Como fazer uma mulher grávida depois do casamento

A gravidez é um dos momentos mais belos e mágicos que uma mulher pode desfrutar na vida. ... As mamães devem esperar até depois da gravidez para fazer uma ... ser perigoso para a grávida ... Durante esses sete meses de gravidez, já li muitas coisas que toda mulher grávida não quer que você diga ou faça. Não encontrei conselho algum sobre o que se deve dizer a uma futura mãe. É ... No caso de Sofia, a traição aconteceu apenas uma vez, mas custou-lhe o casamento. “Casei com 19 anos porque estava grávida. Na altura pareceu-nos o mais correto, mas na verdade, sabíamos muito pouco da vida e muito menos do casamento. 5 coisas que vão mudar no seu relacionamento depois da gravidez. Ficar grávida vai trazer muitas mudanças e algumas delas podem afetar o casal. ... diz Cathy O’Neil, co-autora do livro Casamento à prova de Bebês, em tradução livre. Estar consciente disso e aprender a gerenciar e entender suas emoções vai ajudá-la a manter e ... O valor é definido de acordo com os recursos do pai e da mãe. Se o pagamento não for feito, a mulher pode recorrer na Justiça. Depois do nascimento, o valor será convertido em pensão ... O casal precisa decidir quantos filhos deseja ter. Nos países em desenvolvimento, é comum ver uma mulher com filhos pequenos amamentando um bebê e esperando outro. O bom planejamento e a consideração pela mulher devem incluir um intervalo apropriado entre uma gravidez e outra, para que ela possa se refazer depois do parto. Nutrição. Grávidas antes do casamento.: Olá meninas, assim como eu tbm tem muitas meninas que ficaram grávidas ou estão grávidas atualmente antes do casamento.Sou noiva estava planejando meu casamento e compra meu apartamento mais agora grávida as prioridades são outras. Vamos discutir Mellhor esse assunto conta-me qual foi a sua experiência de ser mãe antes do casamento e conte-me tbm vc ... Bem-vindo a mais uma edição da minha série ocasional para homens abraçando a idade adulta e se tornando um marido decente. O tópico de hoje é: “Como ser casado com uma mulher grávida”, que eu escolhi depois de rejeitar, “Como cravar um prego em seu pé”, e, “Como tocar fogo em si mesmo.” Grande parte do que é aquecê-la, claro, é fazê-la se sentir confortável e segura. Você vai ver diversos passos abaixo sobre como respeitá-la, procurar consentimento e, em geral, fazer coisas que você não veria como algo que a excitaria. Não as negligencie, elas são importantes. Apenas um dia depois do casamento dos seus sonhos na praia, uma mulher chamada Jillian Diana foi abandonada pelo marido, que foi pressionado pela mãe para fazer escolher entre ela e a nova esposa. Jillian deu a conhecer a sua história através de um vídeo que publicou no TikTok. Segundo a própria, ela e o […]

Eu venci a depressão e é isso que tenho feito desde que me curei! - Parte 5/365

2020.10.13 07:10 TapperTotoro Eu venci a depressão e é isso que tenho feito desde que me curei! - Parte 5/365

Uma espécie de diário aberto: Tinha vezes em que eu não queria ou voltava para casa.
Olá!
(Editado: comecei a escrever há mais de três horas (usar atrás nesse ponto configuraria redundância lol) e agora que terminei, vejo que o texto é enorme. O próximo será mais curto, prometo!)
Para colocar em perspetiva: tudo isso aconteceu no meu último ano de casamento, e nessa mesma altura, os pensamentos sobre acabar com a minha própria vida ganharam tamanha força e se a minha ex-esposa não tivesse ficado grávida do nosso segundo filho, tenho a certeza de que não estaria por cá hoje. Ele, o meu segundo Príncipe, foi um dos gatilhos para a minha decisão de lutar pela vida.
Em 2018 aconteceram imensas coisas e mudanças na minha vida, começando pelo caos no início do ano após perder o trabalho porque os serviços de fronteiras e estrangeiros de Portugal cometeram um erro relativo à caducidade do meu cartão de residência (deveria caducar em Agosto, e eles colocaram Fevereiro - o documento tem a validade de 5 anos, o meu teve 4 anos e 6 meses apenas), e por conseguinte, estar impedido de trabalhar (por conta própria ou de outrem), seguido do facto que eles obrigaram-me a renovar o meu passaporte que caducava em, na altura, mais ou menos seis meses (para cidadãos Angolanos isso implica duas coisas: ou gastar mais de dois mil euros para viajar para Angola e tratar dos documentos ou pedir para alguém que tenha uma procuração para tratar, apostilar e autenticar em vários órgãos governamentais Angolanos e Portugueses em Angola tais documentos, coisa que demora pelo menos 2 meses).
Segundo, o piorar da relação "juridico-afetiva" porque mesmo com todas as coisas que aconteciam na minha vida, a minha ex-esposa acusava-me das coisas mais absurdas (se ela sonhasse com algo que me envolva com outra mulher a culpa era minha; se uma mulher na rua olhasse para ela de forma fixa era porque tinha alguma coisa comigo mesmo quando ela saía sozinha; discussões e acusações de que ela era vítima por parte da família dela acabavam sempre com o "eu só não faço porque o Aladino não gosta" - nota: esforçava-me para estar com a família dela, mas havia dias em que preferia não estar porque não são as melhores pessoas do mundo, mas nunca a proibi de ir, mesmo sem mim, mas ela sempre disse que não ia porque eu não queria ir ...).
Tudo isso e mais alguma coisa me fez me focar imenso em começar a trabalhar num projeto pessoal enquanto estava proibido por lei de exercer alguma atividade laboral remunerada por causa dos meus documentos de residência que, mesmo que erradamente, estavam caducados. Então atirei-me de cabeça para um projeto literário para editar e publicar obras de outros autores sem cobrar absolutamente nenhum valor monetário. Como é que pretendia ganhar dinheiro com isso? Por cada cópia das obras artísticas que o autor vendesse, eu ganharia 5% e outros 5% iam para um fundo para ajudar tanto os autores quanto outras pessoas que precisassem de ajuda, 10% o autor tinha a opção de investir para criar "merchandise" e os restantes 80% revertiam integralmente para o autor, afinal, ele é a pessoa mais importante no projeto que tinha. Além disso, também tinha alguns pequenos investimentos que me ajudavam a suportar as despesas mensais ...
Aos poucos fui ficando mais reservado pois sentia-me traído pela minha ex-esposa depois de ter pedido em várias ocasiões para que ela não me usasse como escudo para as guerras dela e para que parasse de falar dos meus projetos e problemas ou questões para outras pessoas, coisas estas que só diziam respeito a mim e à ela. Ela prometeu-me também em várias ocasiões que não o faria (por incrível que pareça, as mesmas pessoas que eu não queria que soubessem das coisas, não sei com que intuito, conversavam comigo a falar sobre tudo o que faço, e também sobre as que não fazia eu a ideia que fazia, mesmo sem ter eu contado nada, exceto para a minha ex-esposa), mas por amá-la imenso, não me chateava ou discutia. Na verdade (só) discuti uma vez, pois prefiro sempre estar calmo e conversar do que me exaltar ...
Isso fez-me adotar um ciclo que se tornou mais vicioso do que era: acordar, trabalhar, estudar e quando me lembrasse, comer. Era (quase) tudo o que fazia. Não havia nos meus dias espaço para lazer para mim, não havia espaço para falar com amigos (ou poucos que restavam e que não sucumbiram ao veneno dela ou não pararam de falar comigo por causa dos ciúmes dela), não havia espaço para viajar e estar com a minha família; nada extra, somente acordar, trabalhar, estudar, comer, tentar dormir.
Aos poucos o projeto começou a dar muito certo, e como não tinha dinheiro para contratar alguém para me ajudar, tampouco podia por causa da situação dos meus documentos; comecei a fazer mais coisas, como ir à reuniões com possíveis autores e com os que tinham obras comigo para editar e publicar, conhecer instituições com as quais queria ter parcerias, salas e auditórios para o lançamento das obras que editaria e publicaria sob o selo do projeto, enfim, uma infinidade de coisas que não conseguia terceirizar. Além das imensas chamadas telefónicas e emails, tinha de ir presencialmente a muitos lugares, recebia muita gente em casa também (onde tinha o meu escritório) e muitas das vezes tinha de ir para lugares que só funcionavam ao final da tarde e noite (na maior parte das vezes era porque eu só conseguia ir para lá ao final da tarde mesmo).
Por algum motivo, a minha ex-esposa tinha ciúmes disso e as pessoas diziam que andava a traí-la, tanto que ela visitou "bruxas" ou pessoas que "têm visão" e que diziam que era isso que eu andava a fazer sempre que recebia uma mulher em casa (eu sou "bissexual" e as pessoas com "poderes sobrenaturais" nunca afirmaram que eu a traí com homens, só com mulheres), mas não me importava com isso pois tinha a minha consciência limpa. O cúmulo foi quando alguém disse que me viu num lugar com uma mulher qualquer quando estava em casa a dormir, e ela minutos antes saiu de casa para ir às compras e deixou-me a dormir e era fisicamente impossível eu estar naquele lugar (não existe maneira de sair em menos de 10 minutos do ponto A até ao ponto B quando a distância entre ambos é de mais de 20 quilómetros e só existirem estradas muito movimentadas e com limite de velocidade de 60 Km/h nessa mesma área). Nessa ocasião, depois de já termos tido vários momentos em que ela gritava comigo por ciúmes (ou simplesmente por algumas vezes dar eu prioridade às coisas que faço em vez das dela - para colocar em perspetiva: 80% do meu tempo e dinheiro foram gastos com e para ela, 19% com os meus filhos e o restante 1% era para mim e para os meus amigos e outros familiares, isso desde que me mudei para Portugal em 2012) ela preferiu acreditar na pessoa que disse que me viu na rua com uma mulher qualquer. Simplesmente cansei-me de (tentar) explicar e voltei às minhas coisas (nota: não é muito fácil eu ser confundido com outra pessoa, primeiro porque sou extremamente alto, e segundo porque eu tinha o cabelo cor de prata na altura e não corto a barba numa tentativa de fazê-la crescer, coisa que se tem mostrado infrutífera para a minha deceção heheheh).
Os dias em que eu saía de casa, conduzia sem destino ou estacionava o carro num lugar qualquer e caminhava sozinho, voltando para casa somente no dia seguinte.
Depois desse episódio absurdo, passei e ligar cada vez menos ao que as pessoas diziam sobre mim, inclusive ela, a minha ex-esposa, pois nada disso me estava a fazer bem, e sempre que o ambiente em casa ficava insuportável, eu saía de carro sem destino, sem atender o telemóvel ou ver as mensagens, eu simplesmente queria estar sozinho com os meus pensamentos e tentar entender o porquê de mesmo não fazendo nada de errado, estar sempre errado. Todo esse caos junto com o luto pela morte do meu pai que só consegui fazer depois de me divorciar, arrastaram-me para o fundo do poço da saúde mental, não havia um dia em que eu podia parar para estar com ela sem que começasse tudo bem e se alguma pessoa afirmasse alguma coisa que não fiz, ela simplesmente acreditava nelas mesmo não dando eu motivo para tal. Ou terminavam mal quando ela queria sair e eu não podia/queria ir com ela, ou se fosse, não fizesse tudo exatamente como ela queria que eu fizesse.
E esses dias terminavam comigo a ouvir os gritos dela, com ela a gritar com o meu primeiro Príncipe por coisas absurdas, com ela a chorar e a pedir desculpas e prometer que mudaria e não mais gritaria pois eu odeio gritos por causa da minha infância e ela sabe disso desde que nos conhecemos, e afirmava isso sempre que pedia desculpas; mas o dia seguinte era só uma "reprise" do dia anterior mas mais intenso pela negativa ... a única saída para mim era sair de casa sem destino, ir até ao mar algumas vezes e deixar que o mundo lavasse a minha alma e mente, mas estava errado. Ninguém sobrevive ao caos se não sair dele definitivamente e afastar-se da variável que é a ignição do caos. Eu só percebi isso num dia em que saí de casa de madrugada e numa estrada reta fechei os olhos (não para dormir, mas fechar para não ver o mundo mesmo) e acelerei o máximo que pude. Eu queria ver até onde é que conseguia ir se não visse nada, ou o que aconteceria se tivesse um acidente, mas alguma coisa fez-me abrir os olhos.
No dia que precedeu o em que fechei os olhos enquanto condizia, a minha ex-esposa voltou para casa a chorar em desespero com uma carta (é assim que se chamam dos documentos ou faturas que chegam por correio aqui em Portugal) aberta na mão, e eu soube logo que ela estava grávida do nosso segundo filho, mesmo não sabendo que ela tinha feito o teste ou que suspeitava disso. Soube porque a reação dela foi exatamente igual quando ficou grávida do nosso primeiro filho. Novamente eu sorri e fiquei super feliz apesar de ter, durante o ano de 2017, dito que não queria ter outro filho (ela disse muitas vezes para mim e para outras pessoas com quem estivemos que queria ter outro filho). Abracei-a e limpei as lágrimas dela, disse que estava tudo bem e que teríamos o filho e ela disse que chorava porque achava que eu não quereria que ela tivesse a criança (porque ela contou para outra pessoa antes de me ter contado que estava grávida e esta disse que eu diria para ela fazer o aborto, mas eu sou pró-vida e sempre disse para ela que apesar de não querer, nunca recorreria ao aborto caso ficasse grávida novamente pois todas as vidas são preciosas para mim). No momento não dei importância para esse pequeno facto pois estava tremendamente feliz ... E meses depois, quando a nossa relação chegou no ponto de rotura, soube que ela planeou a gravidez e que usaria isso para prender-me à ela e "salvar" a nossa relação.
Foi um dos piores sentimentos que tive ao ouvi-la a dizer isso ao telefone enquanto falava com a nossa gestora de conta bancária. Ela nunca soube que ouvi essa conversa (acho que achou que eu estivesse no escritório no piso superior de casa e ela estava na sala no piso inferior e do corredor dá para ouvir quem fala na sala, mesmo com a porta fechada). Depois disso, outra pessoa mandou-me uma mensagem a dizer a mesma coisa, e perguntou porquê é que eu queria que ela ficasse grávida só para salvar a nossa relação ... Nunca respondi essa mensagem. Nunca contei para ela que sei de coisas que fomentaram o meu dizer "sim, aceito o divórcio" quando ela pediu o divórcio a meio da gestação do nosso segundo filho (o divórcio também era mais uma jogada dela para "pressionar-me psicologicamente"). As pessoas que se importam comigo até hoje mandaram-me áudios, prints das mensagens trocadas onde ela dizia as coisas mais absurdas e partilhava os planos que tinha para preservar o nosso casamento e manipular-me psicologicamente; cheguei inclusive a entrar para as contas dessas pessoas com a autorização delas só para ver que os prints e áudios eram reais e recebidos das contas que ela usa. Mas o meu "sim" para o divórcio, foi mesmo quando uma das pessoas da família dela disse, numa conversa telefónica, que se me visse na rua atropelar-me-ia por estar eu a pedir o divórcio numa altura em que ela estava grávida, entretanto, quem pediu o divórcio foi ela, depois de sem eu saber ter ela ido ao advogado tratar dos papeis, e para todas as pessoas que ambos conhecemos ela disse que fui eu a pedir o divórcio e a tratar disso (os agendamentos com o advogado).
No início do ano corrente (2020) confrontei-a com esse facto último, pois por alguma razão ela andava a tentar controlar a minha vida mesmo depois do divórcio e disse na minha cara que fui eu quem pediu isso (o divórcio) e que só estamos divorciados porque quis e pedi isso. Foi a primeira vez que ela disse essa mentira para mim, e fiquei chocado pois ela acredita nas próprias mentiras que cria a ponto de contá-las para mim com se fosse verdade. Mandei para ela as mensagens do dia em que ela avisou que estava marcada a reunião com o advogado para tratar dos papeis do divórcio, e na mensagem seguinte pergunto: O quê? Divórcio? Que divórcio?
Ela nunca respondeu a mensagem em que a confrontei com o facto de que foi ela quem pediu o divórcio, não contei outro facto sobre coisas que sei dos planos ardilosos engrenados por ela; e acho que nunca contarei. Só espero que os meus Príncipes sejam fortes o suficiente para lidar com ela até a maioridade, e que ela não os manipule da mesma ou de outra maneira.
Depois do divórcio, nunca saí de casa sem destino, nunca mais discuti com alguém ou me exaltei, vivi na rua e tive crises de ansiedade graves, fiz medicação para a mente, fui acompanhado por psicólogos e tive de ir à polícia apresentar uma queixa de violência doméstica (mesmo depois do divórcio, qualquer tipo de violência psicológica ou física por parte de um ex-conjugue configura violência doméstica aqui em Portugal e pelo que me lembro das aulas de direito que tive no secundário, em Angola também), mas tudo isso foi parte do processo para poder sair definitivamente do buraco da depressão ...
Para todas as pessoas que estejam a viver algo parecido, a melhor saída é mostrar para as pessoas que fomentam o caos da vossa vida que elas são o mal que vos afeta a ver se elas percebem o mal que fazem, mas tentem o máximo que puderem, caso as coisas não mudem ou comecem a piorar, simplesmente afastem-se delas, definitivamente ou não, mas afastem-se, pois a saúde mental degrada-se imenso e se passamos o ponto de rotura, as consequências podem ser desastrosas. Nada nesse mundo vale a perda de uma vida, nada nesse mundo é precioso o suficiente para poluir a nossa saúde mental a ponto de todas as coisas e pessoas se tornarem só objetos animados que nos rodeiam. Afastem-se de tudo e de todos os que fazem mal com consciência dessa maldade. Amem ao máximo, mas afastem-se.
Com carinho;
Aladino.
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2020.07.09 00:18 MellowKween As pessoas mudam, mas fica quem quer. A história de uma amizade entre um homem e uma mulher.

Esse será um desabafo longo...
Conheci meu melhor amigo 'Tom' com 15 anos de idade. Morávamos no subúrbio e éramos apenas colegas de classe na época. Um certo dia nós dois estávamos num role dos amigos e eu e Tom começamos a conversar. Nós éramos muito parecidos e entramos numa sintonia absurda. Tom sempre foi um cara super extrovertido, engraçado e inteligente. Sabe aquela pessoa que conquista qualquer um? Esse era Tom. Naquela época, ambos eram apaixonadinhos por outras pessoas da sala, nossa amizade era pura e platônica. Tom era louco por Clara e eu pegava um outro carinha. Clara era da nossa turma, mas também era a mina mais gata do colégio. Esse era o tipo de garota que o Tom curtia: aquelas que todos cobiçam. Clara curtia ele, mas sempre brincou com seus sentimentos.
Tom e eu seguimos fortalecendo nossa amizade. Meu pai havia falecido e eu passei por uma depressão forte. Tom chegou a salvar minha vida algumas vezes... devo muito a ele. Eu morei fora um tempo e falava com ele pelo menos uma vez por semana. Ele sempre esteve lá pra mim e eu para ele, ouvindo as cagadas da Clara... Quando voltei para o Brasil, minha família havia mudado para SP, onde comecei a faculdade. Tom, assim como nossos amigos de colégio, ainda morava no subúrbio, mas ele vivia no meu apê. Esse era nosso nível de amizade, ele dormia na minha casa quando estava em SP e eu dormia na casa dele quando estava no nosso antigo bairro. Eu fiz muitas amizades na facul, e naturalmente, todos ficaram muito próximos de Tom também. Amizades que hoje são tão importantes pra ele quanto pra mim.
Passamos pelo primeiro perrengue de amizade nessa fase... eu fui crescendo e me encaixando no meu corpo... estava no meu melhor durante a facul. Me tornei uma mulher, já estagiava e vivia minha própria vida. Tom, por outro lado, estagnou... Tom nunca precisou se provar pra nada, ele sempre foi inteligente e carismático, acho que isso o deixou cair no conforto. Sua família é incrível e ele nunca precisou de nada. Ele tinha um problema nas costas que dificultava fazer esportes e ele se deixou crescer. Eu nunca me importei com a aparência de Tom pq sua personalidade sempre foi muito mais interessante. Eu poderia ficar conversando com ele por séculos, rindo e aprendendo... Já pensei muitas vezes em ter um relacionamento com Tom, mas infelizmente, ele demorou muito para amadurecer. Eu me tornei uma mulher quase independente e não conseguia me ver com um homem que se comportava como adolescente. Se há algo que eu nunca quis ser é mãe/babá de macho. Nunca consegui sentir atração por Tom por conta desse atraso emocional. Mas nada pôde impedi-lo de se apaixonar por mim naquela época. Ah mas era fácil de mais pra ele... Vocês entendem como pra mim isso é ofensivo? Eu nunca fui a Clara. Nem mesmo no meu melhor, nunca fui a mina mais linda do role. Ele só foi me curtir quando eu estava bem e ele mal... enfim, nós nunca nos separamos ou nos afastamos, ele nunca se declarou, só vinha com aquele papo 'se os dois estiverem solteiros em 30 anos a gente casa' mas falava pra nossas amigas em comum. Eu sempre frequentei a casa de Tom, sou muito próxima da família dele e sei que eles também torciam que um dia a gente ficasse juntos, mas sempre fomos incompatíveis romanticamente...
Nesse meio tempo, a família do Tom também veio para SP. Estávamos com 24 anos. Nós vivíamos juntos, eu já trabalhava e morava sozinha e ele vivia no meu apê. Tom estava procurando emprego e ainda morava com os pais. No meu trampo conheci "Jack", um homão da porra. Por um milagre, Clara apareceu de novo também e, obviamente, Tom nem pensou duas vezes antes de correr atrás dela. Nossa amizade era pura novamente. Eu e Jack viramos um casal, mas Tom e Clara não foram pra frente. Com 26 anos, nossas vidas mudavam... nossos amigos de infância casavam e tinham filhos e eu estava morando com Jack. Tom estava sempre na nossa casa. Ele ficou muito amigo do Jack, inclusive. Éramos tão próximos, nós três, que Tom dormia no nosso apê depois de noites de papo e jogos. Passamos reveillons e carnavais juntos, as vezes com a galera toda, as vezes só nós três. Eu queria muito que Tom arranjasse uma namorada, queria ver ele amadurecer, crescer e fazer vários roles de casal juntos.. era meu sonho.
Tom mudou de curso na facul depois de 2 anos pra fazer o mesmo que eu, mas em outra instituição. Tentei arranjar vários trampos pra ele na área, mas depois de se formar ele logo mudou de foco e quis entrar em outro mercado. Eu sempre fiz de tudo pra ajuda-lo a crescer e consegui arranjar um trampo pra ele na área que ele queria. Foi nesse trampo que ele conheceu "Paula". Paula é muito diferente dos nossos amigos, mas é uma mulher forte e inteligente, gostei dela de primeira. Mas Paula era um pouco mais velha e tinha outras prioridades... logo que eles começaram a namorar, Tom sumiu. Não nos chamava mais pra nada e quase sempre rejeitava nossos convites... aquele sonho que eu tinha de fazer roles de casal foi indo por água abaixo. Paula não curte quase nada do que a gente (nosso grupo de amigos próximos) curte, acho que Tom foi se afastando pq sabia que Paula não se sentia confortável no nosso role - não por conta do tratamento com ela, que sempre foi inclusivo, afinal todos amam muito Tom e queriam conhecer e agregar Paula, mas por motivos de hábitos mesmo. Nossos amigos (inclusive Tom) fumam (cigarros e outras coisas..) e Paula é alérgica a fumaça. Paula nunca tentou se aproximar da gente, não de verdade. No começo ela se fazia de próxima, mas era mais pra ganhar nossa aprovação do que pra realmente nos conhecer. Eles namoraram por 1 ano - tempo que mal vimos Tom - até que um dia anunciaram um noivado. Esse foi o relacionamento mais sério que Tom teve na vida. Eles ainda moravam com os pais. Eu achei muito estranho. Obviamente quero ver Tom feliz, mas fiquei preocupada, não sabia se ele já estava apto para casar sem pelo menos morar sozinho antes. Ele não sabia fazer tarefas básicas, tá ligado? Enfim, isso é um problema que eu tenho, mas que Paula pode não ter, então quem sou eu pra interferir. Eles se casaram no meio da pandemia. Eu queria estar presente para Tom num dia tão importante e falei com a irmã dele para armar uma surpresa no dia (eles iam no cartório de manhã e teriam um almoço só com a família próxima depois). O plano era juntar os amigos mais próximos do casal (pra vcs terem noção, eu não conheço uma única amiga da Paula, tive que achar as mina no instagram) e fazer um zoom surpresa na hora do almoço, quando eles cortariam o bolo e diriam os votos. Mas Paula teve a mesma ideia e quis chamar amigos pra participarem no dia... nossa surpresa estava em perigo, mas tudo bem. Ela fez um convite "Para os melhores amigos" participarem. Nenhum amigo do Tom foi convidado. Paula nem se importou pelo jeito... Quando eu entendi que eles estavam convidando pessoas e não me chamaram, eu desabei. A irmã do Tom me falou que ele deve ter esquecido e que nós continuaríamos com a surpresa (ela e a família tb não queriam que não houvesse um único amigo dele no dia. Gente, Tom era quase prefeito, cara super popular, não fazia sentido...). No dia anterior do casamento, eu liguei pro Tom pra dar parabéns, pra desejar felicidades, etc. Meio que dando uma última oportunidade pra ele me convidar. Nada, desconversou. Eu e Jack aparecemos no zoom, mas foi por obrigação. Nunca imaginei que seria assim o casamento de Tom. Ele ficou tão emocionado com a surpresa, me agradeceu e tal, mas não fazia mais diferença. Tom virou outra pessoa, não somos mais amigos como fomos por quase 20 anos. Grudados. Fiz tudo que pude por ele, sempre o mantive por perto, nunca imaginei que ele tinha tão pouco apresso pela nossa relação.
Está sendo difícil desapegar de Tom... sua família e os amigos estão um pouco preocupados com a falta de interesse dele em pessoas que sempre foram muito presentes. Já me pediram pra tentar falar com ele e entender o que está acontecendo. Paula sempre muito rígida, não deixa as conversas saírem do seu domínio. Mas sinceramente, não quero intervir. Tom tem as obrigações dele, as responsabilidades dele, não vou mais ser ferramenta de nada pra ele. Paula não controla o que ele fala ou o com quem ele se relaciona, ela não é essa pessoa, ele escolheu se comportar dessa maneira. Ele precisa crescer e casamento não é sinônimo de amadurecimento. Tentando correr atrás de um tempo perdido, Tom se atropelou. Se ele não quer minha ajuda, não vou forçar. Só na frozen, Let it go.
Eu conheci "Sara" quando tínhamos 5 anos. Sara era quase uma irmã pra mim, viva com minha família por anos. Estudamos juntas nossas vidas inteiras, mas nos afastamos bastante por muito tempo. Quase não nos falávamos mais. 3 anos atrás ela casou e me chamou pra ser madrinha. A gente quase não se falava e ela me chamou pra ser parte da cerimônia, convidada de honra. Na mesma semana que Tom não me chamou pro casamento dele, Sara me ligou dizendo que estava grávida e que eu seria 'titia'. Anos separadas não abalou nossa relação. Por isso meus amigos, eu repito, as pessoas mudam, mas quem quer, fica.
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2020.02.22 03:31 altovaliriano Harpa de Rhaegar nas criptas de Winterfell

Texto original: https://cantuse.wordpress.com/2014/07/31/the-secret-in-the-winterfell-crypts/
Autor: Cantuse
Título original: The Secret in the Winterfell Crypts

Eu tenho uma teoria sólida sobre um possível segredo que mudaria tudo que sabemos sobre as criptas de Winterfell:
A singular harpa de cordas de prata de Rhaegar está no túmulo de Lyanna.
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– Fará uma canção para ele? – a mulher perguntou.
– Ele já tem uma canção. É o príncipe que foi prometido, e é sua a canção de gelo e fogo [...]
(ACOK, Daenerys IV)
Esta citação é sobre Aegon e se dá entre Elia e Rhaegar. Lembre-se do que Marwyn diz: "A profecia é como uma mulher traiçoeira" . Rhaegar pode estar errado sobre Aegon; ou, mais provavelmente, ele acredita que uma ou todas as três 'cabeças do dragão' são/é o príncipe que foi prometido.
Tematicamente, é mais sensato se Jon Snow for o Príncipe que foi prometido. Especialmente quando você considerar sua paternidade. Apenas combine as palavras Stark e Targaryen. Observe também que, se atualmente você acredita que os pais de Jon são Rhaegar e Lyanna, Jon é possivelmente um 'príncipe prometido', com base nas lembranças de Ned sobre as palavras finais de Lyanna: “Prometa-me, Ned” .

A QUESTÃO DA LEGITIMIDADE

Eu estava profundamente em conflito quando li A Dança dos Dragões pela primeira vez.
Eu sempre acreditei na teoria "R + L = J", então sabia que tinha um viés pessoal: que Jon deve ser um protagonista central e um verdadeiro 'Targaryen secreto', que esse Aegon VI ("Jovem Griff”) Era apenas um pretendente. Eu lutei com esse preconceito contra Aegon VI por algum tempo, sem respostas reais à vista. Intelectualmente, sabia que não poderia responder à pergunta de quem é realmente legítimo.
* * *
Comprovando legitimidade
Ocorreu-me então que havia um método mais prático de abordar a questão, a formação de uma pergunta que fornece possíveis respostas ao mistério: "Como uma pessoa prova legitimidade?"
Isso representa um desafio para Aegon e Jon. Olhando para eles de perto:
Não basta aparecer como um Targaryen ou se declarar um; você precisa de legitimidade, precisa de provas. Os senhores de Westeros já duvidam de sua legitimidade, então ele deve provar ou subjugar todos eles. Em algum momento, ganhar vassalos com uma pretensão legítima será mais valioso do que conflito. Também não ajuda que ele seja apoiado pela Companhia Dourada. Diz bastante que ele e seus conselheiros saibam disso, e é por essa razão que ele está inicialmente empenhado em garantir a mão de Daenerys no casamento; assima ele terá o sangue dela e seus dragões para estabelecê-lo.
Ele está supostamente morto, mas lembre-se: se a noção de estabelecer alguma conexão entre Jon e Rhaegar for importante para a história, independentemente do status vital dele, essa teoria ainda será útil. Ninguém além de Howland Reed tem conhecimento da hereditariedadede Jon, então ele não teria necessidade de encontrar algo parecido com essa harpa. Mas para aqueles de nós que gostariam de vê-lo revelado como Targaryen bastardo ou verdadeiro, Azor Ahai ou o príncipe prometido, ele também deve provar isso a si mesmo e/ou aos demais.
O próximo passo lógico é perguntar: "O que reforçaria significativamente uma pretensa ascendência Targaryen?"
Observe que não há Targaryen vivo e universalmente reconhecido (fora Daenerys) que possa garantir a autenticidade de uma pessoa. Isso também é verdade para um não-Targaryen que tenha amplo conhecimento da legitimidade de um candidato. Assim, não há pessoas vivas que possam declarar genuína e legalmente uma pessoa como um verdadeiro Targaryen, apenas pela força da palavra. Isso seria verdade tanto para Jon Connington quanto para Stannis e Howland Reed.
Simplificando, os nobres de Westeros não têm razões intrínsecas para assumir que um candidato é legítimo apenas com base em palavras.
* * *
A necessidade de evidência
Conseqüentemente, os senhores de Westeros precisarão de evidências objetivas e físicas de legitimidade antes que possam ponderar seriamente a autenticidade de um suposto Targaryen.
Mas que tipo de evidência causaria esse tipo de contemplação?
Meus primeiros pensamentos foram para as espadas valirianas Irmã Sombria e Fogonegro.
Infelizmente, ambas as espadas estão associadas a linhagens bastardas de Targaryen, cada uma manchada por histórias que realmente prejudicariam qualquer reivindicação de legitimidade.
As duas também permaneceram invisíveis por vários anos. Portanto, podem haver sérias questões logísticas sobre se elas permaneceram em famílias de sangue Targaryen verdadeiro ou bastardo: não existe uma "cadeia de custódia " confiável para sugerir que um portador atual tenha algum legítimo relacionamento com a dinastia Targaryen.
Portanto, parece que a ideia de que as lâminas Targaryen possam demonstrar legitimidade é, na melhor das hipóteses, incerta. Mas a exploração da ideia não foi sem benefícios: chegamos a uma constatação valiosa.
Nós, leitores, sabemos inerentemente que, se algum tipo de prova exsistir, será algo que é:
  1. Bem conhecido pelos grandes senhores e damas do reino,
  2. Universalmente reconhecido como um símbolo da verdadeira linhagem Targaryen,
  3. Possui uma forte cadeia de custódia,
  4. E de alguma forma demonstra a hereditariedade de um pretendente.
* * *
Usando informações meta-textuais
Também podemos explorar algum conhecimento de fatores que existem fora dos próprios livros .
No quinto livro de uma série de sete livros, seria um pouco sofisticado introduzir uma nova evidência na história, apenas com o objetivo de responder ao enigma da legitimidade. Provavelmente seria visto pelos leitores como uma desculpa esfarrapada, um artifício inventado para que Martin se livrasse de um problema no qual ele mesmo havia se metido.
Martin já declarou que quer evitar escrever esse final para a série porque estava descontente com o final de Lost . Além disso, conhecendo a preferência de Martin por implementar indícios subliminares de eventos futuros, a evidência que será usada é provavelmente algo que está debaixo de nossos narizes . O tipo de coisa que vamos nos surpreender quando olharmos em retrospectiva.
* * *
Um momento Eureka!
Lá estava eu, fazendo um brainstorming de todos os artefatos, volumes e tesouros possíveis dos Targaryen em que eu pudesse pensar. Em certo momento, eu estava em uma divagaão, ruminando sobre as seguintes passagens:
Quando criança, o Príncipe de Pedra do Dragão era extraordinariamente dado à leitura. Começou a ler tão cedo que os homens diziam que a Rainha Rhaella devia ter engolido alguns livros e uma vela enquanto ele estava em seu ventre. Rhaegar não tinha nenhum interesse pelas brincadeiras das outras crianças. Os meistres ficavam assombrados com sua inteligência, mas os cavaleiros do pai trocavam gracejos amargos sobre Baelor, o Abençoado, ter renascido. Até que um dia o Príncipe Rhaegar encontrou algo em seus pergaminhos que o mudou. Ninguém sabe o que pode ter sido, só se sabe que o garoto apareceu no pátio uma manhã, no momento em que os cavaleiros vestiam as armaduras. Foi direito a Sor Willem Darry, o mestre de armas, e disse: “Vou precisar de espada e armadura. Parece que tenho de ser um guerreiro.”
(ASOS, Daenerys I)
– A perícia do Príncipe Rhaegar era inquestionável, mas ele raramente entrava nas liças. Nunca gostou da canção das espadas, como Robert ou Jaime Lannister gostavam. Era algo que tinha de fazer, uma tarefa que o mundo tinha lhe atribuído. Desempenhava-a bem, pois fazia tudo bem. Era essa a sua natureza. Mas não tirava dela nenhuma alegria. Os homens diziam que o Príncipe Rhaegar gostava muito mais da harpa do que da lança.
(ASOS, Daenerys IV)
– Mas que torneios meu irmão ganhou?
– Vossa Graça. – O velho hesitou. – Ele ganhou o maior torneio de todos.
(ASOS, Daenerys IV)
– Sim. E, no entanto, Solarestival era o lugar que o príncipe mais amava. Ia para lá de tempos em tempos, acompanhado apenas de sua harpa. Nemmesmo os cavaleiros da Guarda Real o serviam ali. Gostava de dormir no salão arruinado, sob a lua e as estrelas, e sempre que regressava trazia uma canção. Quando se ouvia o príncipe tocar sua harpa com cordas de prata e cantar a respeito de penumbras, lágrimas e a morte de reis, era impossível não sentir que ele estava cantando sobre si e sobre aqueles que amava.
(ASOS, Daenerys IV)
O que surge daí é que parece que Rhaegar tinha a intenção de ganhar o Torneio em Harrenhal por algum motivo, mas estava muito pouco interessado em cavalaria e combate. De fato, é fortemente demonstrado que Rhaegar estava muito mais interessado em tocar sua harpa e ler pergaminhos antigos.
De repente, tive um pensamento radical!
E se Rhaegar nunca quis ser um lutador, mas apenas o fez para conhecer Lyanna. E, portanto, fora esse torneio, ele preferisse apenas continuar tocando sua harpa !?
Essa ideia pode não ser verdadeira e não é realmente importante para a teoria deste ensaio. O que importa é que a harpa assomou-se em minha mente.
Foi quando a epifania me atingiu como uma bigorna:
É aquela maldita harpa.
A idéia rapidamente se formou: a harpa de Rhaegar seria central para estabelecer a autenticidade . Atende quase imediatamente a todos os requisitos que estabeleci acima, em um nível mais preciso e objetivo do que qualquer sugestão concorrente.
* * \*

A força de uma harpa

Então, como a harpa de Rhaegar atende aos três requisitos que eu expus na seção anterior?
  1. Como sabemos que é bem conhecido em Westeros?
  2. Como sua autenticidade pode ser confirmada, como um sinal da verdadeira herança Targaryen?
  3. Como podemos verificar se ela possui uma forte cadeia de custódia, indicando que não caiu nas mãos de um pretendente inescrupuloso?
  4. Como um objeto como a harpa realmente prova a herança do sangue?
Reconhecimento: Um Instrumento Bem Conhecido
Em primeiro lugar, existem muitos personagens importantes que fornecem lembranças ou observações específicas sobre a harpa de Rhaegar:
Quando se ouvia o príncipe tocar sua harpa com cordas de prata e cantar a respeito de penumbras, lágrimas e a morte de reis, era impossível não sentir que ele estava cantando sobre si e sobre aqueles que amava.
(ASOS, Daenerys IV)
Dany não conseguia abandonar o assunto.
– É sua a canção de gelo e fogo, disse meu irmão. Tenho certeza de que era meu irmão. Não Viserys, Rhaegar. Tinha uma harpa com cordas de prata.
O franzir de testa de Sor Jorah aprofundou-se tanto que as sobrancelhas se juntaram
– O Príncipe Rhaegar tocava uma harpa assim – ele anuiu. – Viu-o?
(ACOK, Daenerys IV)
De noite, o príncipe tocou a harpa de prata e a fez chorar. Quando lhe foi apresentada, Cersei quase se afogou nas profundezas de seus tristes olhos púrpura..
(AFFC, Cersei V)
No banquete de boas-vindas, o príncipe pegara sua harpa de cordas prateadas e tocara para eles. Uma canção de amor e perdição, Jon Connington se lembrou, e toda mulher no salão chorava quando ele abaixou a harpa.
(ADWD, O Grifo Renascido)
Cada um dos personagens mencionou especificamente a característica singular da harpa de Rhaegar: suas cordas de prata (Cersei se refere ao instrumento como uma 'harpa de prata', completamente de prata).
Não estamos sequer contando os inúmeros outros óbvios que viram a harpa em qualquer uma das muitas apresentações de Rhaegar.
Dada toda essa ênfase, parece inteiramente razoável concluir que a harpa de Rhaegar poderia ser facilmente reconhecida por vários (talvez muitos) personagens de Westeros.
Dito de outra forma:
A harpa de Rhaegar é facilmente reconhecida por sua característica singular: suas cordas de prata.
Muitos personagens específicos viram e lembram distintamente desse detalhe.
Existem muitos outros personagens inominados que viram a harpa também.
Assim, cumprimos nosso primeiro requisito, a harpa é realmente bem conhecida em Westeros.
* * *
Autenticidade: o sinal de um príncipe Targaryen
O segundo critério é verificar se a harpa é realmente um sinal de ascendência Targaryen.
O maior problema aqui é o óbvio: possuir a harpa (ou qualquer relíquia semelhante) não estabelece automaticamente a linhagem Targaryen . Um ladrão de sepulturas não pode se proclamar descendente de um faraó simplesmente porque saqueou uma tumba egípcia.
Isso cria um problema óbvio para a teoria da harpa (ou qualquer outra teoria de ancestralidade das relíquias de Targaryen). A resolução desse problema requer duas coisas:
É justo dizer que existem vários artefatos dos Targaryen que, após inspeção cuidadosa, podem ser reconhecidos como autênticos: as espadas valirianas, as coroas de Targaryen e assim por diante. No entanto, a maioria deles está ausente da história há décadas, o que significa que há cada vez menos pessoas que continuam vivas para garantir sua autenticidade.
Da mesma forma, outras teorias sobre os objetos existentes que conferem legitimidade também são igualmente dificultadas pela incapacidade de estabelecer sua autenticidade. A idéia popular de que uma capa nupcial Targaryen possa existir, indicando uma união legítima entre Rhaegar e Lyanna, é vulnerável às perguntas extremamente básicas de "Quem realmente a fez?" e "Por que nunca vi isso antes?". Um argumento subseqüente é que qualquer objeto ou evidência que exista também deve ser difícil de falsificar ou replicar.
Essencialmente, o que você precisa é de um objeto que possa ser reconhecido como autêntico por vários indivíduos vivos. Também seria de grande valor se esses indivíduos representassem conjuntos de interesses múltiplos e distintos. Muito parecido com um álibi ou um conjunto de testemunhas de um crime, você não deseja coletar seus fatos de fontes tendenciosas: as pessoas têm muito mais probabilidade de apoiar a autenticidade se sentirem que a afirmação disso é verdadeira e objetiva.
Como observei na seção anterior, a harpa de Rhaegar certamente se qualifica como um objeto que sabemos ter sido visto por muitas pessoas que ainda vivem (muitas delas relativamente jovens). Também foi expressamente mencionado por vários personagens diferentes e opostos. Isso reforça a noção de que esses personagens saberiam que a harpa autêntica seria verdadeira, mesmo que sua posição pública fosse diferente. Também ajuda que os leitores tenham recebido uma descrição da harpa com relativa distinção; assim, os leitores também estão em posição de apreciar a suposta validade de uma harpa.
Então você pode ver que a harpa de Rhaegar tem o status singular de ser uma relíquia quase certamente: afiliada aos Targaryens, reconhecida como autêntica por muitos senhores e senhoras vivos vivos, de diferentes alianças, e pelos próprios leitores.
* * *
Domínio: Uma Cadeia de Custódia
Mesmo que haja consenso entre personagens sobre a autenticidade da harpa, ela não prova nada. Se uma relíquia não prova linhagem, o que provaria? Por que então uma relíquia seria valiosa?
Para estabelecer qualquer confiança de que a propriedade da harpa implica hereditariedade, primeiro devemos mostrar que a harpa não estava em uma posição em que um pretendente inescrupuloso possa tomá-la. Devemos mostrar que ele passou de Rhaegar para seu novo proprietário por meio de um método que não apresentava exposição ou risco de adulteração.
Além disso, a posse ou o recebimento da harpa por qualquer requerente deve ser testemunhada. Especificamente, isso deve ser testemunhado por indivíduos cuja autoridade e honra estão além da censura.
O que isso significa para a harpa é que, onde quer que esteja (se ainda existir), sua aquisição deve ser documentada ou observada por vários senhores proeminentes de Westeros. Também deve ser demonstrado que a harpa esteve em um local onde podemos confiar que não foi violada ou perturbada por falsos pretendentes. Assim, dada a ausência de um verdadeiro dono Targaryen, documentado ou verdadeiro, o melhor lugar para a harpa seria em um cofre ou túmulo de algum tipo. Um que poderia ser razoavelmente determinado como não sendo adulterado.
Dado que a harpa ficou invisível há anos, sua cadeia de custódia seria melhor determinada caso a harpa tivesse sido mantida em segurança em um cofre ou outro equivalente confiável.
Se, de fato, a harpa está localizada em um cofre, túmulo ou outra forma de proteção fisicamente segura; com seu depósito e saque legalmente testemunhados por um quorum de senhores; podemos ter razoável certeza de que o histórico da harpa não está contaminado.
* * *
Patrimônio: Estabelecendo uma Conexão de Sangue
Mesmo que um personagem acredite que a harpa é real e tenha uma sólida cadeia de custódia, isso não significa que quem a tiver recebe automaticamente a herança Targaryen.
Isso seria verdade para qualquer objeto destinado a estabelecer a legitimidade de uma pessoa.
Para tanto, seu objeto deve estar em conformidade com um dos seguintes itens:
Não há indicações ao longo dos livros de que a própria harpa possa apontar para qualquer sucessor. Isso poderia ser dito de qualquer evidência, seja uma capa, uma espada ou uma coroa.
Naturalmente, isso significa que deve haver algo mais que confira ancestralidade sanguínea. A harpa então atua como alavanca, aumentando a validade da reivindicação e, no melhor dos cenários, estabelecendo o que poderia ser razoavelmente chamado de "preponderância de prova".
Embora a descoberta da harpa possa colocar muitas pessoas a ponderar, ela não estabelece relações de sangue por si só. Alguma outra evidência precisa ser usada.
No entanto, a harpa pode ajudar drasticamente a legitimidade dessa evidência.
Discuto essa possibilidade em uma seção posterior deste ensaio. Por enquanto, vamos deixar de lado a questão.
* * \*

Um instrumento deixado para trás

Agora eu gostaria de compartilhar a história de como a harpa de Rhaegar acaba no túmulo de Lyanna.
Primeiro, reconheço que não posso provar dedutivamente que a harpa está no túmulo de Lyanna. Em vez disso, especulei sobre as circunstâncias que a levaram a estar lá, com um alto grau de confiança na resposta resultante. Eu então ponderei essa teoria contra alternativas usando as noções de 'menos complicado' e 'mais relevante para a narrativa' para chegar à conclusão de que isso é mais provável do que qualquer alternativa. É uma peça do quebra-cabeça que resolve mais partes do quebra-cabeça do que qualquer outra opção.
As circunstâncias e os motivos a respeito de como a harpa acaba no túmulo de Lyanna são melhor descritos como uma sequência de eventos:
Primeiro, Rhaegar deixou a harpa na Torre da Alegria
Rhaegar adorava tocar sua harpa. É algo que todo mundo familiarizado com ele diz. Ele foge com Lyanna por quase um ano antes de retornar a Porto Real e subsequente ruína no Tridente. É improvável que Rhaegar deixasse sua harpa para trás quando se dirigiu para a Torre da Alegria.
Após a eclosão da rebelião de Robert, parece que ele esperou até ficar claro que Lyanna estava grávida. Supondo que ele planejasse voltar, é provável que ele não levasse à guerra coisas que ele não planejava usar ou pudesse pegar de volta. Levá-la à guerra ou a Porto Real também coloca em risco de ser destruída caso ele a perca. Ele também pode ter deixado-a para trás como um símbolo para Lyanna de sua afeição e da promessa de voltar.
No mínimo, não houve menção a ela em nenhum momento durante ou após a Rebelião de Robert , o que implica que ela desapareceu em algum ponto. Dado que a harpa sempre foi mencionada como estando na posse de Rhaegar, é lógico que ele estava no controle da disposição da harpa. Embora seja verdade que a harpa poderia simplesmente ter sido destruída no Tridente, alguém poderia imaginar que Rhaegar teria agido para impedir que a harpa chegasse perto da batalha, e se a harpa foi mantida no acampamento de Rhaegar, por que não há menção de como foi descartada?
Além disso, Rhaegar pode ter calculado as chances de sua própria morte. É interessante notar pelas citações acima que Rhaegar não estava interessado em torneios e até foi derrotado neles. Talvez realmente seu treinamento militar se limitasse àquilo que tivesse relação com os segredos que ele descobriu em seus pergaminhos. Tendo em conta que o lugar em que ele venceu mais proeminentemente foi em Harrenhal, parece razoável que ele apenas tenha participado na medida em que aquilo se adequasse a quaisquer profecias que ele houvesse descoberto.
Isso talvez seja um indício de que Rhaegar sabia que Robert poderia derrotá-lo, tanto por ter sido derrotado em torneios antes, quanto pelo fato de que talvez as profecias de Rhaegar indicassem que sua vitória em Harrenhal era o que importava, e não sua vitória no Tridente. Considerando-se que Rhaegar não mostra tal fatalismo em sua conversa final com Jaime, estou inclinado a acreditar que Rhaegar não tinha certeza do resultado glorioso da batalha e havia se preparado de acordo.
A harpa também é uma ferramenta poderosa . Deixá-la para trás também pode ter sido uma tentativa deliberada de deixar um dispositivo que de alguma forma poderia ser usado posteriormente por aqueles que sobreviveram a ele. Isso seria particularmente verdadeiro se Rhaegar pensasse que a harpa poderia ser usada para estabelecer seu consentimento ou a afirmação de algum tipo de evento ou agenda controversa. Isso pareceria particularmente provável se estivesse convencido de que o referido evento ou agenda era fundamental para as profecias com as quais ele era tão fiel.
Considerando-se os argumentos extremamente persuasivos para Jon Snow ser filho de Rhaegar e Lyanna, começa-se a suspeitar que Rhaegar pode ter deixado a harpa para trás como parte de um esquema para estabelecer a hereditariedade ou legitimidade de Jon.
Isso seria baseado no fato de que sua harpa é tão singular que sua presença no lugar errado sugeriria uma conexão com Rhaegar. Se Lyanna - supostamente sequestrada por Rhaegar - tivesse surgido com um bebê recém-nascido e, entre outras evidências, a harpa, teria sido um argumento convincente.
No entanto, isso não aconteceu. Lyanna morreu na Torre da Alegria. Nenhuma criança, harpa ou pretensão surgiu.
Em vez disso, sabemos o que realmente aconteceu: a Batalha do Tridente, a luta na Torre da Alegria. Prometa-me, Ned ; e uma cama de sangue.
Ou não sabemos?
* * *
O pedido de Lyanna no leito de morte
"Prometa-me, Ned."
Imagine alguém dizendo para você "Prometa-me, ". Imagine isso sendo dito várias vezes.
Se você é como eu, a coisa mais imediata que vem à mente é alguém pedindo que você faça algo que você relutaria em fazer ou algo em que eles não confiam que você fará.
Por exemplo, "Prometa que vai limpar essa bagunça" normalmente significa "Eu sei que você não quer fazer isso, mas por favor limpe essa bagunça".
Isso leva a um conjunto bastante óbvio de observações:
As pessoas não exigem que uma pessoa prometa fazer algo que ela faria naturalmente.
Precisamente o oposto, eles exigem a promessa de uma pessoa de fazer algo desconfortável, arriscado, inconveniente ou prejudicial.
Assim, a promessa de Ned a Lyanna provavelmente envolvia algo que não era fácil para ele.
Como outras teorias apontam, pedir para ser enterrado nas criptas de Winterfell parece ser um desejo mundano e prescindível de se fazer em seu leito de morte (um ponto que parecerá irônico depois que você ler essa teoria). Lembre-se de dois pontos que minam essa ideia:
1. A família Stark tem sido enterrada nas criptas de Winterfell há gerações, incluindo parentes como irmãos e irmãs.
[...] estavam agora quase no fim, e Bran sentiu-se submergir em tristeza. – E ali está o meu avô, Lorde Rickard, que foi decapitado pelo Rei Louco Aerys. A filha Lyanna e o filho Brandon estão nas sepulturas ao seu lado. Eu, não, outro Brandon, irmão do meu pai. Não era previsto que tivessem estátuas, pois issoé só para os senhores e reis, mas meu pai os amava tanto que as mandou fazer.
(AGOT, Bran VII)
2. Somente os Senhores de Winterfell e os Reis do Inverno anteriores têm estátuas.
É difícil imaginar que a promessa de Lyanna consistisse em pedir uma estátua a Ned em sua homenagem. Como mencionei, esse é um desejo aparentemente mundano e estúpido. E sinceramente um que Ned realmente teria pouca dificuldade em manter.
Portanto, parece inteiramente plausível, até lógico, que a promessa de Ned a Lyanna envolvesse algo diferente de sua estátua. Certamente algo de uma magnitude mais desconfortável para Ned. E é isso que ajuda a impulsionar as especulações subseqüentes.
Mais do que tudo, Ned odeia ver crianças mortas.
Ned ama muito sua família e está disposto a sofrer severos castigos e desonras quando necessário para proteger seus filhos. Mas isso vai além de sua carne e sangue: observe como ele luta fortemente contra a exigência de Robert de que uma Daenerys grávida seja morta, e como ele arrisca tudo e confronta Cersei sobre seu incesto, tudo porque ele quer evitar danos aos filhos dela.
Não tenho dúvidas de que, mesmo que Lyanna não tivesse pedido, Ned teria acolhido Jon. Não importa quantos desafios ele teria que enfrentar ao adotar Jon, ele o faria.
A promessa de Ned a Lyanna não envolvia criar Jon, já que Ned faria isso de qualquer maneira.
Mas voltando ao que eu disse sobre a natureza de pedir promessas aos outros, Lyanna provavelmente pediu que ele fizesse algo que ele estava apreensivo. O que parece provável é que ela estivesse pedindo para que ele preservasse a herança de Jon, para ser um dia compartilhada com Jon ou outras pessoas, algo que Ned nunca iria querer fazer .
Mais do que tudo, a promessa de Ned envolvia algo que colocaria em risco uma criança.
A criança mais relevante seria o filho em potencial de Lyanna.
A tarefa que colocaria o filho de Lyanna em maior perigo seria estabelecer sua herança. Especialmente se essa criança fosse legítima.
Lembre-se de que Ned já sofreu a perda de seu pai, seu irmão, possivelmente do meio-irmão e da meia-irmã de Jon, e estava testemunhando a morte de sua irmã. Qualquer homem são ficaria compreensivelmente traumatizado. Ele viu muita morte e guerra; muitas crianças mortas.
Com o aparente fim da dinastia Targaryen consolidado, não haveria razão prática para contar a Jon sua ascendência. Fazer isso só reabriria as feridas que estavam começando a curar (naquela época), mancharia a imagem de Lyanna para o reino e provavelmente resultaria na morte de Jon, tanto como Targaryen quanto possivelmente como um pretendente bastardo (pense que a natureza de sua família lembra os bastardos da Rebelião Blackfyre). No mínimo, o desejo de Robert por sangue Targaryen exigiria a morte de Jon.
Existem várias razões possíveis para Lyanna querer que Jon conheça sua linhagem :
Eu suponho que Ned argumentaria verbalmente que nunca contaria a Jon, ou que Lyanna sabia implicitamente que ele não queria. Estou inclinado a acreditar na primeira opção, que Ned iria contra o pedido de Lyanna falando sobre as mortes de Aegon e Rhaenys. Talvez então Lyanna simplesmente exigisse uma promessa ou depois o enganasse de alguma maneira.
* * *
[Continua nos comentários]
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2019.12.26 01:41 FeedBerg LactoVacilo

Semana passada, tava de boa aqui em casa, depois de chegar do trampo.
Aí, começaram a bater palma no portão. Fui atender, era a tia que vende yakult. Falando: “quer Yakult, senhor?”.
Eu gosto de yakult, fui lá no portão e falei “quero sim, me vê um pacote fechado”, porém, notei que ela me olhava diferente, fazia uns movimentos lascivos com a sobrancelha e os lábios, num clima envolvente e sensual, típico de uma mulher no cio necessitando acasalar. Do nada, ela me disse que estava com vontade de ir ao banheiro. Malandramente (e era não era nada inocente) ofereci o banheiro de minha humilde residência pra ela. Abri o portão e ela então adentrou minha casa puxando a carriola, a qual ficou estacionada no quintal. Entramos e ela de fato foi ao banheiro. Após isso, ofereci a ela um potinho de yakult, do qual eu mesmo havia comprado. Estava gelado. Ofereci um brinde, ela aceitou e no momento eu disse “a nós”.
Degustamos aquela maravilhosa bebida, tecendo elogios aos lactobacilos vivos e ao excelente funcionamento intestinal que os mesmos promovem, porém em nossos olhares já nos despíamos. Resolvi tomar uma iniciativa, levantei-me, coloquei no Spotify um álbum de Kenny G e me voltei a ela, massageando meu penes por cima da minha multicolorida bermuda da osklen. Ela mordeu os lábios e então me aproximei. Ela abriu o botão da minha bermuda e destacou o velcro, vagarosamente. Meu membro em riste saiu pelo buraco da minha zorba e ela se pôs a chapá-lo como uma bezerra faminta dos andes, magistralmente. Foi então que eu disse “fica de 4 sua vadia”. Ela ficou de 4 no sofá, eu baixei a calça dela e introduzi minha verga, sem camisinha, to nem ai sou enlouquiçado mesmo... Fiquei alí bombando aquela caverna suada quando propus a ela um sexo anal. Ela topou. Fui até a cozinha procurar algo que fosse lubrificante, estava com pressa, quando achei um potinho de cápsulas de óleo de fígado de bacalhau. Pois bem, peguei aquilo mesmo, o tesão tomava conta da minha persona, voltei pra sala, abri o potinho, peguei umas 4 balinhas daquela, estourei e passei no "zói de porco" dela. Estourei mais 3, melequei minha tora e introduzi no butuim dela. Foi mágico, acho que estou apaixonado.
Hoje eu tava em casa numa boa, jogando um Diablo 3 quando de repente toca o interfone. Olhei pela fresta da janela e vi que era a tiazinha do yakult de novo. Atendi e falei “hoje não, obrigado” e desliguei. Aí ela continuou tocando e tocando. Atendi novamente e disse que não queria yakult. Aí ela disse “FeedBerg, preciso falar com vc, assunto sério” e eu respondi “olha, não temos mais o que conversar, o que rolou entre a gente foi lindo mas eu tô em outra, segue o teu caminho, eu te acho uma criatura especial, vc sabe disso mas passou, não to nessa pegada” e novamente desliguei o interfone. Voltei pro meu Diablo, tô lá jogando de boa quando sem mais nem menos escuto um puta estrondo. Olhei pela fresta da janela de novo e não vi nada. Dalí uns segundos, vejo a mulher tomando distância no meio da rua com o carrinho e vindo pra cima do portão de novo. O portão de casa é de folha de zinco, ela tava batendo com o carrinho de yakult no portão, eu desci correndo e nesse meio tempo ela deu mais uma pancada que arrancou a dobradiça do portão e derrubou ele. Cheguei na rua, ela tava na febre do rato, locaça. Foda que o carrinho dela tava com um bagulho na frente, tipo um quebra-mato. Parecia uma pajero. Eu fui conversar com ela, ela veio pra cima de mim com o carrinho, tentando me atropelar, gritando, me chamando de sem vergonho.
A vizinhança inteira na rua, uma minazinha que eu sou afim mas nunca cheguei nela pq tenho vergonha viu tb, foda. Ela acertou o carrinho na minha canela, tá doendo até agora. Aí, depois de muito falar, consegui acalmar a fera e chamei ela pra conversar. Antes, passei um arame no portão pq ele ficou caído aí entrou um vira-lata da rua pra montar nas minha dog, depois outro, tava foda. Enfim, entramos, conversamos e ela me disse que tá grávida de 4 meses, que não tem onde ficar, que o marido expulsou ela de casa com os outros 3 filhos dela, que o mais velho tá desempregado faz quase 1 ano e tals. Aí eu falei “e seu marido te expulsou por que?” Aí ela disse que ele fez vasectomia, que nesse casamento eles não tiveram filhos, que os filhos dela são de outros casamentos etc. Pediu pra ficar em casa com os meninos, falou que o mais velho que tem 32 anos é pintor e que podia pintar a garagem pra eles ficarem la.
Eu disse que queria fazer DNA, ela se ofendeu, quebrou meu blu-ray, aí eu disse que beleza, eu assumia e tals. Conversamos bastante, ela se acalmou, pintou um clima e acabamos transando de novo. Eu disse que eles podiam ficar em casa, pra ela voltar amanhã com as coisas dela. Quando ela virou as costas, liguei pro meu primo Enzo que é serralheiro e pedi o carro dele emprestado. Ele tem uma strada, vende banana na feira todo sábado aqui perto do cemitério. Coloquei minhas coisas tudo na caçamba, guarda-roupa, armarios etc e vazei. Vim pros fundos da serralheria do Enzo e larguei a casa lá, o contrato de aluguel ta pra vencer mesmo, então de boa. Trouxe as minha dog e peguei um pitbull usado pra deixar na casa. Se ela derrubar o portão tá fudida.
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2019.07.15 00:58 ederribeiro O curioso caso de você

Oi pessoal! Sou novo aqui no sub. Gosto muito de ler e às vezes escrevo alguma coisa. Comecei a escrever este texto em 2016 e ficou guardado desde então. O encontrei faz pouco tempo e resolvi mexer um pouco e publicar (https://medium.com/@ederrf/o-curioso-caso-de-voc%C3%AA-efbc470ced3d). Apesar de escrever por hobby (e muito raramente) quero evoluir e estou seguro que aprenderei muito por aqui!
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Você abre os olhos. Tudo dói muito. Olha ao redor, está deitado. Não reconhece o quarto nem a cama. Algo se move no canto do olho, há outra pessoa aqui. Com uma voz doce comenta como você dormiu pouco e te pergunta como se sente. Por não saber se a condição de dor é ou não a norma você sinaliza que está tudo bem. Você tem sede, mas não consegue expressar isso. Não há voz. Insiste ao máximo, um máximo que suspeita ser muito pouco. Mergulhado em sede, cansaço e frustração adormece novamente.

Você abre os olhos. Levanta da cama. É uma cama grande, feita para dois, mas ocupada só por um. Vai ao banheiro e lava o rosto. Caminhar demanda um esforço grande, mas você se lembra que era pior quando não conseguia nem sair da cama. Toma café e come uma torrada. Fica com a impressão que comer deveria ser mais prazeroso, talvez um dia seja. Se senta ao lado do telefone, há alguém com a qual lhe agrada conversar. A espera é grande, o telefone não toca, você adormece novamente.

Você abre os olhos. O sofá não é aquele que escolheram juntos, essa não é sua sala. Sai para a rua, há uma padaria próxima. O café é ruim, o que ela faz é melhor. Sente saudades de casa. Saudades do trabalho também. Sem nada para fazer, segue caminhando após o café. Para para descansar em uma praça. A perna dói um pouco. Deveria ver um médico sobre isso, mas não hoje. Tira uma garrafa de metal do paletó e vira um pouco da bebida na garganta. Se embriaga e dorme no banco da praça.

Você abre os olhos. A vê sentada na cama ao seu lado. Ela fita a janela, não há nada lá. A presença dela te incomoda, mas a ela você incomoda muito mais. Bebe um suco e come um biscoito como café da manhã. Tem saudades do café que ela já não te faz mais. Sai para trabalhar. A aposentadoria está próxima e você não vê a hora. O trabalho não te traz prazer algum e você também não traz benefício algum para a empresa, mas ainda assim sai tarde do trabalho. Chegar cedo em casa deixa mais tempo para discussões, é melhor ir ao bar. O plano é só chegar em casa depois que ela estiver dormindo. Você chegará e dormirá também. Dormirá em sua cama e não naquele sofá desconhecido.

Você abre os olhos. Vira na cama e espera ela acordar. Um “bom dia”, um beijo e um “eu te amo”. É assim que você faz com que o dia dela comece. Brigas acontecem, mas não é assim com todo casal? Começar bem o dia é o que importa. Nada pode nos separar. Depois do café é hora de ir para o trabalho. Reuniões. Relatórios. Conferências. E-mails. Fim do dia, hora de voltar para casa. Sua filha te liga para avisar que melhorou da gripe e que o marido dela foi promovido. Você pensa no neto que ainda não tem, mas prefere não tocar novamente nesse assunto agora. Depois do delicioso jantar vem o sono. Hoje foi um bom dia.

Você abre os olhos. Dormiu pouco. Sua filha saiu para uma festa e só chegou tarde da madrugada. Não há como dormir sem saber que ela está de volta em casa e em segurança. Por mais que sua esposa não deixe de comentar que seu futuro genro é um rapaz responsável, ninguém protege melhor uma filha que um pai. Sua única filha é seu maior tesouro. É sua maior razão de viver. É um amor que quatro letras fazem pouco para representar. E era ela que estava com você no fim.

Você abre os olhos. Foi só um cochilo. Uma mulher não fica grávida sozinha, o pai, se presente, também está grávido. O tempo parece passar mais rápido agora. O casamento foi há pouco tempo e agora falta pouco para que a família se concretize. É menina, vocês já sabem. Às vezes, quando dorme, você sonha. Sonha com a escuridão. Uma escuridão constante e longa, calma e angustiante. A consciência do nada é o que há de pior para se encarar. Quando acorda desses sonhos em geral se lembra de algo que ouviu “o que vem antes do início não é diferente do que vem depois do fim”. Alguém te contou isso. Em um sonho ou fora de um.

Você abre os olhos. Está de ressaca. Fica feliz de perceber como tudo é melhor agora. Come o que quiser, bebe o quanto quiser, o corpo aguenta tudo. Nem sempre foi assim. Por outro lado os amigos de agora são o mais “para sempre” que jamais foram. Eles são hoje mais do que foram antes. Por que nos separamos tanto? Se precisasse de um sofá para dormir hoje teria dez à sua disposição e não apenas um. Carpe diem. O que importa é o agora. Hoje dormirá tarde, ou nem dormirá, a noite não acaba quando se tem amigos.

Você abre os olhos. Sempre acorda bem. Você acha justa a troca das responsabilidades do passado pela inconsequência do agora. Seus pais pegam no seu pé, mas você compreende. Sabe o que é ser um pai. O que é preocupar com um filho. As reflexões de antes são diferentes de agora. Hoje, pela última vez, você viu aquela que foi sua esposa. Você compreende que o tempo passa diferente, que sua ampulheta está mais para lá do que para cá, mas não sente medo.

Você abre os olhos. O mundo parece maior que antes. A cada dia ele cresce mais e você fica menor. Menor e mais leve. As emoções de agora são mais simples. Sua missão está cumprida, seu tempo está acabando e você está em paz com isso. Criança e velho num mesmo corpo. Cada volta do relógio traz a escuridão mais para perto. A concepção está próxima e depois dela você virará imaginação, sonho e desejo. E depois isso também acaba. Escuridão é o que restará, você será parte dela. Assim como é antes do início e será depois do fim.
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2017.11.11 07:06 tombombadil_uk Today I fucked up: a estranha sensação de reencontrar um amor do passado 12 anos depois

A quem possa interessar, agora tem uma parte 2: https://www.reddit.com/brasil/comments/7cq1rk/today_i_fucked_up_a_estranha_sensa%C3%A7%C3%A3o_de/
Reencontrei uma pessoa muito querida para mim ontem de maneira completamente randômica. É um caso tão bizarro que não sei para quem desabafar, já que esse "relacionamento" que eu mantive há 12 anos não chegou a ser sequer um relacionamento e nunca contei dele para ninguém. Esperei a esposa dormir, sentei e escrevi um conto. Fiz uma trash account para jogar isso aqui.
Desculpem o desabafo longo, mas foi o lugar que encontrei para soltar isso.
xxxx
Aconteceu no fim de tarde de uma sexta-feira quente. A cidade impaciente se esvaía para casa nos ônibus e metrôs lotados, a onda de calor de novembro apertando o passo de quem só queria o refúgio caseiro. Saí do metrô da esperando encontrar uma noite fresca, mas fui pego no pôr-do-sol atrasado do horário de verão. Passara o dia fora do escritório em um evento extremamente técnico e só queria desligar a cabeça. Estava bem vestido, mais do que o de costume. As calças jeans escuras relativamente novas, a blusa social quadriculada que usava quando queria se arrumar – mas nem tanto – e a bolsa de couro recém-comprada para ter um ar mais profissional nesses eventos externos.
Me sentia bonito, sentia até que minha barba reluzia ao pôr-do-sol. Ridículo, né? Um pouco de contexto: sempre fui uma pessoa acima do peso e havia acabado de registrar a perda de 32 quilos e indo à academia diariamente. Como qualquer um que foi gordinha a maior parte da vida, eu estava me sentindo muito bem. Por isso, peço que sejam indulgentes comigo. Até porque esse fato é relevante para a história.
Caminhando pela praça em direção ao ponto do ônibus que me levaria para casa, me desvencilhava dos ambulantes peruanos e suas bolsas falsificadas, dos entregadores de folhetos do sex shop de uma galeria ali perto – frequentadores fiéis da praça desde que eu me entendo por gente e provavelmente responsáveis por um número considerável de árvores derrubadas para fazer seus folhetos nessas décadas – e dos estudantes, que tanto pareciam carecer de pressa. Naquela multidão de gente, me surpreendi por notar alguém que me mirava de cima a baixo logo à minha esquerda.
No começo, não me virei. Julguei ser uma daquelas ilusões que a gente tem no canto do olhar. Três, quatro, dez passos. A pessoa continuava ao meu lado e me olhando atentamente, não sobravam dúvidas. Virei o rosto e dei de cara com ela.
Eu gosto muito de ler, mas não sei se já achei na literatura algum trecho que mostre o quão chocante é reencontrar um amor perdido depois de tantos anos. Ela entrou pelos meus olhos e me atravessou por inteiro, trouxe de volta as memórias que já julgava mortas e enterradas havia muitos anos. Por dentro, eu me senti despedaçado, como se tivesse estourado um balão há muito tempo comprimido no canto do subconsciente. Eu lembrei das manhãs que passava com ela, do dia em que ela me deu um CD do Linkin Park, de quando fui embora sem me despedir e não cortei o relacionamento – tosco, incompleto e desajeitado – que nós mantínhamos.
O choque seria menor, certamente, se não houvesse uma tristeza tão cristalina em seus olhos. Ela rapidamente virou o rosto e apertou o passo, mas eu fiquei ali atrás com aquela imagem fixa na memória. Me permiti olhá-la por inteiro enquanto avançava à minha frente. Não por desejo, mas por saudade. Saudade da pele morena, do cabelo ondulado que lhe descia pelas costas da mesma forma que fazia há mais de uma década. E saudade dos olhos de arteira que ela tinha, dos quais eu só lembrei depois de vê-los tão melancólicos. Nos conhecemos no fim do segundo grau e começo da faculdade, não éramos mais crianças. Mas os olhos dela sempre me encantavam: pareciam os olhos de alguém que está ansioso e animado ao mesmo tempo, o olhar de criança que está prestes a fazer merda e sabe disso.
Por sorte, ela seguia na mesma direção do ponto de ônibus e eu a seguia com meus olhos. Não tive forças para cumprimentá-la, a vergonha falou mais alto. Ela também não quis fazê-lo e foi fácil entender porque. Ela envelhecera bem mais do que eu esperava. Tínhamos a mesma idade, eu e ela, mas lhe daria uns dez anos a mais do que eu sem pensar duas vezes. Ganhara peso, o rosto e o cabelo pareciam maltratados, a roupa era desleixada. Nenhum julgamento aqui, quem não teve seu dia de ‘foda-se o mundo’ que atire a primeira pedra. E mesmo assim fez o meu coração parar. E mesmo assim eu só queria correr para perto dela e dizer oi.
Eu e ela éramos criaturas estranhas. Nós dois vínhamos de famílias de classe baixa, nós dois estávamos em um curso de inglês pago por algum parente mais rico, nós dois começamos a trabalhar cedo, nós dois éramos excelentes alunos, nós dois fazíamos parte daquela onda de rock do começo dos anos 2000 que incluía Linkin Park, Evanescence, System of a Down e algumas outras bandas que estavam na moda na época.
Começamos a nos aproximar quando contei para ela que queria fazer XXXXX (carreira omitida). Ela também queria, por isso passamos o ano anterior ao vestibular trocando dicas, comentando provas e trocando confidências no fim da aula de inglês. Eu fazia questão de levá-la para casa todos os dias após o fim da aula de inglês e nós acabamos ficando muito próximos. Só tinha um detalhe: eu e ela éramos comprometidos. Eu namorava uma colega de escola há pouco menos de um ano e era perdidamente apaixonado por ela, apesar dela ter se tornado uma companheira extremamente abusiva ao longo do relacionamento e termos nos separado. Ela namorava um amigo de infância, tinha tudo para crer que ela também era apaixonada por ele e estava prestes a se casar dali a um ano e meio. Sim, ela casou-se ridiculamente cedo, com apenas 20 anos e teve dois filhos logo depois, pelo que eu ficaria sabendo mais tarde por acidente. Nesse período de cerca de dois anos, mantivemos esse relacionamento estranho que eu sequer sei como classificar. Recém-chegados no curso achavam que éramos namorados, apesar de nós nunca nos abraçarmos, andar de mãos dadas ou coisas do gênero. Os alunos que estudavam conosco há mais tempo e já tinham visto nossos verdadeiros namorados achavam apenas que colocávamos chifres neles. Nós nunca fizemos absolutamente nada. Não houve beijo, não houve cabeça no ombro, não houve mãos dadas. Fisicamente, nunca houve nada. Mas havia ali uma cumplicidade quase criminosa, olhares mais longos do que o necessário, um quase que jamais se tornava realidade. Talvez esse carinho fosse fruto de sermos tão parecidos e termos origens tão similares.
Mas tudo acabou sem aviso. Em um intervalo de meses, sofri um duplo revés. O parente que pagava o meu curso descobriu que estava com câncer e seus custos com saúde aumentaram drasticamente. Eu já estava trabalhando e podia pagar, mas perdi o emprego no mesmo semestre. Tudo aconteceu em um intervalo de um mês, em janeiro, e eu não pude voltar ao curso para o semestre seguinte. Era uma época diferente. As redes sociais não eram tão onipresentes (eu tinha meu bom e velho Orkut, ela achava rede social bobeira) e não havia Whatsapp. E algo em mim insistia em dizer que era errado ligar para ela, que era ir longe demais. Então eu sumi da vida dela sem aviso, sem dar satisfação. Simplesmente não me matriculei no curso e jamais toquei no assunto com ninguém, nem com meus amigos mais próximos. Doeu – e doeu muito – mas eu deixei a vida sedimentar tudo aquilo. Eu ganhei peso, meu relacionamento com aquela namorada não andava bem. Naquele momento, eu só queria sumir e não ver mais ninguém. E aquela saída brusca acabou me ajudando nesse sentido. Some aí a baixa auto-estima. Eu nunca achava que uma mulher estava dando bola para mim até elas praticamente se jogarem no meu colo. Quase todas as mulheres com quem saí tiveram a iniciativa ou deixaram bem claro que queriam alguma coisa, sempre fui lerdo ao extremo para flerte. E perdi grandes oportunidades por conta disso, mas isso é passado e não me causa dor, só uma risadas. Exceto nesse caso.
De lá para cá, soube pouco dela. Descobri por um grande acaso que ela teve dois filhos logo após o casamento (Orkut de amigo de um amigo de um amigo que estava no chá de bebê do segundo filho dela, rs). Também vi que ela não passou no vestibular para a carreira que escolhemos, senão seria mais fácil encontrá-la. O curso era bem concorrido e ela não passou duas vezes. Na terceira, já estava com filho e casada, então não avançou. Esbarrei com ela enquanto estava grávida do primeiro fazendo compras no mercado com o marido. Nesse dia, eu estava acompanhado de vários amigos, completamente bêbado e indo para uma festa na região boêmia da cidade. Trocamos um olhar meio constrangido nesse dia, nada mais. Tinha uma mágoa bem nítida nos olhos dela, mas eu ainda relutava em acreditar que eu significava muita coisa para aquela menina. Eu só iria me tocar anos mais tarde que eu, apesar de estar fora dos padrões de beleza, recebia sim atenção do sexo oposto.
Agora avançamos 12 anos no futuro. Cá estou eu, perdido, olhando para uma mulher que teve um relacionamento tão tênue e tão profundo comigo ao mesmo tempo. Ela parou e entrou em uma loja de sapatos em frente ao ponto de ônibus para o qual eu estava indo e, mesmo pela vitrine, trocamos alguns olhares demorados. Eu queria chegar perto, eu queria dizer oi, eu queria chamá-la para jantar. Mas, no auge dos meus 30 e poucos anos, eu me senti um adolescente envergonhado de 17. E uma voz bem clara ecoava na minha cabeça: “você é casado, você tem um casamento muito feliz e você nunca traiu sua esposa e nenhuma das suas outras ex-namoradas. Você não vai começar a fazer merda agora”.
E se eu fosse dar um oi, serviria de quê? Requentaria um amor adolescente que provavelmente só faria mal a nós dois? Reviveria a mágoa daquele adeus decepado, sem dar a menor satisfação? Tudo isso só transformava minhas pernas em âncoras que meus olhos teimavam em ignorar. Ela saiu da loja e, pela primeira vez naquele fim de tarde, me olhou de forma direta. Sem aquela desviada de olhar que vem um par de segundos depois, sem aquela sensação de acidente ou constrangimento. Nos encaramos por um período que, me perdoem o clichê, parecia uma eternidade. Eu sabia que aquela era a minha deixa para chegar mais perto, mas eu não fui. Ela me deu as costas e sumiu na multidão, provavelmente para sempre. Meu coração ficou ali perdido, sem saber como era possível lembrar-se de tanta coisa em tão pouco tempo.
Sentado no ônibus de volta para a casa, as memórias vinham em atacado. O dia em que ela fez uma cópia do Hybrid Theory e me deu de presente de aniversário. A vez em que eu ganhei de um amigo meu um chaveiro do Nirvana e, quando ela foi pegar para ver, sem querer seguramos as mãos por uns segundos que pareciam compreender toda a história da humanidade. Quando levei meu discman para o curso e a gente escutou junto um álbum do System of a Down no ano em que lançaram Hypnotize e Mezmerize.
É triste a vida ser tão curta, eu concluí. Tem tanto amor para se viver, tanta história que poderia se escrita a dois que nós nunca vamos conhecer. Tanta coisa inesperada que acontece num fim de tarde sem propósito, tanta coisa que a gente deixa de perceber e que acontece porque você notou alguém no canto do seu olho. E eu, muito provavelmente, nunca mais vou vê-la. Se eu tivesse a oportunidade de reviver esse momento, eu não sei o que eu faria. Chamava para tomar um café e pedia desculpa por nunca ter falado que eu era perdidamente apaixonado por ela e que vivia um relacionamento conturbado com uma companheira abusiva, mas que a baixa auto-estima me impedia de agir? Diria que havia praticamente esquecido que ela existia nos últimos 10 anos, mas que bateu um misto de culpa e carinho enormes tanto tempo depois? Não acho que nada disso valeria a pena.
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