Ryswell e Barbrey Dustin acalmá-los com palavras apaziguadoras. Roose Bolton não disse nada. Mas Theon Greyjoy viu um olhar em seus olhos claros que nunca vira antes – uma inquietação e, até mesmo, uma pitada de temor.
(ADWD, Um fantasma em Winterfell)
Roose sabe há muito tempo que Manderly planeja uma traição (ADWD, Fedor III), mas o fato de que Lorde Wyman tenha abandonado a cautela, antagonizando abertamente os Freys durante a ceia, deveria sugerir que os planos de seus amigos estão alcançando o objetivo. E não acredito que Roose tenha certeza de quais são esses planos ou quem está envolvido neles, daí o medo inquieto que Theon observa.
Com Lady Dustin e os Ryswells a bordo, praticamente todas as Casas nortenhas em Winterfell se viraram contra os Boltons, deixando de fora os Freys, que neste momento são homens mortos andando. Manderly provacando os Frey no último POV de Theon pode ter sido um ato premeditado para estimular que Roose fizesse exatamente o que ele fez. Ou seja, enviar os homens de Frey e Porto Branco juntos para dar batalha a Stannis. Muito provavelmente, em minha opinião, as forças de Manderly darão um golpe nos Freys na primeira boa oportunidade que tiverem – digamos, depois que a vanguarda dos Frey cair em um lago congelado – depois debater com Stannis e os quatro mil nortenhos que ele tem sobre como tomar Winterfell e remover os Boltons do poder.

O Problema com Stannis Baratheon

Grande Jon Umber já teve uma coisa ou duas a dizer sobre Stannis.
Renly Baratheon não é nada para mim, e Stannis também não. Por que haveriam de governar a mim e aos meus de uma cadeira florida qualquer em Jardim de Cima ou Dorne? Que sabem eles da Muralha ou da Mata de Lobos, ou das sepulturas dos Primeiros Homens? Até os seus deuses estão errados. Que os Outros levem também os Lannister, já tive deles mais do que a minha conta – esticou a mão atrás do ombro e puxou a sua imensa e longa espada de duas mãos. – Por que não havemos de nos governar de novo a nós mesmos? Foi com os dragões que casamos, e os dragões estão todos mortos! – apontou com a lâmina para Robb. – Está ali o único rei perante o qual pretendo vergar o meu joelho, senhores – trovejou. – O Rei do Norte!
(AGOT, Catelyn XI)
Bem, como se vê, Stannis realmente conhece pouco sobre a Muralha e da Mata dos Lobos, mas está disposto a aprender, através de uma experiência dolorosa em primeira mão. Sua determinação corajosa em A Dança dos Dragões de ver o Norte livfre dos Boltons e Freys ganhou muitos admiradores. E, para esses e outros leitores, parecia completamente ingrato que os nortenhos subsequentemente rejeitem Stannis como seu rei em uma traição que certamente manchará para sempre a honra do norte.
Infelizmente para Stannis, no entanto, existem dois fatores principais trabalhando contra ele: 1) Seu deus vermelho, sempre faminto por sacrifícios, ainda é o errado. 2) Os nnortenhos simplesmente amam mais os Starks e não se importam com o Trono de Ferro.
Seis homens da rainha lutavam para colocar dois enormes postes de pinheiro em buracos que outros seis homens da rainha haviam cavado. Asha não teve que perguntar para que serviam. Ela sabia. Estacas. O anoitecer estaria sobre eles em breve, e o deus vermelho precisava ser alimentado. Uma oferenda de sangue e fogo, os homens da rainha chamavam, para que o Senhor da Luz possa voltar seus olhos de fogo sobre nós e derreter estas neves três vezes amaldiçoadas.
– Mesmo neste lugar de medo e escuridão, o Senhor da Luz nos protege – Sor Godry Farring disse para os homens que haviam se reunido para ver as estacas sendo marteladas dentro dos buracos.
– O que esse seu deus sulista tem a ver com a neve? – exigiu saber Artos Flint. Sua barba negra tinha uma crosta de gelo. – Isso é a ira dos antigos deuses sobre nós. É a eles que devemos agradar.
– Sim – disse Grande Balde Wull. – O Rahloo vermelho não significa nada aqui. Vocês apenas deixarão os antigos deuses mais zangados. [...]
Os quatro foram acorrentados de costas uns para os outros, dois em cada estaca. [...]À visão de Stannis, dois dos homens atados às estacas começaram a implorar por misericórdia. O rei ouviu em silêncio, sua mandíbula cerrada. Então disse para Godry Farring:
– Pode começar. [...]
Depois de um tempo, os gritos pararam. [...]
Clayton Suggs esgueirou-se ao lado dela.
– A boceta de ferro gostou do espetáculo? [...] A multidão será ainda maior quando for você se contorcendo na estaca. [...]
[Alysane:] A Senhora Asha não será queimada.
– Ela será – insistiu Suggs. – Já abrigamos essa adoradora do demônio entre nós por muito tempo. [...]
A Mulher-Ursa falou.
– E se você a queimar e a neve continuar a cair, e então? Quem queimará em seguida? Eu?
Asha não pôde segurar a língua.
– Por que não Sor Clayton? Talvez R’hllor goste de um dos seus. [...]
Sor Justin riu. Suggs achou menos graça.
– Aproveite suas risadinhas, Massey. Se a neve continuar a cair, veremos quem vai rir por último. – Olhou para os homens mortos nas estacas, sorriu e foi se juntar a Sor Godry e os outros homens da rainha. [...]
[Massey:] Se juntarão a mim [para cear], minhas senhoras?
Aly Mormont sacudiu a cabeça.
– Não tenho fome.
– Nem eu. Mas faria bem em engolir um pouco de carne de cavalo mesmo assim, ou em breve poderá desejar ter feito isso. [...]
Aly sacudiu a cabeça.
– Eu não.
(ADWD, O Sacrifício)
Eu penso que seja seguro concluir que Alysane Mormont não está impressionado com R'hllor, seus seguidores ou que o rei Stannis aprove práticas tão cruéis. Tampouco estão os homens do clã das montanhas. Curiosamente, no jantar, Artos Flint, Grande Balde Wull e o resto dos líderes dos clãs não são mencionados, possivelmente indicando que estão ausentes. Isso levou a algumas especulações de que a reunião de Alysane com os Liddles, Norreys, Wulls e Flints, cujos julgamentos iniciais de Stannis teria sido favorável enquanto ele comeu e bebu com eles.
Jon avisa Melisandre que os clãs das montanhas não admitirão insultos às suas árvores do coração (ADWD, Jon IV). Melisandre não acompanha Stannis a Winterfell, mas, no entanto, o devido respeito não foi pago aos deuses antigos. Pior ainda, com Flints e Norreys em Castelo Negro, as notícias poderiam muito bem se espalhar sobre como a sacerdotisa vermelha de Stannis e os homens da rainha forçam os selvagens a queimar pedaços dos represeiros sagrados do norte ao atravessar a Muralha (ADWD, Jon III). Os nortenhos estão dispostos a tolerar a adoração dos Sete, pois criar algumas seitas aqui e ali não perturba seus bosques sagrados, mas R'hllor é um deus ciumento e seus arrogantes devotos sulistas fariam conversões à força.
Enquanto Stannis, sua rainha ou seus homens continuarem apoiando o R’hllorismo fanático, ele, em minha opinião, nunca poderá deter o Norte. Até Porto Branco será cauteloso, pois os Sete já foram usados para acender os fogos de R'hllor, assim como os deuses antigos, e muitos do povo de Manderly sem dúvida adotaram a religião dos Primeiros Homens nos mil anos desde que aqueles procuraram refúgio com os Starks.
Sobre o segundo obstáculo de Stannis, um aspecto marcante da história de Westeros após a conquista é o quão isolacionista o Norte permanece até a Rebelião de Robert (e até depois). Embora oficialmente sejam parte do reino e estejam sujeito à autoridade do Trono de Ferro, os Stark ainda são, extraoficialmente, reis em tudo, exceto no nome. O número de Targaryens que se aventuraram ao norte do Gargalo nos últimos trezentos anos pode ser contado em uma mão: 1-2) Rei Jaehaerys, o primeiro de seu nome, com sua esposa, a boa rainha Alysanne, seus dragões e metade da corte; 3) Egg enquanto se disfarçava com Dunk no próximo conto “The She-Wolves of Winterfell”; 4-5) Meistre Aemon, acompanhado por Corvo de Sangue, ambos para tomar o preto. Mesmo Robert nunca o visita, exceto em A Guerra dos Tronos (e nove anos antes para acabar com a revolta de Balon Greyjoy).
Enquanto quem quer que esteja sentado Trono de Ferro permaneça em Porto Real, todo o resto do reino sente-se bem fingindo que o Norte não é efetivamente auto-governado por Winterfell. Suspeito, porém, que Stannis, inflexível em exigir sua merecida lealdade como o legítimo rei de Westeros, não ficará satisfeito com um acordo por meio do qual seus comandos reais devem primeiro ser aprovados por um Stark antes de serem postos em prática.
No entanto, ao se opor a isso, ele estaria desafiando o legado Stark. Que alcançou status quase mítico após milhares de anos de domínio mais ou menos contínuo. Quando o Norte é ameaçado por selvagens ou homens de ferro, são os Starks que chamam os homens às armas. Um Stark construiu a Muralja e liderou a luta contra os Outros. Os Stark expulsou os ândalos invasores, fizeram do Norte o único reino dos Primeiros Homens que ainda resta, mas entregaram voluntariamente sua coroa aos Targaryen para poupar seu povo do fogo do dragão. Eles servem a seu tipo distinto de justiça para desertores e outros criminosos. Eles punem bandidos rebeldes, tomam reféns quando necessário e casam-se com as famílias do Norte em busca de alianças. Com as paredes aquecidas e os jardins de vidro de Winterfell, os Stark provavelmente fornecem necessidades básicas (comida, abrigo) para os plebeus durante os longos invernos. De inúmeras maneiras, grandes e pequenas, os Starks provaram seu valor. Tanto é assim que mesmo seus inimigos seculares, os selvagens, não suportam ouvir Theon Vira-casaca pronunciar o lema dos Stark (ADWD, Theon I).
Em minha opinião, nenhum senhor sulistas pode esperar competir com a idéia dos Starks. Com o que eles passaram a representar para os nortennhos através da longa associação de muitas gerações: proteção e estabilidade em tempos difíceis de inverno. Alys Karstark, por exemplo, procura a ajuda de Jon – não a de Stannis – na condição de "o último filho de Eddard Stark", apesar de que Robb tenha decapitado seu pai e da ostensiva neutralidade da Patrulha da Noite (ADWD, Jon IX).
Além do mais, os nortenhos não juraram a Stannis nenhum voto aos quais eles se considerariam obrigados a seguir. A Grande Conspiração Nortenha, se verdadeira, antecede a chegada de Stannis à Muralha. Os Mormonts, os Glovers, Manderly e os outros partidários dos Stark teriam agido contra os Boltons com ou sem Stannis. E agora, em Winterfell, Stannis depende dos homens nortenhos que compõem a maior parte de seu exército, especialmente devido ao desgaste de seus cavaleiros sulistas.
Então, onde isso deixa Stannis? Quando um Stark estiver em Winterfell novamente, os nortenhos poderiam lhe dizer: “Agradecemos a ajuda, Sua Graça. Saiba que o norte estará sempre aberto para você e os seus. O trono de ferro? É por ali, e você é bem-vindo a sentar nele. Mate alguns Lannisters por nós!”. O que Stannis poderia fazer a respeito se os senhores do Norte se recusassem a se juntar à guerra dele? Nada, na verdade.
submitted by altovaliriano to Valiria [link] [comments]


2020.03.28 03:40 altovaliriano A Grande Conspiração Nortenha - Parte 5

Texto original: https://zincpiccalilli.tumblr.com/post/53134866390
Autores: Vários usuários do Forum of Ice and Fire, mas compilado por Yaede.
Índices de partes traduzidas: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5, Parte 6

--------------------------------------------------

Novamente, eu ergo montanhas sobre montículos nesta parte e na próxima, presumindo que tudo o que fazem os homens do norte em Winterfell, especialmente Lorde Manderly, é suspeito.

O Norte: Homens Stark

Wyman Manderly, um Operador Sutil

Anteriormente, eu teorizei que Manderly poderia saber sobre Robb ter escolhido Jon para sucedê-lo como Rei do Norte de Robett Glover, que por sua vez ouve as notícias de seu irmão mais velho Galbart, desapareceu no Gargalo com Maege Mormont, ambos testemunhas do decreto de Robb (ASOS, Catelyn V). No entanto, Manderly jurou se declarar por Stannis caso Davos traga Rickon e Cão Felpudo de volta de Skagos? Rickon não seria redundante se Manderly pretendesse reconhecer Jon como seu rei?
A promessa de Manderly a Davos não é tão hermética quanto parece, para começar.
– [Wex] sabe para onde [Osha e Rickon] foram – Lorde Wyman disse.
Davos entendeu.
– Você quer o menino.
– Roose Bolton tem a filha de Lorde Eddard. Para impedi-lo, Porto Branco precisa ter o filho de Ned... e o lobo gigante. O lobo provará que o menino é quem dizemos que é, se Forte do Pavor tentar negar. Este é meu prêmio, Lorde Davos. Contrabandeie-me meu senhor suserano, e eu tomarei Stannis Baratheon como meu rei.
(ADWD, Davos IV)
Em primeiro lugar, observe que Manderly não especifica Rickon pelo nome, mas diz "suserano", deixando Davos concluir pelo contexto qual dos filhos de Ned ele quer dizer. Mesmo que ele não saiba nada sobre Jon, ele fica sabendo por Wex que Bran também sobreviveu ao saque de Winterfell. Sendo irmão mais novo, Rickon não pode ser Lorde de Winterfell antes de Bran, que não é desqualificado por sua deficiência (ou ser uma árvore!) E, até onde sabemos, não abdicou ou morreu. Então, com essas complicações, quem é o suserano de Manderly?
Em segundo lugar, Manderly não fala em nome de Porto Branco, mas em seu próprio nome. O que acontecerá com seu acordo com Davos, que não foi jurado aos deuses antigos ou aos novos, se Manderly morrer e seu filho, Wylis, o suceder como senhor? Manderly deliberadamente provoca os Freys em Winterfell às vias de fato durante o último POV de Theon. Sobre a morte de Pequeno Walder, ele comenta: “Embora talvez isso tenha sido uma bênção. Se vivesse, teria crescido para ser um Frey”. Especula-se que Manderly não espera voltar de Winterfell vivo, assim como os homens do clã que marcham com Stannis preferem morrer banhados em sangue Bolton do que para as adversidades do inverno (ADWD, O Prêmio do Rei). A palavra que Lorde Wyman deu a Davos, sobre a qual Wylis pode negar conhecimento com sinceridade, é nula e sem efeito?
O Norte está prestes a enfrentar o pior inverno de muitas gerações, com um gelado apocalipse zumbi pra completar, após a morte de milhares de homens na Guerra dos Cinco Reis, fortalezas e colheitas arruinadas pela ocupação inimiga, sem expectativas de ajuda do Trono de Ferro, absortos como os sulistas estão em seus jogos de poder. Não é hora para os garotos-senhores, que são a ruína de qualquer casa, mesmo segundo Roose Bolton (ADWD, Fedor III). No entanto, se Jon for rei, certamente não faria mal para ele ter um herdeiro, já que é improvável que ele traga o seu próprio, pois jurou não tomar esposa ou ter filhos.
Manderly é capaz de tais truques? De tal traição? Todo o incidente das tortas de Frey sugere isso, em minha opinião.
[Davos] esperava ouvir Lorde Wyman falar, E agora eu me declaro pelo Rei Stannis, mas, em vez disso, o homem gordo sorriu um estranho sorriso cintilante e disse:
– Agora tenho um casamento para assistir. Sou gordo demais para subir em um cavalo, como qualquer homem com olhos pode ver claramente. [...]. Meu corpo tornou-se uma prisão mais lúgubre do que a Toca do Lobo. Mesmo assim, preciso ir para Winterfell. Roose Bolton me quer de joelhos, e sob o veludo da cortesia mostra a cota de malha de ferro. Preciso ir de barcaça e de liteira, cercado por uma centena de cavaleiros e por meus bons amigos das Gêmeas. Os Frey vieram pelo mar. Não têm cavalos com eles, então devo presentear cada um deles com um palafrém como presente de convidado. Os anfitriões ainda dão presentes de convidados no Sul?
– Alguns dão, meu senhor. No dia da partida dos convidados.
– Talvez você entenda, então.
(ADWD, Davos IV)
Manderly não tem escrúpulos em observar cuidadosamente a literalidade das leis da hospitalidade, mas violar seu espírito. Ele faz gestos amigáveis aos Freys e os mata assim que seus presentes de convidado o libertam de suas obrigações de anfitrião.
O Senhor de Porto Branco fornecera a comida e a bebida, [...]. Os convidados do casamento se fartaram em [...] três grandes tortas de casamento [...]. Ramsay cortou as fatias com sua cimitarra, e Wyman Manderly serviu pessoalmente, oferecendo as primeiras porções fumegantes para Roose Bolton e sua gorda esposa Frey, as seguintes para Sor Hosteen e Sor Aenys, filhos de Walder Frey.
– A melhor torta que já provaram, meus senhores – o gordo senhor declarou. – Empurrem tudo para baixo com um dourado da Árvore e apreciem cada pedaço. Eu sei que vou.
Fiel à sua palavra, Manderly devorou seis porções, duas de cada uma das três tortas […]
O Senhor de Porto Branco era a imagem perfeita do gordo feliz, gargalhando, sorrindo, brincando com os outros senhores e batendo em suas costas, pedindo aos músicos esta ou aquela canção.
– Nos dê A noite que terminou, cantor – gritou. – A noiva gostará desta, eu sei. Ou cante para nós os feitos do bravo jovem Danny Flint, e nos faça chorar. – Ao olhá-lo, era possível pensar que era ele o recém-casado.
– Está bêbado – disse Theon. [...] Lorde Manderly estava tão bêbado que pediu quatro homens fortes para ajudá-lo a sair do salão.
– Devíamos ouvir uma canção sobre o Rato Cozinheiro – ele murmurou, enquanto passava cambaleando por Theon, apoiado em seus cavaleiros. – Cantor, dê-nos uma canção sobre o Rato Cozinheiro.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
------------------------------------------------------
O Cozinheiro Ratazana tinha feito com o filho do rei ândalo um grande empadão com cebolas, cenouras, cogumelos, montes de pimenta e sal, uma fatia de bacon e um escuro vinho tinto de Dorne. Depois, serviu-o ao pai dele, que elogiou o sabor e pediu para repetir. Mais tarde, os deuses transformaram o cozinheiro numa monstruosa ratazana branca que só podia comer os próprios filhos. Desde então, vagueava por Fortenoite, devorando os filhos, mas sua fome ainda não estava saciada.
– Não foi por assassinato que os deuses o amaldiçoaram – dizia a Velha Ama – nem por servir ao rei ândalo o filho num empadão. Um homem tem direito à vingança. Mas matou um hóspede sob o seu teto, e isso os deuses não podem perdoar.
(ASOS, Bran IV)
No banquete de casamento, Manderly zomba maliciosamente de seus inimigos bem diante de suas caras, brincando com a ignorância do que ele fez. Além disso, ao fornecer a comida e a bebida, Lorde Wyman garante que ele e seus co-conspiradores não violem o direito de hóspede, que é uma forma de confiança mútua entre anfitrião e hóspede. De qualquer forma, ele tem alguma margem de manobra, porque provavelmente ainda considera Winterfell a casa dos Starks. Os deuses não puniriam mais intensamente Manderly por matar Boltons e Freys do que a Roose por enforcar as duas dúzias de posseiros encontrados no castelo, quando ali chegaram (ADWD, O Príncipe de Winterfell).
No entanto, o subterfúgio de Manderly não para por aí. Ele faz conluio com Mance Rayder e suas esposas de lança. Eles se encontraram na estrada, e Mance diz a Manderly que ele procura um caminho para Winterfell para roubar a noiva de Ramsay em nome de Jon Snow, o irmão dela. Sendo os vassalos mais meridionais dos Stark, tanto geográfica quanto historicamente, os Manderlys não sofrem tanto com ataques selvagens quanto, por exemplo, os Umbers e estariam melhor dispostos a ter o Povo Livre como aliados.
Perto do palanque, Abel arranhava seu alaúde e cantava Belas donzelas do verão. Ele se chama de bardo. Na verdade, é mais um cafetão. Lorde Manderly trouxera músicos de Porto Branco, mas nenhum era cantor, então, quando Abel apareceu nos portões com um alaúde e seis mulheres, fora mais do que bem-vindo.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
Que coincidência que Lorde Manderly, que sempre pensa em tudo, não trouxe cantores para as festividades! Estranho, porque no banquete da colheita em Winterfell, alguns livros atrás, ele tem músicos e um cantor em sua procissão, com um malabarista para completar.
Os músicos de Lorde Wyman tocavam com bravura e bem, mas a harpa, a rabeca e a trompa foram em breve afogadas por uma maré de conversas e risos, o tinir de taças e pratos, e os rosnados de cães que lutavam pelos restos. O cantor cantava boas canções, Lanças de Ferro, O Incêndio dos Navios e O Urso e a Bela Donzela, mas só Hodor parecia estar ouvindo. [...]
(ACOK, Bran III)
Eu não acredito em tais coincidências. Manderly – que já decidiu assassinar Jared, Symond e Rhaegar Frey no momento em que conversa com Davos – provavelmente planeja prepará-los em tortas, servi-los aos seus parentes e pedir uma música sobre o Rato Cozinheiro. O que – a menos que ele queira cantar a música – exigiria um ou dois bardos.
Mance não é o único em Winterfell com quem Manderly tem um acordo prévio. Antes do mesmo banquete da colheita, Manderly levanta a idéia de construir uma frota de navios de guerra para Bran, Ser Rodrik e Meistre Luwin.
Além de uma casa de cunhagem, Lorde Manderly também propôs construir uma frota de guerra para Robb.
– Há centenas de anos que não temos força no mar, desde que Brandon, o Incendiário, tocou fogo nos navios do pai. Concedam-me o ouro necessário, e ainda este ano porei para flutuar galés em número suficiente para tomar tanto Pedra do Dragão como Porto Real.
(ACOK, Bran II)
Sor Rodrik e Meistre Luwin não se comprometem inicialmente, prometendo apenas conversar com Robb sobre o assunto, mas Sor Rodrik logo tem uma idéia.
Hother [Umber, Terror das Rameiras] queria navios. [...]
Sor Rodrik puxou as suíças:
– Vocês têm florestas de pinheiros altos e velhos carvalhos. Lorde Manderly tem construtores navais e marinheiros com fartura. Juntos, deveriam ser capazes de pôr na água dracares em número suficiente para defender as costas de ambos.
– Manderly? – Mors Umber [Papa Corvos] fungou. – Esse grande saco bamboleante de banha? [...]
– Ele é gordo – admitiu Sor Rodrik –, mas não é bobo. Irá trabalhar com ele, caso contrário o rei ficará sabendo o por quê. E , para espanto de Bran, os truculentos Umber concordaram em fazer o que ele ordenava, embora não sem resmungos.
(ACOK, Bran II)
Em A Dança dos Dragões, a frota está construída.
Passo do Castelo era uma rua com degraus, um largo caminho de pedra branca que levava da Toca do Lobo, pela água, até Castelo Novo, em sua colina. Sereias de mármore, com vasilhames de óleo de baleia queimando aninhados nos braços, iluminavam o percurso enquanto Davos subia. Quando alcançou o topo, virou-se para olhar para trás. De onde estava, podia ver os portos. Ambos. Atrás do quebra-mar, o porto interno estava repleto de galés de guerra. Davos contou vinte e três. Lorde Wyman era gordo, mas não era negligente, ao que parecia.
(ADWD, Davos II)
E não há a menor sugestão de que Roose saiba alguma coisa sobre isso. Ou seja, Terror das Rameiras ainda não lhe disse: “Fico pensando o que o Lorde Lampréia fez com toda a madeira que cortamos para ele. Deveríamos ter construído galés de guerra juntos”. Uma explicação seria que, apesar de Terror das Rameiras ter tomado partido dos Boltons e Papa Corvos o de Stannis, os Umbers ainda estão de fato trabalhando com Manderly.
Uma vez em Winterfell, Manderly tem nova oportunidade de conspirar.
[Roose:] "Alguém está matando meus homens." [...]
– Temos que olhar para Manderly – murmurou Sor Aeny s Frey. – Lorde Wyman não tem amor por nenhum de nós.
[Roger] Ryswell não estava convencido.
– Ele, no entanto, ama seus bifes, costelas e tortas de carne. Rondar o castelo na escuridão exigiria que deixasse a mesa. O único momento em que faz isso é quando procura a latrina para uma de suas longas horas agachado.
– Não afirmo que Lorde Wyman agiu por conta.
(ADWD, Um fantasma em Winterfell)
Ah- ha! Lord Manderly tem feito reuniões secretas pró-Stark sob o disfarce de visitar a privada? XD
Bem, talvez não (risadas). Falando sério, nessa mesma cena, Frey ressalta que Manderly chegou a Winterfell com trezentos homens, um terço dos quais são cavaleiros. Ele pode empregar seus funcionários de confiança para passar mensagens, bem como usar suas conexões já estabelecidas com os selvagens e os Umbers (embora os primeiros tenham quase certeza de ter segundas intenções). A lista completa de Casas que compareceram ao casamento, excluindo-se a Senhora Dustin e seu séquito, é a seguinte:
Estandartes estavam pendurados nas torres quadradas, batendo com o vento; o homem esfolado de Forte do Pavor, o machado de batalha dos Cerwyn, os pinheiros dos Tallhart, o tritão dos Manderly, as chaves cruzadas do velho Lorde Locke, o gigante dos Umber, a mão de pedra dos Flint e o alce dos Hornwood. Dos Stout, listras bifurcadas castanhoavermelhadas e douradas; dos Slate, um campo cinza com duas bordas estreitas brancas. Quatro cabeças de cavalo proclamavam os quatro Ryswell dos Regatos; uma cinza, uma negra, uma dourada e uma marrom. A brincadeira era que os Ryswell não conseguiam concordar nem sobre as cores de suas armas. Acima deles, pairava o veado-e-leão do garoto que se sentava no Trono de Ferro, a milhares de quilômetros de distância.
(ADWD, Fedor III)
Manderly e os Lockes estão em contato desde antes da chegada de Davos em White Harbor. Há um Locke na corte de Manderly, identificável por seu brasão, embora não tenha nome e, portanto, tenha parentesco incerto com Lorde Locke. Esse homem não está contra Roose, mas acha que Ramsay é um psicopata e prefere não vê-lo governar o norte. Mais uma vez, Ramsay é um grande fardo para a Casa Bolton. Um que Manderly e sua facção podem explorar:
[Frey:] Qualquer que seja o nome, ele logo estará casado com Arya Stark. Se você quer ser fiel à promessa, faça aliança com ele, pois ele será o Senhor de Winterfell.
[Wylla:] – Ele jamais será meu senhor! Ele obrigou a Senhora Hornwood a se casar com ele, então a trancou em um calabouço e a fez comer seus dedos.
Um murmúrio tomou conta da Corte do Tritão.
– A donzela diz a verdade – declarou um homem atarracado, em branco e púrpura, cujo manto era preso por um par de chaves de bronze cruzadas. – Roose Bolton é frio e astuto, sim, mas um homem pode lidar com Roose. Todos conhecemos piores. Mas esse filho bastardo dele... dizem que é louco e cruel, um monstro.
(Davos III, ADWD)
Os Hornwoods, é claro, têm boas razões para odiar Ramsay por ter torturado e assassinado sua Senhora viúva. Eles, assim como os Cerwyns e Tallharts, têm outros pontos para acertar com pai e filho, no entanto. Ramsay traiçoeiramente matou seus homens junto com Sor Rodrik no saque a Winterfell. Entre os mortos apresentados a Theon estão o herdeiro de Lord Cerwyn, Cley, e o irmão de lorde Tallhart, Leobald. Como se isso não bastasse, foram novamente homens de Hornwood, Cerwyn e Tallhart que Roose entregou aos Lannisters e Tyrells em Valdocaso. Sor Helman Tallhart, mestre da Praça de Torrhen, foi morto nessa batalha.
Por fim, uma coluna de homens a cavalo apareceu, saída da fumaça que pairava no ar. À cabeça vinha um cavaleiro com uma armadura escura. Seu elmo arredondado brilhava num vermelho lúgubre, e um manto rosa-claro caía de seus ombros. Parou o cavalo junto ao portão principal, e um de seus homens gritou para que o castelo se abrisse.
– São amigos ou inimigos? – berrou-lhes Lorren Negro.
– Traria um inimigo tão bons presentes? – O Elmo Vermelho fez um sinal com a mão, e três cadáveres foram despejados à frente dos portões. Um archote foi brandido por cima dos corpos, para que os defensores no topo das muralhas pudessem ver o rosto dos mortos.
– O velho castelão – disse Lorren Negro.
– Com Leobald Tallhart e Cley Cerwyn – o jovem senhor fora atingido no olho por uma flecha, e Sor Rodrik perdera o braço esquerdo, do cotovelo para baixo.
(Theon VI, ACOK)
----------------------------------------
[Varys:] Ontem de madrugada, o nosso bravo Lorde Randyll apanhou Robett Glover nos arredores de Valdocaso e encurralou-o contra o mar. As perdas foram pesadas de ambos os lados, mas no fim os nossos leais homens prevaleceram. Dizem que Sor Helman Tallhart está morto, bem como mais de mil homens. Robett Glover volta a Harrenhal comos sobreviventes, em sangrenta desordem, sem sonhar que irá encontrar atravessados no caminho o valente Sor Gregor e seus bravos.
(Tyrion III, ASOS)
------------------------------------------
Os portões de Valdocaso estavam fechados e trancados. [...]Quando a aurora rebentou, os guardas apareceram nos baluartes. Os agricultores subiram para seus carros e sacudiram as rédeas. Brienne também montou […]
Os guardas mandavam as carroças passar quase sem olhar [...] [O capitão] fez um gesto para os guardas. – Deixem-na passar, rapazes. É uma garota.
O portão abria-se para uma praça de mercado, onde aqueles que tinham entrado antes dela descarregavam [...] Outros vendiam armas e armaduras, e muito barato, a julgar pelos preços que gritavam quando ela passava. Os saqueadores chegaram com as gralhas pretas depois de todas as batalhas. [...]Também se arranjava roupa: botas de couro, mantos de peles, sobretudos manchados com rasgões suspeitos. Conhecia muitos dos símbolos. O punho coberto de cota de malha [Glover], o alce [Hornwood], o sol branco [Karstark], o machado de lâmina dupla [Cerwyn], todos eram símbolos do Norte.
(AFFC, Brienne II)
Infelizmente para os Boltons, se os Hornwoods, Cerwyns e Tallharts ainda não perceberam quem é responsável por seus infortúnios, Manderly pode informa-los (e certamente o fará).
Davos tentou se lembrar das histórias que ouvira.
– Winterfell foi capturado por Theon Greyjoy, que fora protegido de Lorde Stark. Ele condenou os dois filhos mais jovens de Stark à morte e colocou suas cabeças sobre as muralhas do castelo. Quando os nortenhos vieram derrubá-lo, passou o castelo inteiro pela espada, até a última criança, antes de ser morto pelo bastardo de Lorde Bolton.
– Não morto – disse Glover. – Capturado e levado para Forte do Pavor. O Bastardo vem esfolando-o.
Lorde Wyman assentiu.
– A história que você ouviu é a que todos nós escutamos, tão cheia de mentiras quanto um pudim de passas. Foi o Bastardo de Bolton quem passou Winterfell pela espada... Ramsay Snow, ele se chamava então, antes do rei menino torná-lo um Bolton. [...], não verdadeiramente, mas pensam que precisamos fingir acreditar, ou morreremos. Roose Bolton mente sobre sua participação no Casamento Vermelho, e seu bastardo mente sobre a queda de Winterfell.
(Davos IV, ADWD)
Até os pequenos habitantes de Porto Real não têm problemas em apontar os culpados por trás do Casamento Vermelho. Não é preciso ser um gênio para descobrir que Roose e Tywin estavam em conluio quando Roose milagrosamente sobreviveu ao massacre nas Gêmeas para ser nomeado Protetor do Norte pelo Trono de Ferro, com uma nova esposa de Frey ao seu lado. E então os Bolton têm a ousadia de trazer dois mil Freys para o norte, hospedando-os em Winterfell.
– Os senhores podem não saber – disse Qyburn –, mas nas tabernas e casas de pasto da cidade, há quem sugira que a coroa pode ter sido de algum modo cúmplice do crime de Lorde Walder.
Os outros conselheiros fitaram-no com incerteza.
– Refere-se ao Casamento Vermelho? – perguntou Aurane Waters.
– Crime? – disse Sor Harys. Pycelle pigarreou ruidosamente. Lorde Gyles tossiu.
– Aqueles pardais são particularmente diretos – preveniu Qyburn. – O Casamento Vermelho foi uma afronta a todas as leis dos deuses e dos homens, ela dizem, e os que tiveram uma participação no caso estão condenados.
(Cersei IV, AFFC)
Manderly provavelmente ouve a verdade sobre o saque de Winterfell via Wex, mas um jovem homem de ferro mudo não é a única testemunha viva do delito de Ramsay. Sobreviventes da batalha que ocorreu do lado de fora dos portões de Winterfell se juntaram à marcha de Stannis (ADWD, Jon VII), possivelmente a mando dos Mormonts. Da mesma forma, Robett Glover é um sobrevivente de Valdocaso e poderia facilmente alegar que Roose fora responsável por essa farsa, haja vista a indiferença deste último pela captura de Bosque Profundo.
No Vau Rubi, o atraso de Roose em atravessar o rio custa ao Norte outros dois mil homens – incluindo Norreys, Lockes e Wylis Manderly, que foram capturados – quando Gregor Clegane o alcança (ASOS, Catelyn VI). Com a traição dos Bolton exposta, Valdocaso e o Vau Rubi parecem repentinamente movimentos calculados da parte de Roose para sangrar seus companheiros nortenhos.
Mais importante ainda, Manderly traz para Winterfell boas novas dos Starks. Qualquer que seja o filho de Ned, Manderly pode fazer a única coisa que Roose sabe que fará as casas do norte o abandonarem em massa.
[Roose to Ramsay:] Parecemos fortes neste momento, sim. Temos amigos poderosos nos Lannister e nos Frey e o apoio relutante de grande parte do Norte... mas imagine o que vai acontecer quando um dos filhos de Ned Stark aparecer?
(ADWD, Fedor III)
A Senhora Dustin também.
No palanque, Lorde Wy man Manderly sentava-se entre dois de seus cavaleiros de Porto Branco, levando mingau com uma colher até seu rosto gordo. Não parecia estar apreciando nem um décimo do que saboreara comendo as tortas de porco no casamento. Em outro canto, Harwood Stout, de um braço só, conversava calmamente com o cadavérico Terrordas-Rameiras Umber.
(ADWD, O vira-casaca)
Segundo a teoria, Terror das Rameiras retransmite as palavras de Manderly, iniciando uma nova rodada no telefone sem fio. Stout é juramentado à Senhora Dustin e hospeda desde cedo Ramsay em sua fortaleza, sem dúvida infeliz ao ver as preciosas reservas de inverno de seu povo esvaziadas para apaziguar a vaidade mesquinha de Ramsay. Sem falar que Ramsay não faz nada para impedir que suas cadelas matem um dos cães de caça de Stout. (ADWD, Fedor III)
O poder dos Bolton no norte repousa sobre um leito de mentiras e ardis, que mal flutua no mar de ressentimento nortenho, e Manderly tem os meios e a vontade de perfurar essa frágil fundação. O que Manderly tem a dizer a Senhora Dustin? E qual a reação dela? Bem, isso é assunto para outro dia.
submitted by altovaliriano to Valiria [link] [comments]


2020.03.21 05:06 altovaliriano A Grande Conspiração Nortenha - Parte 4

Texto original: https://zincpiccalilli.tumblr.com/post/52918461011
Autores: Vários usuários do Forum of Ice and Fire, mas compilado por Yaede.
Índices de partes traduzidas: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5, Parte 6
----------------------------------------------
Os muitos prognósticos e especulações loucas nas partes anteriores, na verdade, não são nada comparado ao que se segue. Ao contrário de Jaime, que tem acesso a muitas informações úteis como comandante das forças da coroa nas Terras Fluviais, não há pistas sobre as atividades dos supostos conspiradores nortenhos.
Dentre os POVs no Norte em A Dança dos Dragões, Davos, Theon e Asha não são confiáveis. O primeiro por ser o homem de Stannis, leal e verdadeiro, os dois últimos por serem homens de ferro e prisioneiros. Melisandre tem apenas um capítulo, em que ela não é tão onisciente quanto finge ser. (Rezo por um vislumbre de Azor Ahai, e R'hllor me mostra apenas Snow) E Jon? Bem, se a teoria estiver correta, ele provavelmente será o último a saber, (risadas), pois seus futuros súditos nortenhos não arriscariam por seu novo rei em perigo.
É verdade que os jogadores e jogadas estão tão obscurecidos que talvez seja uma indicação de que a Grande Conspiração do Norte está no caminho certo. Melhor para GRRM poder desvelar dramaticamente a queda catártica dos Lannisters, Boltons e Freys nas mãos dos lealistas Stark quando Os Ventos do Inverno chegar. [...]

O Norte: Os Homens dos Stark

Rastreando os Mormonts e Glovers

Juntar os fios de uma conspiração no Norte é como um jogo elaborado de telefone sem fio. Um extremo da linha está com Galbart Glover e Maege Mormont, que são testemunhas do decreto de Robb de nomear seu herdeiro, que se assume ser um Jon legitimado.
[Robb:] Senhor, preciso que dois de seus dracares contornem o Cabo das Águias e subam o Gargalo até a Atalaia da Água Cinzenta.
Lorde Jason [Mallister] hesitou.
– A floresta úmida é drenada por uma dúzia de cursos de água, todos eles rasos, assoreados e por mapear. Nem chamaria de rios. Os canais andam sempre derivando e se alterando. Há inúmeros bancos de areia, troncos caídos e emaranhados de árvores em putrefação. E a Atalaia da Água Cinzenta desloca-se. Como os meus navios irão encontrá-la?– Subam o rio exibindo o meu estandarte. Os cranogmanos vão encontrá-los. Quero dois navios para duplicar as chances de minha mensagem chegar a Howland Reed. A Senhora Maege irá num deles, Galbart no segundo. – Virou-se para os dois que tinha indicado. – Levarão cartas para os meus senhores que permanecem no Norte, mas todas as ordens nelas contidas serão falsas, para o caso de terem o azar de serem capturados. Se isso acontecer, deverão dizer-lhes que se dirigiam ao norte. De volta à Ilha dos Ursos, ou na direção da Costa Pedregosa.
(ASOS, Catelyn V)
Robb morre antes que ele possa tentar sua estratégia de retomar Fosso Cailin, mas Maege e Galbart desaparecem no Gargalo, para nunca mais serem vistos em momento nenhum de A Dança dos Dragões. Existem, no entanto, algumas dicas de que os dois mensageiros foram recebidos por Howland Reed e, mais interessantemente, voltaram a fazer contato com seus parentes no Norte.
Em primeiro lugar, os cranogmanos aparentemente começam uma campanha para livrar Fosso Cailin dos homens de ferro, cumprindo o último objetivo de Robb na guerra (apesar de a um ritmo mais lento, pois não contam com o apoio das tropas perdidas no Casamento Vermelho). Theon chega lá para encontrar a guarnição morta, morrendo ou escondida com medo dos demônios do pântano e seus venenos (ADWD, Fedor II).
Em segundo lugar, na marcha para Winterfell, Asha e Alysane conversam um pouco.
– Você tem irmãos? – Asha perguntou para sua carcereira.
– Irmãs – Alysane Mormont respondeu, ríspida como sempre. – Éramos cinco. Todas garotas. Lyanna está de volta à Ilha dos Ursos. Lyra e Jory estão com nossa mãe. Dacey foi assassinada.
– O Casamento Vermelho.
(ADWD, O Prêmio do Rei)
Como Alysane sabe que suas irmãs estão com sua mãe? A partir das descrições da hoste que Robb leva para o sul nos três primeiros livros parece que Dacey é a única filha que acompanha Maege. Isso faz um certo sentido, pois Dacey é a herdeira de Maege e as meninas mais novas não entrariam em guerra enquanto Alysane, a próxima da fila, permanece na Ilha dos Ursos.
Quando, então, Lyra e Jorelle saíram de casa? Elas e Alysane já estão ausentes quando Stannis envia suas cartas para todas as casas do Norte exigindo lealdade. Caso contrário Lyanna, de 10 anos, não teria tido a chance de responder de forma memorável, deixando Jon intrigado com a castelã escolhida pelos Mormonts (ADWD, Jon I).
De fato, se Maege estava em comunicação com a Ilha dos Ursos, suas filhas mais velhas provavelmente saberiam dela sobre Robb nomear Jon seu herdeiro, o que dá novo sentido às palavras de Lyanna. Assim como Wylla Manderly, Lyanna pode ser considerada jovem demais para participar de qualquer conselho secreto, mas, no entanto, sabe onde estão as verdadeiras lealdades de sua família, revelando-se inadvertidamente como “mulheres Stark” para Stannis, da mesma maneira que Wylla quase revela para os Frey que os Manderly eram. Talvez Lyanna atue em um desejo infantil de convencer Jon, que está na Muralha com Stannis, a reivindicar sua coroa.
Alysane chega mais tarde a Bosque Profundo e com a companhia.
Stannis tomara Bosque Profundo, e os clãs das montanhas se juntaram a ele. Flint, Norrey, Wull, Liddle, todos.
E tivemos outra ajuda, inesperada mas muito bem-vinda, da filha da Ilha dos Ursos. Alysane Mormont, a quem os homens chamam Mulher-Ursa, escondeu combatentes em uma flotilha de barcos de pesca e pegou os homens de ferro desprevenidos quando chegaram à costa. Os dracares Greyjoy foram queimados ou tomados, suas tripulações mortas ou rendidas. [...]
... mais nortenhos chegam enquanto as notícias da nossa vitória se espalham. Pescadores, mercenários, homens das colinas, arrendatários das profundezas da Matadelobos e aldeões que abandonaram seus lares ao longo da costa rochosa para escapar dos homens de ferro, sobreviventes da batalha do lado de fora dos portões de Winterfell, homens que já foram juramentados aos Hornwood, aos Cerwyn e aos Tallhart. Estamos cinco mil mais fortes enquanto escrevo para você, e nosso número incha a cada dia.
(ADWD, Jon VII)
A Ursa não poderia ter sido avisada da movimentação de Stannis em Bosque Profundo. Stannis praticamente desaparece do mapa enquanto ele arrebata Liddles, Norreys, Wulls e Flints, banqueteando-se pelas montanhas. Alysane está em Bosque Profundo em nome de outra facção. Uma que planeja retomar o castelo há algum tempo, uma vez que uma frota de navios de pesca (e os guerreiros que se escondem neles) não pode ser montada rapidamente.
De fato, os nortenhos que ingressaram no exército após a vitória de Stannis poderiam ter originalmente sido programados para atacar os homens de ferro em conjunto com as forças de Alysane. Ironicamente, isso significaria que Stannis seria a ajuda inesperada, mas muito bem-vinda, liberando Bosque Profundo antes do prazo e com menor custo para o Norte.
Em terceiro lugar, há Robett Glover, irmão e herdeiro mais novo de Galbart, que está em Porto Branco com Manderly. Para revisar, Robett é capturado em Valdocaso, mas é trocado por Martyn Lannister, filho de Kevan. Roose Bolton ordena que essa batalha seja travada, tentando sangrar as casas do Norte que se opunham a ele como Protetor do Norte, como acordado com Tywin.
Quando lhe trouxeram a notícia da batalha em Valdocaso, onde Lorde Randyll Tarly desbaratara as forças de Robett Glover e de Sor Helman Tallhart, seria de se esperar vê-lo enfurecido, mas ele limitou-se a olhar, numa incredulidade estupidificada, e dizer:
– Valdocaso, no mar estreito? Por que eles iriam para Valdocaso? – sacudiu a cabeça, desconcertado. – Um terço de minha infantaria perdido por Valdocaso?
– Os homens de ferro têm o meu castelo e agora os Lannister têm o meu irmão – disse Galbart Glover, numa voz carregada de desespero. Robett Glover sobreviveu à batalha, mas fora capturado perto da estrada do rei não muito mais tarde.
– Não será por muito tempo – prometeu o filho de Catelyn. – Vou oferecer Martyn Lannister em troca dele. Lorde Tywin terá de aceitar, por causa do irmão.
(ASOS, Catelyn IV)
---------------------------------------------
Robb tinha enviado o tio de Jeyne, Rolph Spicer, para entregar o jovemMartyn Lannister ao Dente Dourado, no mesmo dia emque recebera o acordo de Lorde Tywin com relação à troca de cativos. Tinha sido um gesto hábil. O filho ficava aliviado de seus receios quanto à segurança de Martyn, Galbart Glover ficava aliviado por saber que o irmão Robett tinha sido posto num navio em Valdocaso, Sor Rolph tinha uma tarefa importante e honrosa... e Vento Cinzento estava de novo ao lado do rei. Onde é o lugar dele.
(ASOS, Catelyn V)
Então, antes de Galbart partir para o Gargalo, ele descobre que Robett está a caminho do norte via mar. Onde mais poderia estar o destino de Robett, a não ser Porto Branco, o maior porto do norte? E se Maege pode entrar em contato com suas filhas, por que Galbart não poderia com seu irmão em Porto Branco, que fica muito mais próximo do Gargalo do que da Ilha dos Ursos?
Mas existe alguma pista de que Robett saiba que Robb nomeou Jon seu herdeiro? Talvez.
– A maldade está no sangue – disse Robett Glover. – Ele é um bastardo nascido de um estupro. Um Snow, não importa o que o rei menino diga.
– Alguma neve já foi tão negra? – perguntou Lorde Wyman. – Ramsay tomou as terras de Lorde Hornwood forçando o casamento com a viúva, e então a trancou em uma torre e a esqueceu lá. Dizem que ela comeu a extremidade dos próprios dedos... e a noção de justiça real dos Lannister é recompensar esse assassino com a garotinha de Ned Stark.
– Os Bolton sempre foram tão cruéis quanto espertos, mas esse aí parece um animal em pele humana – disse Glover.
(ADWD, Davos IV)
Robett e Manderly, também, parecem estar lançando mão dos disparates normais dos Westerosi sobre bastardos serem devassos e traiçoeiros por natureza, pois são nascidos da luxúria e mentiras. No entanto, GRRM lembra aos leitores da disputa pelas terras de Hornwood.
[Luwin:] – Sem herdeiro direto, haverá com certeza muitos pretendentes disputando as terras dos Hornwood. Tanto os Tallhart como os Flint e os Karstark têm ligações com a Casa Hornwood por linha feminina, e os Glover estão criando o bastardo de Lorde Harys em Bosque Profundo. O Forte do Pavor não tem nenhuma pretensão, que eu saiba, mas as terras são contíguas, e Roose Bolton não é homem que deixaria passar uma chance dessas. [...]
– Então deixe que o bastardo de Lorde Hornwood seja o herdeiro – Bran sugeriu, pensando no seu meio-irmão Jon.
Sor Rodrik disse:
– Isso agradaria aos Glover e talvez à sombra de Lorde Hornwood, mas não creio que a Senhora Hornwood iria simpatizar conosco. O garoto não é do seu sangue.
(ACOK, Bran II)
Mais tarde neste capítulo, Sor Rodrik questiona o intendente de Bosque profundo sobre Larence Snow, o bastardo de Lorde Hornwood, e o homem só tem elogios para o rapaz, à época com doze anos.
Por que Manderly e Glover gostariam de dar a Davos a impressão de que têm preconceito contra bastardos? E, por falar nisso, por que Davos se deu ao trabalho de recuperar não apenas Rickon de Skagos, mas Câo Felpudo para fins de identificação quando todos sabem que comandando a Muralha está Jon Snow, que foi criado em Winterfell com as crianças Stark?
Certamente, se a presença de Theon como protegido de Ned Stark é suficiente para passar Jeyne Poole como Arya, o testemunho de Jon pode provar que Rickon é quem Manderly diz que é. A menos que, segundo a teoria, Lord Wyman e Robett evitem escrupulosamente qualquer menção a Jon com a ideia de que quanto menos atenção for atraída para Jon (especialmente em relação a reis e herdeiros) melhor.
Bem, isso é talvez seja um pouco forçado (risadas). De qualquer forma, Robett desaparece no final de A Dança dos Dragões, não acompanhando Manderly à festa em Winterfell. Onde ele está? Uma teoria é que ele também está do lado de fora das muralhas de Winterfell ou em algum lugar próximo, escondido pela tempestade de neve, tendo liderado um exército de homens do Norte pelo Faca Branca.
Robett Glover estava na cidade e tentara arregimentar homens, com pouco sucesso. Lorde Manderly ignorara seus apelos. Porto Branco estava cansado de guerra, fora a resposta dele, segundo relatos. Isso era ruim.
(ADWD, Davos II)
-----------------------------------------------
Wyman Manderly balançou pesadamente os pés. – Venho construindo navios de guerra há mais de um ano. Alguns você viu, mas há muitos mais escondidos no Faca Branca. Mesmo com as perdas que sofri, ainda comando mais cavalos pesados do que qualquer outro senhor ao norte do Gargalo. Minhas muralhas são fortes e meus cofres estão cheios de prata. Castelovelho e Atalaia da Viúva seguirão minha liderança. Meus vassalos incluem uma dúzia de pequenos senhores e uma centena de cavaleiros com terras.
(ADWD, Davos IV)
O cansaço de Manderly por guerra é total e completamente fingido. Os relatos sobre falhas de Robett emarregimentar homens também são falsos? Note que, se houver outro exército à espreita na neve, Stannis nada sabe disso.
Finalmente, voltando à pergunta original, onde estão Maege Mormont e Galbart Glover? Especula-se que eles decidam permanecer nas Terras Fluviais, usando a Atalaia da Água Cinzenta como base de operações para tentar reunir os remanescentes do exército de Robb que ficam presos e dispersos quando Fosso Cailin caiu em mãos inimigas. Por exemplo, os seiscentos homens - incluindo lanceiros das montanhas e de Proto Branco, arqueiros Hornwood, e Stouts e Cerwyns – que Roose deixa no Tridente sob o comando de Ronnel Stout e Sor Kyle Condon (ASOS, Catelyn VI) dos quais nunca mais se ouve falar. Se a viagem de Senhora Coração de Pedra ao Gargalo significar que a Irmandade sem Bandeiras está agora trabalhando com Reed, Mormont e Glover, essas forças poderão em breve reaparecer onde mais doerá nos Lannisters e Freys.

Intriga marchando para Winterfell

Com Alysane Mormont funcionando como a conexão com a Senhora Maege e, consequentemente, com a legitimação de Jon por Robb como rei no norte, os próximos jogadores nesse jogo de telefone sem fio são os homens do clã, os quais (como Manderly fica sabendo via Wex) sabem que Bran (e provavelmente que Rickon também) sobreviveu ao saque de Winterfell.
Jojen Reed parou para recuperar o fôlego.
– Acha que essa gente das montanhas sabe que estamos aqui?
– Eles sabem. – Bran avistara-os observando; não com os próprios olhos, mas com os olhos mais sensíveis de Verão, que deixavam escapar muito pouco. [...]
Só uma vez encontraram um membro do povo da montanha, quando uma súbita carga de água gelada tinha feito com que buscassem abrigo. [...] Bran achou que devia ser um Liddle. O broche que prendia seu manto de pele de esquilo era de ouro e bronze, trabalhado em forma de pinha, e os Liddle usavam pinhas na metade branca de seus escudos verde e branco.
O Liddle puxou uma faca e começou a desbastar um pedaço de madeira.
– Quando havia um Stark em Winterfell, uma donzela podia percorrer a estrada do rei usando o vestido do dia de seu nome e nada sofrer, e os viajantes encontravam fogo, pão e sal em muitas estalagens e castros. Mas agora as noites são mais frias, e as portas estão fechadas. Há lulas na mata de lobos, e homens esfolados percorrem a estrada do rei, perguntando por forasteiros.
Os Reed trocaram um olhar.
– Homens esfolados? – perguntou Jojen.
– Os rapazes do Bastardo, ora. Ele tava morto, mas agora não tá. E paga bom dinheiro por pele de lobos, segundo um homem ouviu dizer, e talvez até ouro por notícias de certos outros mortos que andam. – Olhou para Bran quando disse aquilo, e para Verão, que estava estendido ao seu lado. – [...] Era diferente quando havia um Stark em Winterfell. Mas o velho lobo tá morto e o novo foi para o sul jogar o jogo de tronos, e tudo que nos resta são os fantasmas.
– Os lobos voltarão – disse solenemente Jojen.
(ASOS, Bran II)
Este estranhamente bem informado Liddle, com seu broche de ouro e bronze, é talvez um líder em seu clã. Ele não apenas reconhece Bran, mas seu pessoal também tem se mantido atentos. O próprio fato de os homens de Bolton terem prometido recompensa por notícias dos Stark supostamente mortos sugere que eles não estão mortos. Bran também pergunta ao Liddle a que distância fica a Muralha (não consta da citação acima) e, embora o homem pense que eles não deveriam seguir esse caminho, ele fica por dentro de parte dos planos deles.
Em A Dança dos Dragões, os Liddles ajudam Stannis a tomar Bosque Profundo e a marchar para Winterfell junto com os Norreys, Wulls e Flints. Em minha opinião, há boas chances de que os Liddles tenham contado aos demais sobre o encontro com Bran e companhia. Os clãs das montanhas podem brigar por cabras e mulas roubadas, mas quando se trata dos Starks de Winterfell, há consenso. Segundo a teoria, quando Alysane se junta à marcha, ela e os homens do clã trocam informações. Os Liddles, Norreys, Wulls e Flints ficam sabendo sobre Jon, Alysane sobre Bran (e talvez Rickon, se ela ainda não tiver cruzado com os Glovers).
Pouco tempo depois, Jon hospeda Norreys e Flints na Muralha.
O Velho Flint e O Norrey tinham lugares de grande honra logo abaixo do estrado. Ambos eram velhos demais para marchar com Stannis; haviam mandado filhos e netos em seus lugares. Mas ambos haviam sido rápidos o suficiente para descer até o Castelo Negro para o casamento. Cada um trouxera uma ama de leite para a Muralha, também. [...] Entre as duas, a criança que Val chamara de Monstro parecia estar prosperando.
Por isso Jon estava grato... mas não acreditara nem por um momento que esses dois veneráveis velhos guerreiros desceriam correndo das montanhas sozinhos. Cada um viera com uma cauda de guerreiros – cinco para o Velho Flint, doze para O Norrey, todos vestidos em peles esfarrapadas e couro cravejado, temíveis como a face do inverno. Alguns tinham longas barbas, alguns tinham cicatrizes, alguns tinham ambos; todos veneravam os antigos deuses do Norte, os mesmos deuses venerados pelo povo livre para lá da Muralha. No entanto, eles se sentaram, bebendo por um casamento santificado por algum estranho deus vermelho de além-mar.
Melhor isso do que se recusar a beber. Nem os Flint nem os Norrey haviam virado suas taças para derramar o vinho no chão. Isso poderia indicar certa aceitação. Ou talvez simplesmente odeiem desperdiçar um bom vinho sulista. Não dá para provar muito disso naquelas montanhas rochosas deles.
(Jon X, ADWD)
Pode ser que Flint e Norrey estiveram na Muralha para avaliar Jon? Suponha que estes homens de clã com Stannis enviem uma mensagem ou mensageiro de volta às montanhas, falando do sucessor escolhido por Robb. Os nortenhos sobrevivem na neve muito melhor do que os cavaleiros do sul de Stannis, e duvido que algum deles notaria o desparecimento um ou dois daqueles homens. O acordo de Jon sobre o casamento de Alys Karstark e sua trégua com os selvagens seriam infrações à autoridade do Rei do Norte. E representantes dos clãs das colinas vieram para observar e julgar como ele lida com os ambas as coisas:
– Lorde Snow – disse O Norrey –, onde você pretende colocar esses seus selvagens? Não nas minhas terras, espero.
– Sim – declarou o Velho Flint – Se quer deixá-los na Dádiva, é problema seu, mas assegure-se de que não vão ficar vagando por aí, ou mandarei a cabeça deles para você. O inverno está próximo e não quero mais bocas para alimentar.
– Os selvagens ficarão na Muralha – Jon lhes assegurou. [...]– Tormund me deu sua palavra. Ele servirá conosco até a primavera. O Chorão e os outros capitães terão que prometer a mesma coisa, ou não os deixaremos passar.
O Velho Flint abanou a cabeça.
– Eles nos trairão [...]
– O povo livre não tem leis nem senhores – Jon falou –, mas amam suas crianças. Você admitiria isso ao menos? [...] Por isso insisti em mantermos reféns. [...]
Os nortenhos olharam um para o outro.
– Reféns – ponderou O Norrey. – Tormund concordou com isso?
Era isso, ou ver seu povo morrer.
– Meu preço de sangue, ele chamou – falou Jon Snow –, mas pagará.– Sim, e por que não? – O Velho Flint bateu sua bengala contra o gelo. – Protegidos, nós sempre os chamávamos, quando Winterfell exigia rapazes de nós, mas eram reféns, e nada pior que isso.
– Nada, exceto para aqueles cujos pais desagradavam os Reis do Inverno – falou O Norrey. – Esses voltavam para casa uma cabeça mais curtos. Então me diga, rapaz... se esses seus amigos selvagens se mostrarem falsos, você terá estômago para fazer o que precisa ser feito?
Pergunte a Janos Slynt.
– Tormund Terror dos Gigantes me conhece o suficiente para não me testar. Posso ser um rapaz inexperiente aos seus olhos, Lorde Norrey, mas ainda sou um filho de Eddard Stark.
(ADWD, Jon XI)
Acredito que Flint e Norrey estão devidamente impressionados aqui. Se Alysane realmente falou com os clãs da intenção de Maege Mormont de defender os últimos desejos de Robb, acho que eles estariam dispostos a aceitar Jon como Rei do Inverno.
submitted by altovaliriano to Valiria [link] [comments]


2020.03.15 16:11 jup1t3r5 Tou construindo essa história sem título ainda esse é o texto 1 ainda vai sair pelo menos +1

Miséria, tudo que me restou foi só a pura e devastadora miséria, se meu pai estivesse vivo hoje morreria. Nossa mercadoria, nossos serventes, nossos escravos, nossa riqueza, Tudo aquilo que meu pai trabalhou a vida inteira para ter, tudo acabado só por causa de uma princesinha que precisa de ajuda até para limpar o cu; está tudo acabado. Não faz nem duas semanas que a droga da lei aurea foi assinada, Não faz nem um mês que meu pai morreu . Os escravos fugindo da Fazenda a galope levando toda minha riqueza minha garantia meu tudo. Quem esses seres repugnantes pensam que são? Eu achava que nossa superioridade era garantida e agora eles vem com essas histórias de igualdade? Oque me restou ? Por que ninguém pensou nisso? Só de pensar que a negrinhos mais ricos que eu me sobe a ah; que se dane não adianta de nada agora só tenho poucas economias , uma plantação já perdida de café e lágrimas puras, frias e simples lágrimas. Enquanto me olho no espelho e reflito sobre oque fazer, me vem à cabeça uma memória, uma divida uma divida que nunca foi paga, uma divida que nunca pensei que iria cobrar, enquanto desço a um lugar, a o fundo do poço mais fundo me rebaixo num nível que nunca pensei que iria chegar. Enquanto desço a cidade e pouco a pouco chego na parte mais pobre não paro de vê-los ver aqueles que um dia já subjulguei, ainda estão a comemorar , mas isso não importa, não importa mais por que eu cheguei ao meu destino. - Bom dia minha graciosa tia como a senhora está? - já faz mais de 3 anos que não o vejo meu caro sobrinho E hoje vois mice vem atrás de mim? Você pensa que eu sou besta é perdeu tudinho já aposto! -Disse amelia- com um sorriso no rosto tão reluzente que quando o sol batia quase cegava a vista! - minha cara tia pensei que família fosse para essas horas, as horas de calamidade, as horas de angústia nas quais eu necessito de apoio -disse tadeu- - você quer apoio por que é tão frangote que não é capaz de carregar nenhum tijolo quanto mais arrumar um emprego braçal e é muito anta para conseguir um emprego de contador ou banqueiro, se vois mice acha que eu vou sustentar sobrinho vagabundo Tá muito enganado meu filho -disse amelia- - mas tia a senhora viveu na casa de meu pai anos e anos e seu esposo não contribuiu e nem ajudou em nada. -disse tadeu- agora com uma expressão seria de quase julgamento. - Minha dívida era com seu pai, uma divida que nunca foi cobrada, para falar a verdade seu pai ignorou minha existência depois disso, nem no enterro de meu marido, que Deus o tenha, ele não foi por que vois mice acha que eu o deveria ajudar ? Não me venha com sentimentalismos baratos nem com histórias de dívidas, minha dívida morreu com seu pai E se vois mice não tem mais nada para falar pvf Se retire . -disse amelia- mudando seu sorriso de deboche para uma expressão quase assassina. - tia olhe no fundo de seu coração... naquele momento onde aquela velha bruxa bateu a porta na minha cara eu soube , eu soube não eu tive a total certeza de que estava sozinho. Se nem a irmã de meu pai me ajudaria quem o faria? Logo não soube oque fazer e as lágrimas me sobrevieram, enquanto chorava amargamente a caminho de casa uma jovem de cor se aproximou de mim, com um sorriso na cara e segurando algo atrás de suas costas, só para rir de minha cara e perguntar onde está minha riqueza, meus escravos, minhas mulheres, meu álcool e isso só me fez chorar e chorar cada vez mais, enquanto me afundava num poço de melancolia, percebi que pela primeira vez em minha vida não importava a raça ou a estipe da pessoa, aquelas palavras perfuraram meu coração como facas e quando dei por mim mesmo estava chorando no ombro de uma negra no meio da rua, olho para sua cara e reconheço aquele rosto aquela expressão de ódio, se tratava de uma antiga escrava, antes violentada por mim mesmo, e enquanto ela tirava a mão que antes ocultada atrás das costas e revela uma faca, e enquanto perfurava minha pele com aquele sorriso assassino quase perturbador e as lágrimas me escorriam o rosto, me apeguei a última coisa que me restou, a solidão a solidão de estar morrendo sozinho, a solidão de não ter mais nada, e perder a única coisa que me restava, a vida.
submitted by jup1t3r5 to EscritoresBrasil [link] [comments]


2020.03.06 06:20 altovaliriano A Grande Conspiração Nortenha - Parte 2

Texto original: https://zincpiccalilli.tumblr.com/post/52748381148
Autores: Vários usuários do Forum of Ice and Fire, mas compilado por Yaede.
Índices de partes traduzidas: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5, Parte 6
--------------------------------------------------------------------------

As Terras Fluviais: Corações lupinos

A Vingança da Senhora Coração de Pedra
Há um espião em Correrrio que se reporta à Irmandade sem Bandeiras. Seu nome é Tom dos Sete (ou Tom Sete Cordas de Seterrios), e desde que Jaime se interessou por ele, ele tem ouvido notícias de movimentos inimigos direto da boca do leão, além de esquivar-se pelo acampamento e castelo.
Sor Ryman [Frey] subiu ruidosamente a escada do cadafalso na companhia de uma prostituta de cabelos de palha, tão bêbada quanto ele. [...]Um aro de bronze martelado empoleirava-se, torto, em sua cabeça, gravado com runas e ornado com pequenas espadas negras. [...]
[Jaime:] Um bêbado, um idiota e um covarde. É melhor que Lorde Walder sobreviva a esse tipo, senão os Frey estão feitos . – Está dispensado, sor.
– Dispensado?
– Ouviu o que eu disse. Vá embora.
– Mas... para onde irei?
– Para o inferno, ou para casa, o que preferir. Que não esteja no acampamento quando o sol nascer. Pode levar sua rainha das putas, mas essa coroa que ela usa não – Jaime virou-se para o filho de Sor Ryman. – Edwyn, lhe darei o comando que era de seu pai. Tente não ser tão estúpido como ele.
– Isso não deverá ser tão difícil, senhor.
– Envie uma mensagem a Lorde Walder. A coroa exige todos os seus prisioneiro [...]
Uma multidão reunira-se junto do cadafalso, incluindo uma dúzia de seguidoras de acampamentos em vários graus de nudez. Jaime reparou num homem que trazia uma harpa.
– Você. Cantor. Venha comigo.
O homem tirou o chapéu.
– Às ordens do senhor.
Ninguém proferiu uma palavra no trajeto de volta ao barco, com o cantor de Sor Ryman a segui-los.
(AFFC, Jaime VI)
Tom fica sabendo de duas coisas na cena acima: 1) Ryman Frey, herdeiro de Lorde Walder, está deixando Correrrio, provavelmente retornando às Gêmeas. 2) Os reféns do Casamento Vermelho mantidos nas Gêmeas podem em breve ser transferidos para a custódia de Lannister e presumivelmente levados para Porto Real.
Uma possível terceira descoberta é que o Regicida é um comandante competente, o único homem com autoridade suficiente para por ordem nos Freys birrentos. Tom perde pouco tempo - não mais do que os dois dias que Correrrio leva para se render - entrando em contato com seus companheiros fora da lei sobre os planos de viagem de Ryman.
No próximo capítulo de Jaime, a Senhora Coração de Pedra emboscou Ryman e sua comitiva.
[Jaime] Em vez de regressar ao castelo de imediato, atravessou uma vez mais o Pedregoso para fazer uma visita a Edwyn Frey e discutir a transferência dos prisioneiros do bisavô. A hoste Frey começara a se desagregar horas depois da rendição de Correrrio, à medida que os vassalos e cavaleiros livres de Lorde Walder iam desmontando os acampamentos para se dirigirem para casa.
Os Frey que ainda restavam se preparavam para partir, mas foi encontrar Edwyn com o tio bastardo no pavilhão deste último.
Os dois estavam debruçados sobre um mapa, discutindo acaloradamente, mas calaram-se quando Jaime entrou.
– Senhor Comandante – disse Rivers com fria cortesia, mas Edwyn exclamou: – O sangue de meu pai está em suas mãos, sor.
Aquilo apanhou Jaime de surpresa.
– Como assim?
– Foi você quem o mandou para casa, não foi?
Alguém tinha de fazê-lo.
– Aconteceu algum infortúnio a Sor Ryman?
– Foi enforcado com toda sua comitiva – disse Walder Rivers. – Os fora da lei os capturaram duas léguas a sul de Feirajusta.
– Dondarrion?
– Ou ele ou Thoros, ou aquela mulher, Coração de Pedra.
Jaime franziu as sobrancelhas. Ryman Frey tinha sido um idiota, um covarde e um beberrão, e não era provável que alguém sentisse muitas saudades do homem, em particular os outros Frey. Se os olhos secos de Edwyn eram indicação de algo, nem mesmo seus próprios filhos fariam luto por ele durante muito tempo. Mesmo assim... Esses fora da lei estão se tornando ousados se se atrevem a enforcar o herdeiro de Lorde Walder a menos de um dia a cavalo das Gêmeas.
– Quantos homens Sor Ryman tinha consigo? – quis saber.
– Três cavaleiros e uma dúzia de homens de armas – disse Rivers. – É quase como se soubessem que ele ia regressar às Gêmeas, e com uma escolta pequena [...]
“Se você me perdoar por me intrometer na sua dor”, [Jaime] – Perdoe-me por me intrometer em sua dor – disse secamente –, mas temos outros assuntos a ponderar. Quando regressar às Gêmeas, por favor, informe Lorde Walder que o Rei Tommen exige todos os cativos que aprisionaram no Casamento Vermelho.
Sor Walder franziu as sobrancelhas.
– Esses prisioneiros são valiosos, sor.
– Sua Graça não os pediria se fossem inúteis.
Frey e Rivers trocaram um olhar. Edwyn disse: – O senhor meu avô esperará uma recompensa por esses prisioneiros.
E a terá, assim que me crescer uma nova mão, Jaime respondeu em pensamento.
– Todos nós temos esperanças – disse com brandura.
(AFFC, Jaime VI)
Muitos dos senhores do rio, de má vontade, dobraram os joelhos porque seus parentes ainda estão em cativeiro, da mesma maneira que Manderly diz concordar com os Boltons, mesmo sofrendo com a presença de Freys em sua corte, até que seu filho e herdeiro mais velho, Wylis, lhe é devolvido. Lorde Piper, por exemplo, que sai furioso do conselho de guerra de Jaime, provavelmente não quer nada além de passar Edwyn na espada, a menos que veja voltar ao lar seu filho primogênito, Marq.
Nenhum Frey estaria a salvo de represálias sangrentas caso os reféns do Casamento Vermelho escapassem a caminho de Porto Real. E a Irmandade sem Bandeiras poderá em breve estar em posição de facilitar exatamente essa fuga da prisão, tendo sido avisada da transferência graças a Tom.
Esta, no entanto, não é a única operação que a Irmandade sem Bandeiras poderia realizar. Pois Tom permanece em Correrrio no final de O Festim dos Corvos.
Lorde Emmon [Frey] reuniu Correrrio inteiro no pátio, tanto a gente de Lorde Edmure quanto a sua, e falou-lhes durante quase três horas sobre o que se esperava deles, agora que era seu chefe e senhor. De vez em quando brandia o pergaminho, enquanto moços de estrebaria, criadas e ferreiros escutavam num silêncio taciturno e uma ligeira chuva caía sobre todos.
O cantor, aquele que Jaime tomara de Sor Ryman Frey, também estava ali, escutando. Jaime deu com ele em pé numa porta aberta, onde estava seco. [...]
– Esperava que partisse com os Frey.
– Aquele ali em cima é um Frey – disse o cantor, indicando com a cabeça Lorde Emmon. – E este castelo parece um lugar bem aconchegante para passar o inverno. [...]
– Deve se dar magnificamente com a minha tia – disse Jaime. – Se espera passar o inverno aqui, assegure-se de que sua música agrade à Senhora Genna. É ela que importa.
– Você não?
– Meu lugar é junto do rei. Não ficarei aqui por muito tempo.
– Lamento ouvir isso, senhor. Conheço canções melhores do que “As Chuvas de Castamere”. Podia ter tocado para o senhor... Oh, sim, todo tipo de coisas.
(AFFC , Jaime VII)
Agora, lembre-se de que Daven Lannister está noivo de uma Frey: “Casarei e dormirei com minha doninha, nada tema. Sei o que aconteceu a Robb Stark. (Jaime V, AFFC) Jaime viaja para Covarbor, onde em A Dança dos Dragões ele trata com os Brackens e os Blackwoods, mas Daven é visto pela última vez em Correrrio, e especula-se que ele planeja se casar lá antes de tomar a estrada para Rochedo Casterly.
Nesse caso, bem, a Senhora Coração de Pedra talvez pretenda convidar a si mesma e a seus homens sem aviso prévio para um segundo Casamento Vermelho. A Senhora Genna não agradecerá a Jaime por ter colocado um alvo grande e gordo suas costas, e o próprio Lorde Walder pode decidir participar das festividades por uma oportunidade de se vangloriar do castelo subjugado de seus antigos senhores, os Tullys. A conversa de Tom sobre outras músicas – melhores que “As Chuvas de Castamere”, uma infame deixa musical para matança e caos – é bastante ameaçadora.
Mas ainda há mais! E é aqui que as coisas ficam realmente interessantes, em minha opinião.
[Jaime] Voltou-se novamente para a Senhora Mariya [Darry, esposa de Merrett Frey].
– Os fora da lei que mataram seu marido... eram do bando de Lorde Beric?
– Foi o que pensamos a princípio – embora os cabelos da Senhora Mariya estivessem salpicados de grisalho, ainda era uma mulher de aspecto agradável. – Os assassinos se dispersaram quando saíram de Pedravelhas. Lorde Vypren seguiu um bando até Feirajusta, mas ali perdeu o rastro. Walder Negro levou cães de caça e caçadores para o Atoleiro da Bruxa atrás dos outros. Os camponeses negaram tê-los visto, mas quando foram interrogados intensamente cantaram uma cantiga diferente. Falaram de um homem de um olho só e de outro que usava manto amarelo... e de uma mulher, coberta por manto e capuz [...] Os camponeses queriam fazer que acreditássemos que seu rosto estava rasgado e cheio de cicatrizes, e que seus olhos eram terríveis de contemplar. Dizem que liderava os fora da lei.
– Liderava-os? – Jaime achava difícil acreditar naquilo. – Beric Dondarrion e o sacerdote vermelho...
– ... não foram vistos – Senhora Mariya parecia ter certeza [...]
Walder Negro seguiu essa mulher encapuzada e seus homens até onde?
– Os cães voltaram a farejar seu cheiro ao norte do Atoleiro da Bruxa – disse-lhe a mulher mais velha. – Ele jura que não estava mais de meio dia atrás deles quando desapareceram no Gargalo. [...]
Eu não acharia os cranogmanos incapazes de abrigar alguns fora da lei, [disse Sor Danwell Frey].
(AFFC, Jaime IV)
O homem homem de um olho só é Jack Sortudo, o outro é Limo Manto Limão e, é claro, a mulher encapuzada é a Senhora Coração de Pedra. Também não é a primeira vez que alguma encarnação de Catelyn Stark visita o Atoleiro da Bruxa.
Cinco dias mais tarde, os batedores [de Robb] retornaram para preveni-los de que as águas da enchente tinham arrastado a ponte de madeira em Feirajusta.. [...]
Robb olhou para Catelyn.
– Há mais alguma ponte?
– Não. E os vaus estarão intransitáveis. – Tentou vasculhar a memória. – Se não conseguirmos atravessar o Ramo Azul, teremos de rodeá-lo, por Seterrios e pelo Atoleiro da Bruxa.
(ASOS, Catelyn V)
No final do capítulo, a hoste de Robb passou por Pedrasvelhas e Seterrios antes de esbarrar no Atoleiro da Bruxa. Jason Mallister os alcança, e lá Robb chama seu último conselho como Rei no Norte. Os leitores há muito tempo se perguntam o que aconteceu com o decreto de Robb, assinado e com testemunhas, no qual nomeou um herdeiro (provavelmente um Jon legitimado).
[Robb] pegou uma folha de pergaminho. – Mais uma coisa. Lorde Balon deixou o caos atrás de si, esperamos nós. Eu não farei o mesmo. Mas ainda não tenho um filho, meus irmãos Bran e Rickon estão mortos e minha irmã encontra-se casada com um Lannister. Refleti longa e duramente sobre quem poderá me suceder. Ordeno-lhes agora, como meus senhores legítimos e leais, que coloquem seus selos neste documento como testemunhas de minha decisão.
(ASOS, Catelyn V)
O documento não vai para o norte com Galbart Glover e Maege Mormont, que expressamente portavam cartas falsas, razão pela qual costuma-se temer que tenha sido perdido nas Gêmeas, no caos após o Casamento Vermelho. Outra possibilidade, no entanto, é que o documento tenha sido guardado em Atoleiro da Bruxa e agora tenha sido recuperado pela Senhora Coração de Pedra. Que, por sua vez, por uma verdadeira reviravolta irônica, entregaria a suposta prova da realeza de Jon em Atalaia da Água Cinzenta por segurança, aos cuidados de Howland Reed, que então conhece mais as coroas que Jon tem direito do que qualquer outro homem vivo no mundo de As Crônicas de Gelo e Fogo.
Tudo isso, se verdadeiro, significa que a Senhora Coração de Pedra é mais capaz de pensamento racional do que se acreditava. Conforme segue dizendo a teoria, sua sede de sangue inicial foi saciada, a Catelyn morta-viva começou a se lembrar mais de sua vida anterior, especificamente a vontade de Robb de que Jon o sucedesse como rei. Catelyn foi inflexivelmente contra isso, mas depois do Casamento Vermelho e que ressuscitar de sua cova aquosa a mudaram terrivelmente, ela tem alvos muito melhores para seu ódio do que o bastardo do falecido marido.
Jon pelo menos amava muito a família dela, também pensava em Ned como pai e Robb como irmão. Ele protegeria Sansa e Arya de todos os que poderiam lhes causar dano se as meninas fossem encontradas e, confessadamente, quer trazer morte e destruição para a Casa Lannister (AFFC , Samwell I/ ADWD, Jon II), sendo barrado de buscar vingança apenas por sua honra teimosa e seus votos à Patrulha da Noite.
O tempo da Irmandade sem Bandeiras e bandos fora- da-lei similares é limitado. O inverno está chegando e, mesmo com o apoio dos plebeus, será difícil continuar uma vida de guerrilha contra os Lannisters e Freys. Quem pode continuar a busca de vingança da Senhora Coração de Pedra? E talvez reviver as esperanças dos homens do norte e dos nobres das Terras Fluviais derrotados na causa pela qual Robb morreu? De independência do Trono de Ferro que desde então sancionou a quebra do sagrado direito de hóspede de não matar os seus?
De qualquer forma, a Catelyn morta-viva parece extraordinariamente contemplativa em sua cena final de O Festim dos Corvos, eu acho. E, o mais impressionante, ela tem o que foi identificado por descrição como a coroa de Robb, tirada de Sor Ryman, que não sentirá sua falta.
Uma mesa de montar tinha sido erguida do outro lado da gruta, numa fenda da rocha. Por trásdela encontrava-se sentada uma mulher toda vestida de cinza, com um manto e um capuz. Tinhanas mãos uma coroa, um aro de bronze rodeado por espadas de ferro. Estava estudando-a,afagando as lâminas com os dedos, como que para verificar se estavam afiadas. Os olhoscintilavam sob o capuz.
(AFFC, Brienne VIII)
A Senhora Coração de Pedra é sem dúvida sincera em seu desejo de ver Jaime morto. Imagine, no entanto, que, se ela o mata imediatamente ou o manda em uma perseguição louca atrás dos rumores sobre Sansa, ela terá perdido o único comandante inimigo eficaz, devidamente designado como representante do Trono de Ferro. E isso no momento em que a Irmandade Sem Bandeiras aparentemente está se preparando para a ação, com um espião em Correrrio enquanto as forças de Lannister e Frey se dispersam pelas terras fluviais, (demasiado) confiantes de que a guerra terminou com vitória.
Existe racionalidade por trás loucura da Senhora Coração de Pedra? Talvez. Beric Dondarrion era capaz disso, mas a Catelyn morta-viva estava muito mais longe quando reviveu e havia enlouquecido de pesar no momento da morte. Por outro lado, ela é consciente o suficiente para liderar a Irmandade sem Bandeiras, reconhecer seus inimigos e atar Brienne à sua promessa de serviço (por mais cruel que sejam os métodos empregados).
Infelizmente para os Lannisters e Freys (e talvez para os Boltons, também, mesmo que estejam ao norte do Gargalo), sua morte não é algo que a Senhora Coração de Pedra está planejando sozinha.
submitted by altovaliriano to Valiria [link] [comments]


9 MULHERES ÚNICAS QUE VOCÊ NÃO VAI ACREDITAR QUE EXISTEM ... Atração por mulheres mais velhas. - YouTube HOMENS PREFEREM MULHERES MAIS VELHAS FátimaBernardes ... 5 coisas que admiramos nas mulheres mais velhas - YouTube mulheres lindas - as bundas mais gostosas - maravilhosas ... POR QUE OS HOMENS PREFEREM MULHERES MAIS VELHAS? - YouTube Nunca Namore Mulheres Mais Velhas - YouTube Mulher mais velha com HOMEM mais novo - YouTube MULHERES mais velhas com HOMENS mais jovens - Dá certo ... Mulher mais velha com Homem mais novo...

Como Conquistar Uma Mulher Mais Velha - 5 Técnicas Matadoras

  1. 9 MULHERES ÚNICAS QUE VOCÊ NÃO VAI ACREDITAR QUE EXISTEM ...
  2. Atração por mulheres mais velhas. - YouTube
  3. HOMENS PREFEREM MULHERES MAIS VELHAS FátimaBernardes ...
  4. 5 coisas que admiramos nas mulheres mais velhas - YouTube
  5. mulheres lindas - as bundas mais gostosas - maravilhosas ...
  6. POR QUE OS HOMENS PREFEREM MULHERES MAIS VELHAS? - YouTube
  7. Nunca Namore Mulheres Mais Velhas - YouTube
  8. Mulher mais velha com HOMEM mais novo - YouTube
  9. MULHERES mais velhas com HOMENS mais jovens - Dá certo ...
  10. Mulher mais velha com Homem mais novo...

***NÃO ESQUEÇA DE SE INSCREVER*** Facebook: https://www.facebook.com/alexandre.dejesus.73 Email: [email protected] O 'ENCONTRO - com Fátima Bernardes que deu o maior Ibope! Mulher mais velha, homem mais novo... Será que isso pode dá certo, produção? ★REDES SOCIAIS OFICIAI... Os homens preferem as mulheres mais velhas? Se você perguntar para Fatima Bernardes, Ana Maria Braga, Susana Vieira, Ivete Sangalo, ou Luana Piovani, a respo... AsTopBrasil🇧🇷🔝👍🏿Olha Que Linda!! mulheres lindas - as melhores imagens das mulheres lindas. 5 mulheres mais lindas do mundo (segundo a internet). já sã... Neste vídeo falo por que alguns homens preferem mulheres mais velhas Link para o livro Decifrando a mente masculina: https://go.hotmart.com/W5308885V Link pa... Há muitas mulheres únicas no mundo que você provavelmente nem sabia que existiam. Algumas são diferentes desde o nascimento, e outras são por opção, mas toda... Ao observarem exemplos como Suzana Vieira e Mara Maravilha. alguns dos meus seguidores me perguntaram sobre relacionamentos amorosos entre mulheres mais velh... 5 coisas que admiramos nas mulheres mais velhas será que é fácil conquistar uma mulher mais velha a maioria dos homens prefere as mulheres mais velhas mas o ... 🔴 Baixe Meu Ebook Grátis Homem de Alto Valor: https://www.socialarts.com.br/eros-optin-hdav/ Esse vídeo é sobre Nunca Namore Mulheres Mais Velhas Pare de seg... Hoje a gente vem responder a pergunta. Sentir atração por mulher mais velha é normal? Já se inscreveu no canal? Inscreva-se já! Para curtir clique no joi...